AVENTURAS AUSTRAIS 2017-2018 (PARTE 7)

Relato e fotos da temporada de expedições da KALAPALO EDITORA na Patagônia chilena durante o verão de 2017/18

No mesmo dia em que Ricardo partiu de Coyhaique para o Brasil, meus parceiros de trekking chegaram… 

Adriana Braga, 53, minha companheira de vida e aventura, veio com o grupo. Nossa última travessia em trekking juntos tinha sido durante a EXPEDIÇÃO TRANSPATAGÔNIA lá em 2013, quando caminhamos até a Baía Windhond, na Ilha Navarino, na Terra do Fogo chilena. Em 2016 pedalamos juntos pela Escócia, no projeto HIGHLANDS TANDEM KALAPALO, que gerou o vídeo-documentário HIGHLANDS, disponível no Youtube. Mas fazia muito tempo que nós não caminhávamos juntos.

Adriana odeia tirar fotos… Aqui o fotógrafo disse que a máquina estava desligada e rolou pose, hehehehe… Foto: Justino Pereira

Rodolpho Ugolini Neto, 42, residente em São Paulo, fez a segunda turma do CURSO DE TREKKING comigo, em agosto de 2011, com a esposa, Patricia Oka, e desde então tem acompanhado meu trabalho e frequentado regularmente minha casa, o REFÚGIO KALAPALO, em Gonçalves (MG). Seu filho, Giovani, 13, deveria estar no grupo também para a TRAVESSIA DO PARQUE PATAGÔNIA, mas cortou o pé num caco de vidro pouco antes da viagem e ficou no Brasil. Rodolpho é mencionado no meu livro HIGHLANDS, POR BAIXO DO SAIOTE ESCOCÊS por conta de uma passagem dramática e intensa que vivemos juntos. Agora somos quase irmãos.

O fotógrafo perguntou ao Rodolpho quem era o comediante favorito dele. “Stan Laurel, da dupla O Gordo e o Magro”, for a resposta. E fotógrafo completou: “você consegue imitar ele?” Olha o resultado surpreendente… Foto: Justino Pereira

Justino Pereira, 52, e a esposa, Suzi Vitoriano, 48, residentes em Guarulhos (SP), acompanham meu trabalho há alguns anos e ficaram bastante entusiasmados com a EXPEDIÇÃO TRANSPATAGÔNIA, o que nos aproximou bastante. Eles fizeram o CURSO DE TREKKING em outubro de 2017, três meses antes da TRAVESSIA DO PARQUE PATAGÔNIA 2018, mas foram os primeiros a demonstrar interesse no projeto, assim que lancei a ideia, quase um ano antes da data de início do trekking. Na época eles estava fazendo um ano sabático e estavam numa viagem de volta ao mundo de mochila. Um dia recebo um e-mail, acho que da Tailândia, do Nepal ou da Nova Zelândia, sei lá, informando que os dois estariam na Patagônia ao meu lado… Sinceramente, não pus a menor fé! Não acreditei que eles participariam da travessia porque imaginei que, depois de uma viagem tão longa, eles iriam preferir ficar em casa descansando. Engano meu! Quem é aventureiro descansa na aventura… 

O fotógrafo sendo fotografado, mas ninguém me disse que era para mandar ele fazer pose… E não precisou! 
Por trás de todo homem bem-sucedido existe uma mulher forte, diz o ditado… Suzi é a mulher forte “na frente” do Justino…  Foto: Justino Pereira

Sergio Resende Carvalho, 59, vive em Campinas (SP), fez recentemente o treinamento MANTIQUEIRA BIKEPACKING 2017 comigo, fez o CURSO DE BIKEPACKING e treinou comigo para fazer a Carretera Austral, que ele pedalou inteirinha em janeiro de 2017, usando meu livro GUIA DE TRILHAS CARRETERA AUSTRAL como referência. Ele é um dos frequentadores mais assíduos do REFÚGIO KALAPALO e um dos caras mais entusiasmados, fortes e bem-humorados na aventura que conheço. Com ele no time fico mais sossegado. Outra peculiaridade dele é ser muito distraído, mas sua distração, para mim, não é defeito e sim uma qualidade. Sergio não tem ligação com objetos e sim com pessoas, como vai ficar mais claro ao longo da narrativa.

Fotógrafo: Sergio, pronto pra foto? Sergio: sim! Fotógrafo: um, dois… Sergio: esqueci meu chapéu… Foto: Justino Pereira

Rubens Bueno Ribas, 33, de Goiânia, fez o CURSO DE TREKKING em outubro de 2014, já participou de retiro de meditação budista com a Adriana, já passou o Ano Novo conosco no REFÚGIO KALAPALO, na virada de 2015 para 2016. Ele acompanha bem de perto meu trabalho há anos. Durante o treinamento para a TRAVESSIA DO PARQUE PATAGÔNIA 2018 ele foi um dos que mais escreveu perguntando sobre equipamento, em especial roupas. Acho que por viver num lugar tão quente, caminhar pela Patagônia parecia um desafio bem maior para ele do que para o resto da turma. Rubens e eu temos algo forte em comum: a crença de que atividades de aventura, como a travessia que estávamos prestes a iniciar, são instrumentos de autoconhecimento. Para nós dois, a viagem interior e tão ou mais importante que a exterior. 

Fotógrafo: Rubens, eu já fiz doze fotos suas! Acho que tá bom… Rubens: só mais uma, vai!… Foto: Justino Pereira
Rubens: faz só mais uma! Fotógrafo: tá bom, então muda de pose! Rubens: tá bom assim? Fotógrafo: desisto! Foto: Justino Pereira

Carla Britto, 53, de São Paulo, fez o CURSO DE TREKKING três meses antes da expedição. Um dia ela apareceu em casa com uma prima, do nada, num fim de semana em que não havia atividades no REFÚGIO KALAPALO, dizendo gostar de aventura. Ela tinha subido o Monte Kilimanjaro, a montanha mais alta da África, não fazia muito tempo e estava agora com a Patagônia no radar. Poucos meses depois, ela e o marido estavam em casa para fazer o CURSO DE TREKKING, decidida a participar da TRAVESSIA DO PARQUE PATAGÔNIA. Seu maior medo era carregar muito peso, já que a proposta era sermos autossuficientes por onze dias na trilha. Por mais que eu pintasse o quadro o mais negro possível, explicando que sua mochila pesaria pelo menos 17 kg, ela não desanimou. Quando Carla diz que gosta de alguma coisa, ela gosta mesmo!

Fotógrafo: Pronta pra foto, Carla? Carla: sim, claro! Ihhh… Escorreguei!!! Foto: Justino Pereira
Carla: aquela foto não valeu, faz outra! Fotógrafo: não vai escorregar de novo, hein? Carla: eu nunca escorrego!!! Foto: Justino Pereira

Rodrigo Simão Barbosa, 35, foi o último a entrar no grupo. Ele inclusive completou 36 anos na trilha conosco! Aliás, ele entrou aos 45 minutos do segundo tempo! Eu já estava na Patagônia, pedalando com o Ricardo, quando Rodrigo se inscreveu, depois de já ter sido previamente aprovado por mim ainda no Brasil. Ele participou da sexta turma do CURSO DE TREKKING, em agosto de 2013, quando eu ainda morava em São Paulo e ministrava toda a parte teórica no salão de casa. O cara não tinha absolutamente nada de equipamento e o pouco que tinha eu não aprovei! Foi uma correria! Fiz um checklist completo para ele e consegui alguns descontos com marcas parceiras pra brincadeira não sair uma fortuna pra ele. Fiquei impressionado com o empenho e a determinação dele em conseguir se equipar a tempo de participar da expedição. Mas essa foi apenas uma pequena amostra da grande força desse carioca da cidade do Rio de Janeiro.

Fotógrafo: pronto pra foto, Rodrigo? Rodrigo: só um pouco, deixa eu arrumar a camisa… Fotógrafo: tudo bem, eu espero…    Foto: Justino Pereira
Rodrigo ouviu o “clic” da foto e reclamou: tá me sacaneando? Faz outra! Fotógrafo (ainda rindo): OK… Foto: Justino Pereira

Sergio e Rubens já estavam no Chile, o primeiro percorrendo sozinho os quatro dias da trilha de Cerro Castillo, também na Patagônia chilena, o segundo num evento de autoconhecimento um pouco mais ao norte no país. O restante do grupo chegou todo no mesmo dia.

Eu já estava andando de um lado para o outro na pousada em Coyhaique, aguardando ansioso em especial a chegada da Adriana. Eu havia comprado uma boina preta e um lenço vermelho de gaucho patagón em Cochrane, quando estive lá com o Ricardo, e roubei um maço de rosas vermelhas do jardim de um vizinho da pousada. Na verdade, pedi ao vizinho permissão para colher as rosas, dizendo que seriam para minha esposa e ele comentou: “Muy romantico”. Sim, era essa a intenção, inclusive com a fantasia de vaqueiro dos pampas em dia de festa. Quando a van finalmente chegou, lá estava eu na calçada, com as rosas nas mãos… 

No dia seguinte, fomos todos fazer compras de mantimentos para a expedição. Nove adultos comem muita coisa em onze dias de caminhada, subindo e descendo montanhas, atravessando rios sem ponte e carregando a casa nas costas em qualquer clima. O problema é que quando toda essa comida é amontoada numa mesa a imagem causa pânico! Eram cerca de 65 kg para serem transportados em nossas mochilas.

Trekking autossuficiente depende de mantimentos. Aqui está toda a comida que o grupo carregou durante 11 dias na Patagônia. Foto: Rodolpho Ugolini Neto.

Com a ajuda de Carla, que já viveu nos Estados Unidos e mantém laços com o país, conseguimos adquirir comida liofilizada para metade dos jantares programados. Com isso deixamos de carregar bons quilos em comida mais tradicional. Gastamos dois dias para fechar todas as mochilas e poder começar a aventura de verdade. Um processo lento e minucioso fundamental em qualquer expedição.

Mochilas fechadas, cheias, pesadas e prontas para a travessia no mirante de Chile Chico. Foto: Rodolpho Ugolini Neto.

PARA LER OS DEMAIS CAPÍTULOS DESSA NARRATIVA, ACESSE MEU BLOG

A narrativa continua no próximo capítulo!

Guilherme Cavallari e a KALAPALO EDITORA contam com o apoio das marcas: