EXPLORANDO A AMAZÔNIA

Produzido pela BBC, esse documentário em 3 DVDs é “aventura” de primeira qualidade, padrão “primeiro mundo”. Uma equipe “invisível” acompanha e dá suporte à viagem e narrativa de Bruce Parry em uma viagem épica (segundo ele mesmo) da nascente à foz do Rio Amazonas.
Bruce é ex-militar, especialista em condicionamento físico de fuzileiros navais ingleses, com experiência internacional em expedições científicas acompanhando pesquisadores a lugares ermos e perigosos, com inclusive uma passagem anterior pela floresta amazônica.
O documentário, de 2007, conta a longa travessia de 8 meses de duração e 6.800 quilômetros percorridos apenas no leito dos várior rios que mudam de nome até transformarem-se no Amazonas, dos Andes peruados ao oceâno Atlântico. Mas diversas incursões ao interior da floresta vão de encontro a povos e pessoas representativas do universo amazônico.
Obviamente não se trata de estudo científico ou pesquisa sistemática e profunda, mas um documentário dinâmico e divertido, instrutivo e revelador, baseado na experiência vivida intensamente por Bruce, que não nega fogo e atira-se de cabeça e coração abertos a vivências múltiplas, delicadas, contrastantes, perigosas e até moralmente questionáveis na tentativa de enxergar sempre os diferentes e antagônicos lados de questões polêmicas.
Bruce vive, convive e interage com índios, garimpeiros, pescadores, madeireiros, policiais, produtores de cacaína, militares, vaqueiros e inúmeros outros tipos amazônicos. Seu deslocamente é frenético seja por terra, ar e água. Ele parece indestrutível, incansável, e ao mesmo tempo frágil e desajeitado. Seu lado humano transparece de forma tão cotidiana que o espectador chega a duvidar da sinceridade. Será tudo encenação? Aparentemente não, ele está lá inteiro, entregue, vivendoa experiência na sua integridade, como todo bom viajante.
Essa, na minha opinião, é a chave do sucesso do documentário, premiado pelo BAFTA em 2009 (British Academy of Film and Television Art), Bruce é um viajante, com “V” maiúscula. Seu maior desejo aparente é experimentar e aprender, viver e crescer, provar e se deixar permear pelo sabor da experiência. As inúmeras cenas dele santando de barcos, aviões, carros e montarias, sempre de mochila nas costas quando obviamente há uma enorme equipe por trás para produzir e auxiliar em tudo o que for preciso – inclusive carregar uma mochila enorme – é a prova do “personagem” que ele interpreta. Ou melhor, que ele vive.
Impossível resumir a Amazônia em uma viagem, mesmo dessa proporção. Impossível identificar, entender e ouvir todos os personagens que povoam a imensa região. Impossível não julgar ações e decisões quando suas consequencias já foram tão estudadas e divulgadas, como no caso do desmatamento, da poluição e da exploração desrespeitosa de recursos naturais e seres humanos. Esse talvez seja o ponto fraco do documentário – a mal disfarçada tentativa de manter-se imparcial, quando na verdade o público espera (pelo menos eu) gestos mais claros de revolta e censura. Mas isso é claramente a atitude inglesa, fleumática, “superior”, acima do próprio julgamento.
As tomadas aéreas são de tirar o fôlego. Os diversos enquadramentos de câmeras sugerem um time monumental por trás do narrador-viajante, mas apesar do tamanho da produção o documentário consegue manter a linguagem ágil e despretenciosa de um “road movie” de excelente qualidade.
Vale a pena ver, eu recomendo. Vale a pena rever, ter em casa e, para nós brasileiros, vale como lembrete do pouco que conhecemos do nosso imenso país. Desnecessário dizer que fiquei me coçando na poltrona, morrendo de vontade de conhecer pessoalmente os lugares por onde Bruce passou. Meu sangue viajante e aventureiro ferveu com esse documentário!

Explorando a Amazônia
BBC / LogON Editora
1996
3 discos / 118 minutos
7898494243118
http://www.logon.com.br/