NAUFRÁGIOS E COMENTÁRIOS / ÁLVAR NÚÑES CABEZA DE VACA

Álvar Núñes Cabeza de Vaca foi um conquistador espanhol a serviço do rei da Espanha. Dito isso imaginamos logo um cavaleiro armado até os dentes, decapitanto índios, dizimando populações e enchendo caravelas de ouro e prata roubados da América. Neste caso, essa suposição é um engano.
Cabeza de Vaca naufragou próximo da Flórida em 1527 e acompanhado de mais três conquistadores voltou a pé para a civilização. Eles caminharam por 18.000 quilômetros, nus, famintos, escravizados pelos índios que eles próprios tentavam escravizar, percorrendo pântanos, desertos, montanhas, cruzando regiões completamente desconhecidas, vendo as manadas de bisões pela primeira vez e terminaram como os primeiros homens brancos a atravessar os atuais estados americanos do Texas, Arizona e Novo México, até chegarem, dez anos depois, na atual Cidade do México. Durante esse período Cabeza de Vaca foi “iluminado” e percebeu que os índios eram pessoas gentis, inteligentes e que poderiam ser facilmente conquistadas pela bondade e não pela matança.

Depois disso Cabeza de Vaca foi enviado pelo rei da Espanha para salvar os cristãos em dificuldades na cidade de Assunção, hoje capital do Paraguai. Ele então caminhou do litoral de Santa Catarina até o Pantanal mato-grossense, tornando-se o primeiro homem branco a ver as Cataratas do Iguaçu e o próprio pantanal, com toda sua exuberância de flora e fauna e seus monumentais desconfortos. Ele conviveu com índios canibais, plantas venenosas, malária, revoltas, guerras, traições e reviravoltas políticas de conquistadores menos escrupulosos que ele. Terminou preso e acorrentado no porão de um navio enviado de volta à Espanha para julgamento. Todo o tempo ele pregava o cristianismo e coibia a matança e escravização dos povos indígenas.
Nesse pequeno livro Cabeza de Vaca narra, em detalhes, todas suas aventuras, além de contar um pouco da nossa história. Podemos considerá-lo um dos maiores aventureiros de todos os tempos, além de um dos primeiros defensores dos direitos humanos indígenas. Tudo isso na primeira metade do século XVI. Um clássico e um dos melhores livros de aventura que eu já li!

Naufrágios e Comentários
Álvar Núñes Cabeza de Vaca
L&PM Editores
1999
ISBN 9788525409539
319 páginas