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AVENTURA NO TOPO DA ÁFRICA / AIRTON ORTIZ

aventura no topo da africaPrimeiro livro de Airton Ortiz. Em 1999, com 42 anos, o jornalista gaúcho decidiu ampliar seus horizontes e escalar a mais alta montanha da África, o Kilimanjaro, entre a Tanzânia e o Quênia. A viagem começou na África do Sul, atravessou Moçambique e terminou na Tanzânia, no topo do “Kili”. Uma seqüência de infortúnios e o enorme choque cultural transformaram a viagem numa pequena aventura.

O relato desta viagem e da escalada do Kilimanjaro é bem diferente dos livros padrão de narrativas de alta montanha. Primeiro, porque o Kilimanjaro, com seus 5.895 m, é mais baixo que muita montanha aqui na Cordilheira dos Andes e praticamente sem gelo ou neve. Na verdade, escalar o Kilimanjaro é uma caminhada árdua, não muito mais que isso. Segundo, porque Ortiz não é esportista ou montanhista profissional, o que torna a narrativa mais interessante.

Ortiz é um gaúcho do interior do estado, com atitudes e trejeitos típicos, até quase estereotipados. Ele diz gostar de tomar um “uisquezinho” no final do dia, gosta de futebol (e inclusive escalou o Kili vestindo uma camisa do Grêmio), adora churrasco, e inclusive ouviu fitas de samba-enredo num walkman durante sua passagem pela África. Ele, enfim, é um brasileiro comum fazendo coisas infelizmente incomuns para os padrões do Brasil, e esse talvez seja seu maior mérito e grande defeito. Muitas vezes ele supervaloriza seus feitos justamente por achá-los incomuns, mas isso é até aceitável, uma vez que através do livro conhecemos sua origem.

Em todo o mundo existem escritores que “introduzem a aventura” aos seus leitores, incentivando a prática de determinadas atividades, instigando a curiosidade e, por conseguinte, promovendo a ação ao invés da inatividade. Ortiz tenta cumprir esse papel no Brasil. Seus livros não são grandes obras de arte, não apresentam um estilo estético muito definido, não têm a originalidade que caracteriza os grandes escritores, mas, mesmo assim, despertam o interesse do leitor.

Como editor, se eu fosse organizar uma coleção de livros com o subtítulo “os primeiros passos na aventura”, eu incluiria alguns livros do Ortiz. Minha coleção provavelmente se chamaria “tire a bunda do sofá” e não “viagens radicais”, como batizou a Editora Record sua série de livros. Não existe absolutamente nada de radical nesta viagem do Ortiz ou no livro Aventura no topo da África, mesmo porque “radical”, para mim pelo menos, é ficar na frente de uma televisão ou computador oito horas por dia.

Aventura no topo da África – Trekking no Kilimanjaro
Airton Ortiz
Editora Record
2001
212 páginas
ISBN 8501054526
www.record.com.br