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KARLUK / JENIFER NIVEN

karlukGrandes tragédias trazem à tona o melhor e o pior de cada ser humano. Em momentos em que a sobrevivência depende de coragem, bom senso, sangue frio, determinação e altruísmo, a natureza humana se mostra no seu todo. E muitas vezes os sobreviventes se vêm envoltos em vergonha.

Quando a Grande Expedição Ártica Canadense de 1913 partiu rumo ao extremo norte, em busca de um suposto, e inexistente, continente ainda não descoberto e escondido debaixo da calota polar, nem todos acreditavam que o barco que os conduzia, o Karluk, estava em condições de suportar os rigores do inverno polar. Mas nem as mais pessimistas previsões poderiam ter antevisto o que aguardava a tripulação.

Confusão e caos reinavam desde os primeiros momentos. A inexperiência, a desorganização e a absoluta falta de companheirismo e espírito de equipe, somadas à falta de liderança competente, formavam a personalidade da expedição. O navio ficou meses preso no gelo flutuante e passou a vagar desgovernado, ao sabor do azar e do vento inclemente. Não demorou e o Karluk foi esmagado pelo gelo e engolido pelo mar. Seus tripulantes se viram despreparados, desequipados, desorientados, abandonados sobre o gelo e esquecidos pelo mundo. E esse é só o começo da aventura.

O líder da expedição, Vilhjalmur Stefansson, antropólogo de origem islandesa nascido no Canadá, partiu para caçar renas quando o navio estava preso no gelo e não conseguiu mais voltar a bordo porque o Karluk derivou para longe. Aparentemente indiferente à sorte da tripulação, seguiu adiante com seus propósitos exploratórios. O capitão do navio, Robert Bartlett, canadense da região de Terra Nova, conseguiu organizar uma marcha de 130 km pelo gelo, até a Ilha de Wrangel, na costa da Sibéria. Com a ajuda dos nativos Inuit, Bratlett resgatou os sobreviventes, um ano e um mês depois do navio ficar preso no gelo. Mais da metade da tripulação havia morrido.

Nas vésperas do início da Primeira Guerra Mundial, a história da tragédia, sobrevivência e morte dos homens do Karluk desviou a atenção do mundo para uma ilhota inóspita, praticamente desconhecida, ao norte da Sibéria. Um amontoado de pedras e gelo. De suas praias congeladas saiu uma história incrível, que emocionou o mundo há quase um século atrás e continuará a emocionar ainda hoje. Uma história de heroísmo e egoísmo, como convém às histórias reais. Um belo livro de aventura.

Karluk – A Extraordinária Expedição ao Ártico de 1913
Jennifer Niven
Editora Alegro
2001
408 páginas
ISBN 8587122215