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BIKEPACKING MANTIQUEIRA: RELATO E FOTOS

gui 21/06/2017 0

No último feriado de Corpus Christi, de 15 a 18 de junho, organizei uma mini-expedição de bikepacking pela Serra da Mantiqueira aberta ao público. Como tudo o que faço profissionalmente, os objetivos dessa viagem eram didáticos e vivenciais. A proposta era pedalar cerca de 200 km por estradas de terra e trilhas acampando selvagem ao longo do caminho. Uma aventura 100% autossuficiente.

Três pessoas se inscreveram: Ricardo, de Brasília (DF); Daniel, de Belo Horizonte (MG); Sergio, de Campinas (SP). Ricardo e Daniel vieram para o REFÚGIO KALAPALO — a escola de aventura e abrigo de montanha onde vivo e trabalho, em Gonçalves (MG), na Serra da Mantiqueira — para um dia de treinamento preparatório. Sergio já havia feito esse treinamento numa outra ocasião, quando ele se preparava para pedalar a Carretera Autral, na Patagônia chilena, acompanhando o trajeto mapeado no meu livro GUIA DE TRILHAS CARRETERA AUSTRAL.

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Ricardo, que seguiu minhas indicações e usou duas bolsas estanques alinhadas com o quadro da MTB para viajar em estilo BIKEPACKING. Bolsa de quadro nacional ARESTA.

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Daniel adquiriu um kit completo de bolsas para BIKEPACKING da marca norte-americana BLACKBURN.

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Sergio, com bolsa de guidão e bolsa de selim da mara alemã ORTLIEB e bolsa de quadro norte-americana REVELATE DESIGNS.

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Guilherme Cavallari, com bolsa de guidão e bolsa de selim da marca alemã ORTLIEB e bolsa de quadro nacional ARESTA. Mochila DEUTER TRANSALPINE de 30 litros, com sistema de hidratação, jaqueta impermeável e lanche de trilha apenas.

Na preparação prévia à viagem, orientei os participantes a adquirir alguns itens de equipamento básico para a mini-expedição, como bolsas apropriadas para bikepacking e afins. Ofereci saco de dormir, barraca, isolante térmico e cozinha de acampamento a quem não tivesse esses itens. O REFÚGIO KALAPALO tem o apoio das marcas de produtos de aventura DEUTER, SEA TO SUMMIT, CAMELBAK e AZTEK. Contamos também com o apoio da marca de comunicação via satélite SPOT em todas nossas atividades.

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TERÇA-FEIRA, 14 DE JUNHO

Ricardo e Daniel chegaram ao REFÚGIO KALAPALO para dormir em nossos quartos coletivos e começar o treinamento de bikepacking na manhã seguinte. Jantamos juntos, conversamos sobre a vida, assistimos a um filme de bikepacking no Alasca que eu havia visto no dia anterior e, conversa vai, conversa vem, o assunto foi parar em meditação. Eles se mostraram interessados pelo assunto e terminei por apresentar a eles algumas técnicas. Meditamos juntos por 30 minutos. Isso não estava na programação, mas acredito que tenha acrescentado à experiência.

QUARTA-FEIRA, 15 DE JUNHO

Acordamos cedo e logo começamos a trabalhar. O objetivo do dia era apresentar equipamento apropriado para bikepacking — cicloturismo de aventura, autossuficiente e por qualquer terreno — e montar as bicicletas para a viagem. Cada um de nós teria que levar um sistema completo de dormir, roupa extra apropriada ao inverno na Serra da Mantiqueira, comida para quatro dias, ferramentas para reparos de emergência nas bikes, luzes para eventuais pedaladas noturnas, kit de higiene pessoal, kit de primeiros socorros e acessórios. Tudo ultraleve e supercompacto sem interferir no equilíbrio e dirigibilidade de nossas mountain bikes.

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Bicicletas estacionadas para fotos no mirante do Serrano, em São Bento do Sapucaí (SP). Esse mirante fica a apenas 3 km do REFÚGIO KALAPALO.

Normalmente esse treinamento dura um final de semana inteiro no REFÚGIO KALAPALO e está descrito em nosso site como CURSO DE BIKEPACKING. Mas como tanto o Ricardo quanto o Daniel já tinham larga experiência em mountain bike e só precisavam de ajustes finos para a mini-expedição, conseguimos fazer tudo num dia apenas. Sergio, que chegou à noite, já tinha feito o mesmo treinamento, além da viagem de 24 dias e 1.500 km de forma autônoma e autossuficiente pela Patagônia.

QUINTA-FEIRA, 16 DE JUNHO

Com as mountain bikes montadas, saímos depois do café da manhã em direção a Campos do Jordão (SP). O roteiro da mini-expedição estava totalmente em aberto, eu levava um aparelho de GPS, carta topográfica da região e bússola analógica para a navegação. Nosso único compromisso era dormir sábado à noite no ESPAÇO ARAUCÁRIA, onde acontece todos os anos o ENCONTRO NACIONAL DE CICLOTURISMO, promovido pelo CLUBE DE CICLOTURISMO DO BRASIL, e onde eu participaria de uma palestra sobre “formas de transporte de bagagem em cicloturismo”. Eu falaria, obviamente, sobre bikepacking.

Descemos os 500 m verticais do Serrano, passamos por São Bento do Sapucaí (SP), forrada de tapetes de serragem para a procissão de Corpus Christi, e subimos a Serra do Monjolinho em direção a Campos do Jordão (SP). Essa serra íngreme e longa, de quase 600 m verticais, passa pelos bairros rurais Baú do Meio e Baú de Cima, acompanhando o Rio do Baú quase todo o tempo. A imponente Pedra do Baú decorou o cenário à nossa esquerda boa parte do caminho.

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Vista a partir do topo do Serrano, bairro rural de São Bento do Sapucaí (SP), com a Pedra do Baú encoberta por nuvens.

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Tapete de serragem para a procissão de Corpus Christi em São Bento do Sapucaí.

O clima estava perfeito. Céu azul, temperatura amena, sol quente mas não muito forte e pouco vento. Difícil encontrar tempo melhor para pedalar. Cada um no seu ritmo, reagrupando a cada tanto, chegamos ao topo da serra e ao bairro Campista, já em Campos do Jordão. Hora de procurar um local para acampar. Eu conhecia um sequência de trilhas em singletrack — caminhos estreitos por onde só passa uma bicicleta por vez —, que liga o Campista à fábrica de água mineral MINALBA, onde imaginei que não teríamos dificuldade de encontrar um local isolado e apropriado para passar a noite.

Montamos acampamento às margens do Rio Sapucaí num bosque preservado logo depois que saímos do asfalto do Campista. Eu dormi num saco de bivaque, Ricardo dormiu numa rede de acampamento com toldo, Daniel usou outro saco de bivaque no avanço da barraca ultraleve para uma pessoa que o Sergio trouxe. Quem não tinha medo de água fria se lavou no rio, quem, como eu, tem arrepio só de imaginar banho gelado, trocou de roupa e dormiu sujo mesmo. Cozinhamos polenta com atum, azeitonas verdes e queijo parmesão ralado para o jantar. Não faltou chocolate de sobremesa e muito chá de camomila para relaxar.

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Topo do mundo, a 1.850 m de altitude, depois de subir quase 1.000 m verticais com bikes pesadas. Empurrar a bike faz parte do BIKEPACKING.

Daniel estranhou um pouco dormir no chão, já que esse foi seu primeiro acampamento na vida. Eu montei a rede do Ricardo numa árvore meio caída, desenraizada, que parecia firme mas não era. O resultado foi que no começo da noite a árvore terminou de deitar e a rede de dormir virou saco de bivaque encostado no chão. Essa foi a primeira vez que vi alguém mudar de estilo de acampamento sem sair da cama. Nada grave.

Pedalamos 44 km nesse primeiro dia.

SEXTA-FEIRA, 17 DE JUNHO

Uma sequência de singletracks nos levou do local do primeiro acampamento selvagem até o final do asfalto da estrada na MINALBA. Nesse trecho, o estilo bikepacking mostrou sua eficiência inegável. Se estivéssemos viajando apenas com mochilas, elas estariam pesadíssimas por conta de todo equipamento de acampamento e comida; se estivéssemos viajando com alforjes eles enganchariam na vegetação e tirariam o equilíbrio das bicicletas com seu peso lateral; bike trailers — reboques de uma roda usados em expedições de cicloturismo, como a minha TRANSPATAGÔNIA, de seis meses de duração — seriam grandes e volumosos demais para um roteiro de apenas quatro dias de duração.

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Visão a partir da bicicleta do Daniel, com o grupo em deslocamento pela comunidade Baú do Meio, em São Bento do Sapucaí.

Anos atrás eu havia descido da MINALBA até o município de Venceslau Brás (MG), perto da cidadezinha de Delfim Moreira (MG), quando pesquisava para produzir o roteiro de 1.168 km de extensão que criei, mapeei e publiquei no livro GUIA DE TRILHAS CICLOMANTIQUEIRA. Pensei em repetir esse percurso e depois procurar alguma trilha que nos levasse até Delfim Moreira e o grupo topou o desafio.

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Rastreador via satélite SPOT GEN-3, presente em todas as minhas aventuras…

Descemos por mais de 30 km os quase 550 m verticais até o asfalto da estreita rodovia BR 459, sempre acompanhando o lindo Rio Sapucaí, que acabaria sendo uma importante referência geográfica constante em nossa mini-expedição. Todo o tempo, ladeira abaixo, eu imaginava como seria descer o rio num bote individual de packrafiting, um equipamento que acabei de adquirir e ainda não estreei. Um tiozinho no caminho disse que havia trutas no rio e logo pensei também na minha vara de fly fishing. É incrível como uma aventura abre portas na mente para outras.

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Detalhe de uma curva do Rio Sapucaí, que pretendo descer em breve de PACKRAFTING.

Quando chegamos ao asfalto e paramos para comer algo, discutimos as possibilidades e mudamos o itinerário. Seguir até Delfim Moreira elevaria demais nossa quilometragem e nós provavelmente não chegaríamos ao ENCONTRO NACIONAL DE CICLOTURISMO a tempo da minha palestra. Um motoqueiro local nos indicou uma estrada que subia acompanhando a margem oposta do Rio Sapucaí e que nos levaria até os fundo do HORTO FLORESTAL DE CAMPOS DO JORDÃO, um lugar onde eu já havia pedalado e queria apresentar aos meus companheiros.

Subimos sem descanso por quase 20 km até Roseta, uma linda vila de pouquíssimas casas onde decidimos passar a noite. Mas havia um detalhe: era aniversário da localidade ou do santo padroeiro, sei lá, e havia um palco montando para um show ao vivo de música sertaneja. A noite não prometia ser silenciosa. Por outro lado, a festa nos possibilitou banho quente no salão paroquial e um banquete de leitoa com macarrão, arroz e farofa que repôs todas nossas energias com sobra. A alternativa era MIOJO com molho pronto de tomate. Rolou até uma cervejinha no jantar. Ninguém reclamou da mudança na programação ou no cardápio.

Como esperado, montamos o acampamento num local relativamente protegido do som, atrás de um tipo de depósito de produtos agrícolas numa área de charco, mas só conseguimos dormir mesmo quando a festa terminou, às 2h da madrugada.

Esse foi um dia de 55 km pedalados.

SÁBADO, 18 DE JUNHO

Acordamos com o sol, às 6h30 da manhã. Assonados, preparamos nosso café da manhã de acampamento, com muita granola, leite em pó, café solúvel, bolachas salgadas e queijo, usamos o banheiro público da vila e começamos a longa escalada até o HORTO FLORESTAL DE CAMPOS DO JORDÃO.

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De manhã no acampamento atrás de um galpão agrícola na vila de Roseta, no município de Venceslau Brás (MG).

Todo esse trecho, do asfalto da BR 459 até o Horto, era novidade para mim e fiquei muito impressionado com a beleza da paisagem uma vez no topo. A vista do alto da serra, a 1.850 m de altitude, com Campos do Jordão de um lado e o mar de montanhas de Minas Gerais do outro, era impagável.

Assim que entramos no Horto começou o trecho mais divertido para mim. Faz três meses, mudei de bicicleta e estou pedalando agora uma SCOTT SCALE PLUS 710, uma mountain bike de traseira rígida, quadro de alumínio, aro 27.5 com pneus de 2.8 polegadas de largura. Provavelmente a melhor bike que já tive na vida. Essa plataforma 27.5 PLUS, com pneus de 2.8 a 3.25 polegadas de largura, também chamada de “semi-fat”, está dominando o cenário internacional de bikepacking e trilha os motivos são óbvios. A bike é leve, estável, simples, confortável, resistente, tem excelente aderência nas subidas técnicas e desce como uma bike de downhill. Mesmo com mais de 10 kg de bagagem, pronto para acampar selvagem em qualquer lugar, desci a estradinha do Horto voando baixo. Minha velocidade máxima nesse trecho foi de 45 km/h e raramente eu estava abaixo de 30 km/h. Tudo na maior segurança.

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SCOTT SCALE PLUS 710 de Guilherme Cavallari, com bolsas de guidão e de selim ORTLIEB, bolsa de quadro ARESTA, bolsa pequena DEUTER de quadro, bolsa improvisada para ferramentas e garrafa de combustível para o fogareiro amarradas ao quadro.

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Detalhe da SCOTT SCALE PLUS 710 com bolsa improvisada de ferramentas e garrafa de combustível amarradas com fitas de câmara de ar no quadro. A ideia deu supercerto e ainda serviu de paralama!

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Detalhe do cockpit da SCOTT SCALE PLUS 710 com GPS e ciclocomputador.

Do final do asfalto da estrada na MINALBA, seguimos para o bairro do Centro, onde fica o ESPAÇO ARAUCÁRIA. Na última descida do dia, de 3 km de extensão e já na terra, encontramos com o pessoal do ENCONTRO NACIONAL DE CICLOTURISMO que voltava de um passeio. É sempre uma alegria para mim participar desse evento, que reúne cicloturistas de todos os cantos do Brasil, com histórias, expectativas e bicicletas diferentes. Todos com muita energia boa.

A palestra sobre transporte de bagagem em cicloturismo foi interessante, didática e dinâmica. Eliana Garcia, fundadora do CLUBE DE CICLOTURISMO DO BRASIL ao lado do companheiro Rodrigo Telles, falou sobre transporte de bagagem em alforjes; Arthur Berberian mostrou o bike trailer que ele mesmo construiu e usa em suas viagens; eu falei um pouco sobre bikepacking. Três formas eficientes de transporte de equipamento para tipos diferentes de ciclistas.

Acampamos com a galera no ESPAÇO ARAUCÁRIA depois de 57 km pedalados no dia.

DOMINGO, 19 DE JUNHO

Último dia da mini-expedição em bikepacking pela Mantiqueira. Meu amigo Fila, que administra o ESPAÇO ARAUCÁRIA, ensinou um atalho por trilhas até o asfalto do Campista que nos economizaria cerca de 20 km. Uma subida forte, mas relativamente curta, que nos levou até um passo de montanha e, de lá, até o asfalto que liga o Campista com a entrada da Pedra do Baú. Como Ricardo e Daniel tinham que viajar de carro para Brasília e Belo Horizonte, respectivamente, decidimos encurtar esse último dia para que eles não precisassem viajar a noite toda.

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Os quatro cavaleiros do apocalipse prontos para começar o último dia da jornada.

 

Descemos o asfalto que liga São Bento do Sapucaí à entrada para a Pedra do Baú, passando pelo acampamento PAIOL GRANDE. Daniel teve câimbras fortes e foi obrigado a terminar a viagem de carona uma picape que passava, uma grande sorte e uma imensa gentileza de estranhos. Mesmo sendo avesso a pedalar em asfalto, confesso que me diverti descendo a estrada sinuosa e não reclamei de ter encurtado o caminho. A viagem foi pesada e exigente para todos.

Chegamos ao REFÚGIO KALAPALO às 15h30 depois de pedalar 46 km e subir os 500 m verticais do Serrano. A segunda carona que levou Daniel até em casa também levou nossa bagagem, com exceção das bolsas do Sergio, que não quis saber de moleza e subiu a montanha carregando tudo o que tinha. Totalizamos 202 km pedalados e 5.415 m acumulados de subidas e o mesmo tanto de descidas em quatro dias. Fim da aventura.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Confesso que eu estava um pouco apreensivo com essa viagem. Eu estrearia uma bicicleta em expedição, não tinha roteiro pré-definido, não sabia onde iríamos acampar ao longo do caminho e nunca tinha pedalado, de verdade, com nenhum dos meus três companheiros. As variantes eram muitas e as chances de algo importante dar errado eram inegáveis. Mas se tudo já está no script, não é aventura, né?

No final, deu tudo certo. O roteiro improvisado foi sensacional e especial justamente por ter sido improvisado. Nossa preparação — a seleção dos participantes a partir de um determinado condicionamento físico, a escolha do equipamento adequado e saber usar esse equipamento — garantiu o sucesso da mini-expedição. Os acampamentos não foram perfeitos — o rio não era cristalino, o barulho da festa foi alto —, mas nós dormimos e acordamos descansados para mais um dia de pedal. Não tivemos problemas mecânicos, mas se tivéssemos tido estaríamos preparados. Ninguém teve problemas de saúde. E, talvez o mais importante de tudo, o grupo se manteve motivado, bem-humorado e otimista. Grande parte do sucesso da mini-expedição é mérito exclusivo desses três guerreiros comigo.

Meu objetivo com essa iniciativa foi plenamente alcançado. Tenho certeza que Ricardo, Daniel e Sergio aprenderam muito e vivenciaram algo único nessa mini-expedição. Como sempre, trabalho para que as pessoas ganhem independência, autossuficiência, confiança e desenvoltura na natureza; tudo na esperança que elas entrem em contato íntimo sua sua própria natureza interior.

Usei nessa viagem o sistema de dormir da SEA TO SUMMIT avaliado no post BIKEPACKING: ACAMPAMENTO ULTRALEVE, com destaque para o ISOLANTE TÉRMICO SEA TO SUMMIT ULTRALIGHT INSULATED e o QUILT SEA TO SUMMIT EB-II, um tipo de saco de dormir revolucionário de pluma de ganso que será avaliado individualmente num próximo post no BLOGPara informações sobre as datas dos nossos cursos, treinamentos, viagens e expedições, acesse nossa AGENDA.