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BIKEPACKING: A MARCHA DA VOVOZINHA

gui 15/02/2017 0

Muita gente me pergunta “qual é a bike ideal” ou “qual a bicicleta que recomendo” e minha resposta nunca varia: “depende”.

Capa_Manual_MTB.cdrNo livro MANUAL DE MOUNTAIN BIKE & CICLOTURISMO, dedico um capítulo inteiro para avaliar as tecnologias disponíveis, desde material de fabricação de quadros, passando por peso ideal, tamanho de aro até componentes. Aqui nesse texto não vou entrar nesses detalhes, vou falar sobre marchas.

Como a tecnologia aplicada a bicicletas, em especial às mountain bikes, aumenta e muda muito rápido, temos hoje diversos tamanhos de aros e larguras de pneus disponíveis que interferem muito no desempenho da bicicleta. Mas, de verdade, a coisa mais importante é a “relação” da bike (as diversas marchas disponíveis), que podem transformar radicalmente a experiência de pedalar, em especial no bikepacking.

Existe uma fórmula para calcular essa “relação”, que vai indicar quantas voltas as rodas darão com um giro do pedivela. Ou seja, quanta energia será preciso para mover a bicicleta.

DIÂMETRO DA RODA X (DENTES DA COROA MENOR / DENTES DA MENOR MARCHA DO CASSETE)

 

Table Gringa

Em detalhes… Utilize a tabela no fim do texto para encontrar a medida da circunferência de sua roda (aro e pneu, em polegadas ou metros). Multiplique esse valor pelo resultado da divisão entre o número de dentes do menor volante (marcha da frente) pelo número de dentes da menor marcha do cassete (marchas de trás). O valor final da fórmula DR x (DV/DC) será a MARCHA DA VOVOZINHA (tradução literal para o termo em inglês “Granny Gear”).

A MARCHA DA VOVOZINHA é a relação mais leve disponível em sua bicicleta, a marcha que vai possibilitar escalar montanhas com bagagem, empurrar a bike o mínimo possível e, ao longo do tempo, preservar nossos joelhos.

CAPA em baixa TRANSPATAGÔNIAPor experiência própria, em cicloviagens autossuficientes como a TRANSPATAGÔNIA, onde fui obrigado a transportar algumas vezes alimento para duas semanas, água para dois dias e todo material de acampamento selvagem em clima relativamente frio, uma relação com a menor marcha 22×42 teria sido ideal. Eu tinha 22×36. Em cicloviagens esportivas por roteiros criados por mim como a CICLOMANTIQUEIRA, BLUGRAMA ou a clássica CARRETERA AUSTRAL, onde dormi em pousadas e comi em restaurantes durante todo o percurso, uma relação com a menor marcha 22×36, 24×36 ou até 30×42 funcionaria bem. Mas, obviamente, ciclistas mais jovens e mais fortes conseguem conforto com outras relações.

No ambiente do bikepacking, os modelos modernos de relação de 1×10 ou 1×11 marchas (uma marcha apenas na frente e dez ou onze atrás) em geral causam problemas de falta de marchas. Se conseguimos uma MARCHA DA VOVOZINHA eficiente para terrenos montanhosos com bagagem, deixamos de ter marchas mais pesadas e rápidas para terrenos planos ou até trechos de asfalto. Pensando nisso, criei quatro tipos de ciclistas aventureiros, adeptos do bikepacking, e proponho abaixo relações para eles. Valores finais em polegadas…

Tabela Ciclistas

Pessoalmente — levando em conta que tenho agora (2017) 54 anos, já fui atleta e hoje me considero esportista (conforme tabela que criei acima), não pedalo em asfalto se puder evitar, gosto de subidas e de trilhas mais técnicas —, a bicicleta ideal para mim, pensando que posso decidir pedalar equipado para acampar na Mantiqueira, na Patagônia, no Alasca ou nas Highlands da Escócia, como fiz recentemente na EXPEDIÇÃO HIGHLANDS TANDEM KALAPALO, carregando alimentação para uma semana ou mais comigo, seria… Uma mountain bike de alumínio ou titânio, rígida (sem suspensão traseira), aro 27.5” e pneus 2.8”, com transmissão 2×10 ou 2×11 (duas marchas na frente e dez ou onze atrás) e VOVOZINHA de equação 14,4” numa transmissão com a marcha mais leve 22×42 e, ao mesmo tempo, marcha mais pesada 34×10 ou 34×11 ou outras combinações próximas. Com isso eu teria a versatilidade necessária para pedalar em qualquer terreno, em qualquer clima, totalmente autossuficiente, no estio bikepacking.


Tabela RodasPrestigie nossos parceiros…

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Esse artigo usou como inspiração (não foi copiado ou traduzido) o post “Granny Gear Inches”, publicado no site BIKEPACKING.COM (http://www.bikepacking.com/plan/granny-gear-inches/).

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