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ENTRA, A CASA É SUA

gui 24/10/2013 0

Sair de São Paulo para viver em uma fazenda na Serra da Mantiqueira, sem telefone, sinal de celular ou internet, não é apenas uma mudança de CEP… É uma mudança de estilo de vida. Com esse estilo vem uma filosofia, caso contrário seria simplesmente modismo, superficialidade…

Nossa filosofia de vida – minha e da Adriana, minha companheira de vida e projetos – inclui princípios aprendidos, testados e aprovados também em expedições exploratórias de trekking pela Patagônia. Já fizemos várias. Conceitos como autossuficiência, independência, criatividade, reciclagem e simplicidade são alicerces na construção dessa nova vida…

Nossa casa hoje é um refúgio de montanha e um campo escola de aventura aberto a todos. Decorar esse espaço é também manifestar nossos ideais e filosofia de vida… Assim, que as fotos abaixo ajudem nossos futuros visitantes a conhecer melhor nosso espaço externo (nossa casinha na montanha) e nosso espaço interno (nossos valores e ideais)…

Bem-vindos, podem entrar… A casa é sua!

Essa é visão ao entrar em casa... Os sofás de metal foram construídos pelo irmão da Adriana, meu cunhado e amigo Rodrigo Braga... O tapete em frente deles é de sisal e feito por artesão de Minas Gerais...

Essa é visão ao entrar em casa… Os sofás de metal foram construídos pelo irmão da Adriana, meu cunhado e amigo Rodrigo Braga… O tapete em frente deles é de sisal e feito por artesão de Minas Gerais, a mesinha entre elas é na verdade uma caixa de madeira que encontrei em uma caçamba de entulho…

 

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O tapete de couro de vaca vem de Gramado (RS) e antes que alguém grite, é ecológico já que grande parte do couro de vacas abatidas  para bife vira lixo depois… A bancada eu fiz recentemente de vigas de peroba de demolição, retiradas do telhado velho da minha casa em São Paulo. O pé é uma mesa de serra horizontal encontrada na fazenda onde moro agora, abandonada e pronta para virar lenha… A hélice é presente de um amigo aviador, Bill Presada, feita no IPT na USP provavelmente na década de 70…

 

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Detalhe do pé da bancada, que limpei e lixei, não pintei ou envernizei, apenas salvei do fogo…

 

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Ao lado da bancada, uma serra aposentada da serraria e, controlando tudo, a carranca que eu trouxe de Juazeiro (BA), numa viagem que fiz no fim da década de 80, de carona em caminhões de São Paulo a Belém (PA) ida e volta. Os caminhoneiros brincavam comigo e diziam: “ou eu levo você ou a carranca”…

 

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Desse outro ângulo, além dos sofás de metal, lareira e carranca, dá também para ver a cristaleira estilo “farmácia antiga”, que a Adriana herdou da avó dela, uma velhinha mateira e serelepe que tive o imenso prazer de conhecer e conviver por alguns anos. Aos 80 anos, ela subia no telhado para arrumar as telhas, hehehe…

 

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A sala de estar tem um sofá também feito por meu cunhado, Rodrigo Braga, com almofadas artesanais de MG, e outro sofá, comprado já bem usado de outro grande amigo, Fernando Olinto… O tapete é de sisal e chenile, feito artesanalmente em teares manuais na cidade de Campanha (MG)… As mesinhas laterais são carretéis de cabo elétrico que peguei em caçambas de construções de São Paulo, apenas lixei, envernizei e instalei rodízios nas bases…

 

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Detalhe das lindas almofadas de crochê feitas pelas prendadas senhoras de Campanha (MG)…

 

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Sobre uma das mesinhas laterais… Um abajur feito pelo pai da Adriana a partir de um conta-giros industrial fabricado na Alemanha, por encomenda de uma indústria de Manchester, na Inglaterra, há muito tempo atrás… O barquinho de casca de lenga veio conosco da Terra do Fogo, é uma réplica exata das canoas dos índios Yamanas, feito pela filha da última índia 100% Yamana que viveu…

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Sobre a outra mesinha lateral de carretel de cabo elétrico o destaque é uma ossada de baleia, provavelmente jubarte, encontrada por mim e Adriana na Baia Windhond em janeiro de 2013, no extremo sul da Ilha Navarino, na Terra do Fogo, Chile, em frente ao Cabo Horn…

 

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Em frente aos sofás fica a TV, um resquício dos nossos tempos urbanos, que nem funciona ainda porque não temos parabólica, mas que serve para assistir a algum DVD sábado á noite… A pá de remo foi garimpada em um antiquário especializado em artigos náuticos (Ponto Náutico, no Itaim, em São Paulo), totalmente de madeira, provavelmente da década de 50 ou anterior… A estante de CD comprova que somos velhos, hehehe, hoje em dia caberia tudo em um único pendrive…

 

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Abaixo da TV estão esses dois copinhos de pinga, com microesculturas feitas pelo meu amigo e guia em Passa Quatro, um dos maiores especialistas em Serra Fina, Guto, que também é um grande artista…

 

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Sobre a estante de CD está um buda de madeira da tradição Theravada, provavelmente trazido da Tailândia e presente de casamento para mim e para a Adriana… E uma belíssima árvore feita de fios de arame, feita por uma artesão de Santiago do Chile, exemplificando uma árvore deformada pelo vento patagônico…

 

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Nossa sala de jantar tem por base a mesa de mármore que pertenceu ao meu avô, adquirida por ele da família Matarazzo. Desde que me entendo por gente essa mesa tem me alimentado e lembro da minha avó fazendo massa de capeletti nela…

 

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Esse lustre eu fiz a partir de um escorredor de macarrão grande, que encontrei empoeirado em uma loja do Brás. Nem preço tinha porque parecia inútil. O acabamento para o fio, no teto, eu fiz a partir do fundo de uma latinha de cerveja, que eu tomava enquanto fixava o lustre…

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Esses dois sifões, tradicionais garrafas com água gaseificada presente em toda boa mesa argentina do passado (eu sei bem disso porque meu avô era argentino), foram garimpados e duramente barganhados na Argentina…

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Entre os livros da Biblioteca Aventura, um maçarico de carbureto, sueco, provavelmente do começo do século XX. Atrás dele, o único disco em vinil que não consegui me desfazer, o sensacional “Nó Caipira” do Egberto Gismonti, nunca lançado (até onde eu sei) em CD…

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Mais livros e um casal de índios Mapuche, dos pampas argentinos, entalhados em madeira e adquiridos em Puerto Montt, no Chile, numa ótima feirinha de artesanato. As duas rochas, grandes e pesadas, eu arrastei no fundo da mochila, uma do acampamento D’Agostini, aos pés do Cerro Torre, em El Chaltén, e a outra do Valle del Silencio, lugar restrito de Torres del Paine…

 

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Toda a lateral da sala de estar e da sala de jantar é contornada pela minha Biblioteca Aventura. São centenas de livros em vários idiomas, a maioria já lida por mim e muitos resenhados no meu site…

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Quem já esteve na Patagônia sabe bem o que é isso. Um fungo que nasce nas árvores e que dá um fruto comestível chamado localmente de “Pan de Indio”, base de carboidrato dos índios da Patagônia e da Terra do Fogo…

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Nossa pequena lareira de pedra só queimou minhas agendas velhas até agora. O cesto de lenha foi encontrado em um galpão no centro de Gonçalves, era usado para catar pinhão…

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Nossos dois quartos de hóspedes têm beliches construídos por mim (madeira) e pelo meu cunhado Rodrigo Braga (ferro), sólidos e pesados. Os colchões são obra minha e da Adriana, compramos as espumas, que eu cortei, e ela mandou fazer as capas. Os lustres são de fibra de bananeira, produto artesanal tradicional de São Bento do Sapucaí. A serra pendurada na parede foi encontrada na serraria abandonada da fazenda onde vivemos, eu envernizei e agora elas só decoram paredes, não cortam mais árvore alguma…

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A cozinha é reduto intocável da Adriana, que cozinha como a Tia Anastásia (embora quem levava a fama era a Dona Benta). Nesse espaço eu dou sempre a última palavra, que é invariavelmente “sim, meu amor”…

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Os lustres no teto da cozinha eu fiz a partir de pequenos escorredores de macarrão, comprados no Brás, em São Paulo…

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O porta-panelas eu fiz de uma grade de construção de lajes, que falta envernizar ainda…

 

Para saber mais detalhes sobre o REFÚGIO KALAPALO, acesse o link: http://www.kalapalo.com.br/index.php/clube/conheca-o-refugio-kalapalo/