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FOTOS DO TREKKING “CAPE WRATH TRAIL”, HIGHLANDS, ESCÓCIA

De 19 de outubro a 10 de novembro de 2015 realizei um sonho antigo e visitei as Highlands escocesas. Fiz a Cape Wrath Trail, um roteiro de trekking de mais de 400 km de extensão que começa em Fort William e vai até Cape Wrath, o extremo noroeste das Highlands e da Escócia. Essa trilha não faz parte do circuito oficial de trilhas da Grã-Bretanha, não é sinalizada, não oferece estrutura básica como locais de acampamento ou sequer pontes para atravessar diversos rios. A Cape Wrath Trail é chamada de “a trilha de trekking mais difícil do Reino Unido”. Fiz o percurso sozinho, em 21 dias de caminhada, fora de temporada, acampando e dormindo em cabanas de montanha (bothies, em inglês da Escócia) e completei 450 km totais. Dessa experiência pretendo produzir um livro e um filme, com fiz com a Expedição Transpatagônia, narrando a aventura e a história da região.

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Nessa expedição usei roupas SOLO, a marca brasileira de nível internacional que produz roupas técnicas para atividades outdoor.

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Nessa expedição usei aparelhos de comunicação via satélite SPOT, líder mundial em localizadores pessoais e telefonia satelital.

Aqui estão algumas imagens da Cape Wrath Trail para aguçar o interesse e a curiosidade…

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Guilherme Cavallai no primeiro dia do Cape Wrath Trail, de Fort William a Glenfinnan.

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Primeira manhã, deixei Fort William de barco para começar a caminhar. A montanha ao fundo é o Ben Nevis (1.344 m), a montanha mais alta da Grã-Bretanha. Depois de completar a Cape Wrath Trail eu subi ao cume do Ben Nevis.

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Em gaellic (galês da Escócia) os vales são chamados de “glen”. Esse foi o primeiro glen que caminhei, logo no primeiro dia, entre Fort William e Glenfinnan. As montanhas escocesas são algumas das mais antigas do planeta.

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Primeiro acampamento, no primeiro glen da caminhada. Não resisti à tentação de armar a barraca ao lado desse rio cristalino com trutas nadando livremente. Infelizmente não levei minha vara de fly fishing.

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Um dia limpo de sol assim é raro nas Highlands, onde chove em média 300 dias por ano. Embora a aparência seja de terra seca, fora da estrada tudo é charco. Esse trecho pertence ao segundo dia de caminhada, ainda em direção a Glenfinnan.

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Uma característica do roteiro é que as estradinhas de terra vão ficando cada vez pior até virarem trilhas e finalmente desaparecerem completamente… O formato arredondado das montanhas denunciam sua idade.

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Única foto que fiz em toda a Cape Wrath Trail usando tripé e onde apareço de corpo inteiro. Perdi o tripé ainda no começo da travessia e a mochila pesava cerca de 25 kg. Era difícil conseguir energia para produzir fotos mais elaboradas…

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O monumento (coluna em estilo medieval) de Glenfinnan é um ícone das Highlands e comemora a Revolta de 1745, quando os clans se rebelaram e quase derrubaram o trono inglês em Londres. Depois disso houve uma batalha sangrenta, Culloden, que marcou o fim do poder dos clans das Highlands e o fim de um ciclo histórico milenar. Eu acampei a 50 m do pé do monumento.

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Começo o terceiro dia de trekking, de Glenfinnan em direção a A’Chuil…

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Corryhully bothy. Um “bothy” é uma cabana de montanha, geralmente localizada em um lugar ermo e isolado. A cabana permanece aberta e seu uso é público e gratuito. Bothies são uma tradição escocesa de séculos de idade…

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Dentro dos bothies em geral não existem móveis, no máximo uma mesa e algumas cadeiras. Mas sempre tem um tablado de madeira para esticar os sacos de dormir…

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Esse foi um dos únicos bothiey que visitei com eletricidade e o único com poltrona. Bothies também não costumam ter banheiros ou sequer água encanada, eles estão sempre perto de algum riacho…

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A’Chuil bothy, onde dormi a terceira noite da Cape Wrath Trail. Apesar de não possuir eletricidade, banheiro ou água encanada, acendi velas que encontrei no local e me protegi de uma tempestade que caiu a noite toda…

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Nesse glen escarpado, a caminho do bothy Sourlies no quarto dia da travessia, tive uma série de contratempos… Perdi meu mapa da trilha, minha bússola e o tripé da máquina fotográfica. Uma ventania furiosa arrancou a capa de chuva da minha mochila, que virou um pequeno paraquedas…

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Nesses trechos mais selvagens da travessia não existem trilhas. O terreno é completamente encharcado porque o solo não consegue drenar toda a chuva que recebe. Caminhar é um eterno exercício de esquecer que os pés estão completamente molhados…

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O veado vermelho escocês (Cervus elaphus scoticus), “scottish red deer” em inglês, é um pouco menor que o veado vermelho europeu. Durante minha travessia da Cape Wrath Trail vi dúzias desses belos animais…

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Quarto dia de travessia, entre os bothies Sourlies e Barisdale… A trilha era quase tão molhada quando o leito dos rios…

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A sensação de isolamento é quase constante na Cape Wrath Trail. Basta se afastar alguns poucos quilômetros de uma estrada ou vilarejo e a paisagem ganha aparência selvagem e desaparecem os sinais de ocupação humana…

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Apesar de eu ter reclamado muito, comigo mesmo, do clima e do solo na primeira semana da travessia, a partir da segunda e em especial na terceira semana de trekking entendi que tive muita sorte! Dias de sol são muito raros nas Highlands…

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No sexto dia de trekking decidi não acampar no camping indicado no guia impresso que eu usava como referência. Preferi seguir caminhando mais alguns quilômetros e esticar um pouco o dia… Acabei dormindo nesse abrigo de caçadores. Foi ótimo, embora gelado. Choveu forte a noite toda e o barraco chacoalhou feito louco…

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Dentro do barraco, desse abrigo de caçadores, consegui pendurar minha roupa para secar e armei a barraca – deu certinho o tamanho – para me proteger um pouco do vento que passava livre pelas frestas das tábuas… Boa noite!

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As montanhas mais altas da Escócia são chamadas de “Munro”, em homenagem ao homem que fez a primeira listagem delas. Para ser um Munro o pico deve estar a pelo menos 1.000 pés de altitude (914,4 m). Subir Munros é um dos esportes nacionais escoceses… Nesse dia de trekking não havia trilhas e tive que caminhar com os pés atolados em água na encosta íngreme das montanhas…

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Não, isso não é um bothy… Se fosse acho que eu estaria morando nele até hoje… Isso é uma fazenda de ovelhas perto da cidadezinha de Morvich, onde fiz o primeiro reabastecimento de víveres da travessia.

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Não podiam faltar “selfies” nesse álbum de fotos, né? Novamente, apesar da aparência seca, a vegetação cresce em terreno alagado, onde cada passo faz os pés afundarem no solo molhado…

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A navegação da Cape Wrath Trail, mesmo nos trechos sem trilhas como esse, não é complicada… Em geral seguimos rios, entramos em vales até seu fim, subimos e descemos passagens de montanha para deixar um vale e seguir outro…

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“The Falls of Glomach”, ou a Cachoeira de Glomach, de 113 m de altura é a maior queda d’água de toda a Grã-Bretanha. A Cape Wrath Trail passa ao seu lado…

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Pontes eram sempre bem-vindas porque eram raras. Essa ponte estava no oitavo dia de travessia e, sem ela, eu teria tido bastante trabalho para cruzar o rio…

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A maioria dos rios tinha o leito pedregoso e pouca profundidade, bastava saltar de pedra em pedra para atravessá-los. Mas as exceções eram complicadas, com alguma correnteza e água na altura das coxas…

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A região atrás da montanha Beinn Eighe, um importante Munro, foi uma das mais difíceis da Cape Wrath Trail para mim… O tempo virou e fez muito frio, cansei de caminhar sem trilhas por terreno alagado em encostas íngremes de montanhas e inventei um caminho alternativo pela baixada ainda mais encharcada… Errei e subi a encosta errada e caminhei, com muita dificuldade, mais de duas horas na direção errada… Um dia cansativo e enervante.

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Depois de acampar num buraco molhado com pedras no fundo para me proteger do vento gelado da montanha, enxergar pastos, casas, estradas e a promessa de algum conforto foi uma benção… No décimo-segundo dia de caminhada cheguei à vila de Kinlochewe.

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As passagens de montanha, “bealach” em gaellic – pontos que permitem abandonar um vale, subir uma montanha e acessar outro vale – eram sempre desafios cheios de recompensa…

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Bealach na Croise num dia espetacular, tão lindo que precisei ligar para minha esposa, Adriana Braga, no SPOT GLOBAL PHONE para dividir com ela minha emoção…

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Depois de um dia de descanso – o único nas três semanas da travessia – na linda cidade de Ullapool, caminhei 34 km em um dia até Oykel Brigde por estradinhas de terra em boas condições…

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Knockdamph bothy, ainda no décimo-sexto dia de trekking, entre Ullapool e Oykel Brigde. Não dormi nesse lindo bothy, mas fiz uma parada para almoçar… Tentei ficar sentado na cadeira do lado de fora, mas o vento frio não permitiu.

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Décimo-sétimo dia de trekking, entre Oykel Bridge e Inchnadamph. A casa na foto é o Benmore Lodge, um hotel particular para caçadores. Fiquei tentado a acampar perto dele porque o tempo estava horrível no vale que eu deveria entrar, seguindo a base das montanhas ao fundo para a esquerda…

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Moe, Larry e Curly Joe… Os “Três Patetas”, meus amigos do Benmore Lodge… Os nomes foram invenção minha…

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No fundo do vale que prometia tempo ruim, as nuvens abriram um pouco para revelar uma linda montanha, um Munro escondido…

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Ainda no décimo-sétimo dia de trekking, a caminho de Inchnadamph, o sol apareceu no fim do dia para incendiar nuvens… Mas eu estava no fundo de um vale nas sombras…

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De Inchnadamph segui em direção a dois bothies com a intenção de dormir no segundo… Não consegui e acabei dormindo no primeiro. Fiz 34 km num dia, 33 no outro e mais 17 no terceiro, antes de pregar… As Highlands escocesas já apareceram em diversos filmes de ficção científica como sendo a superfície de planetas distantes…

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Hora do almoço, no cardápio pão velho, queijo embolorado, chocolate e amendoim. Um banquete. No fundo do vale, na beira do lago, está o bothy Glencoul onde passei a décima-oitava noite da travessia…

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Seguindo a Cape Wrath Trail eu desci a montanha que aparece acima das nuvens, caminhei pela extensão do vale no fundo da foto e dormi na casa no centro da imagem, o bothy Glencoul…

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Potencial bothy a caminho de Kinlochbervie, no vigésimo dia de trekking…

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Sandwood Bay com o famoso pilar de pedra conhecido como Am Buachaille… Dormi num bothy a 4 km dessa praia e, de lá, cheguei a Cape Wrath.

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O vento nesse último dia até Cape Wrath parecia não querer que eu chegasse ao meu destino final. Como Cape Wrath é um promontório rochoso atirado para dentro do Atlântico Norte, sem terra alguma no caminho até o Canadá, o vento quando bate é furacão…

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Depois de dormir no chão de um café vizinho ao farol, onde o escocês John Ure vive sozinho e recebe os visitantes com chá quente e whisky, acordei cedo para caminhar os 30 km de volta até Kinlochbervie e a única forma de transporte de volta para a civilização. Fim da Cape Wrath Trail.