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2007, fevereiro – revista VIAGEM E TURISMO 136

Sessão: SP vai encarar? Pág: 178

Trilhas cabeludas – Um passeio de bike “com emoção” pelos morros de Mogi das Cruzes

Texto e foto: Guilherme Cavallari

Toda vez que eu passava pela Rodovia Ayrton Senna e via as antenas no topo dos morros na saída para Mogi das Cruzes pensava: “Naquelas montanhas têm trilhas”. É assim: olho para uma montanha e imagino trilhas.

Meu negócio é mountain bike. Nenhum outro veículo leva a lugares de tão difícil acesso. A pé, as distâncias são imensas. Carros não passam pelas trilhas estreitas, íngremes, em mata fechada. Motocicletas são muito pesadas para serem jogadas no ombro. De bike eu já cruzei com lobo guará, tamanduá-bandeira, macaco bugio, cascavel, veado-campeiro e sei lá quantos outros bichos.

Mas Mogi me intrigava. Por isso fiz contato com bikers locais, que acabaram por me mostrar uma trilha, com muito verde, perto da cidade. Segundo eles, tratava-se de uma trilha “dura, com muitas subidas e mata fechada, com direito a uma descida chamada ali de A Pior do Mundo”. Waal.

Saímos do Mogi Shopping, bom para deixar o carro. De lá são só 2,7 quilômetros até a Estrada Velha do Lambari, onde começa um caminho de terra em subida que logo cruza o Tietê. Aí, conte 2,2 quilômetros para a pista estreitar e dar lugar à trilha – ou o que chamamos de singletrack. Menos de 1 quilômetro depois, passa-se perto do topo de um mirante conhecido como Pedra do Lagarto.

Não descemos a tal “Pior do Mundo”, que é boa para quem pratica downhill, modalidade de mountain bike equivalente a descer montanhas em esqui. Seguimos para o lado norte, rumo ao bairro Beija-Flor. Transposta a cadeia de montanhas onde estão as antenas, a vegetação dá lugar a roças, porteiras de madeira, uma capela de pau-a-pique, vacas, cavalos – o típico cenário rural brasileiro.

Depois de 16 quilômetros no pedal, entramos em uma subida que fez meus companheiros sorrirem. Percebi que vinha encrenca. Começava a “Subida Cabeluda”, cuja inclinação parecia nunca ter fim. No topo, tivemos uma óbvia sensação de vitória e orgulho. Nosso passeio acabou depois de 7 quilômetros de asfalto plano, pela pacata Mogi-Guararema, com um pit stop em uma padoca para o pão de queijo e a tubaina, o doping dos bikers.

Se você não tem bicicleta, uma caminhada interessante é a que leva do começo da estradinha de terra do Lambari ao Mirante do Morro do Lagarto, um trajeto de 6 quilômetros (ida e volta). Vale a pena.

ANOTE AÍ: Para ir a Mogi, use a Ayrton Senna. Deixe-a no km 44. Após 11 km, já na área urbana, peque a “Perimetral” e, na segunda rotatória, entre à direita, seguindo a indicação do Mogi Shopping. Há pedágio na ida (R$ 7,80).

Guilherme Cavallari é autor da coleção Guia de Trilhas enCICLOpédia. As indicações para a trilha desta reportagem estão no volume 1, à venda em livrarias ou pelo site vianatura.com.br