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MULHERES SELVAGENS

gui 04/06/2013 0

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(Só para as mulheres)

Amigas queridas…

Minha companheira de vida e trekking, Adriana Braga, me diz que “os homens não entendem o medo que as mulheres sentem quando estão sozinhas”. Medo de estupro, violência, assédio, que termina por se generalizar a um medo profundo insondável. Medo passado de mãe para filha desde muito cedo e confirmado ao longo da vida. É como um manto pesado de neblina envolvendo a mulher o tempo todo, a vida toda, mesmo em dias de sol. Segundo a Adriana, quando a mulher está acompanhada de outras mulheres esse medo é dividido entre todas e o grupo ganha força, barreiras são quebradas, limites são estendidos, cada mulher ganha coragem e o sol brilha forte e desimpedido em cada uma.

Carretera Austral (1241)

A Adriana faz trekking comigo há dezessete anos, o tempo do nosso casamento. Nossa lua de mel foi na Chapada Diamantina e, de lá para cá, já caminhamos e acampamos na Ponta da Juatinga, Serra do Cipó, Serra da Canastra, Pico do Marins, Monte Verde, Pedra da Mina, Pedra das Flores, Torres del Paine, El Chaltén, Dentes de Navarino e Baia Windhond também na Ilha Navarino. Ela tem uma trajetória de vida muito rica e sempre, de alguma forma, direcionada a ouvir e entender os outros. É psicóloga formada pela PUC-SP, trabalhou com crianças em situação de risco, professora de yoga à frente do estúdio Espiral Yoga há treze anos, coordenadora de estudos budistas e meditação Theravada junto ao Grupo Nalanda, escolada em ralação em trilha comigo há bastante tempo e muitos quilômetros… E quem me conhece sabe, eu não alivio a mão! Comigo a Adriana já teve que caminhar 30 quilômetros por dia debaixo de chuva em temperaturas bem baixas sem poder parar para fazer xixi!

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Agora, ela quer fazer trekking acompanhada de outras mulheres porque acredita na atividade como forma de libertação da mulher desse medo ancestral. Segundo ela, a mulher é um ser social, nascida para nutrir e acolher, enquanto o homem é explorador e mais individualista. Na união dos dois esta o equilíbrio. Quando a mulher tenta fazer o papel do homem, por desnorteio da sociedade, ela se vê em um ambiente não natural, desconfortável, insalubre – a mulher como ser isolado e individual, correndo atrás de sua sobrevivência e sucesso no mundo masculino da competição e da ganância.

Torres del Paine GTrek (24)

Eu concordo. Acho também que o homem recebe da mulher o contraponto exato para encontrar seu próprio equilíbrio. Da mulher, aprendemos que a construção do lar é mais importante que o sucesso na vida produtiva. Nada substitui o aconchego de casa. Meu cantinho no mundo é onde está minha mulher.

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A ideia é montar um grupo de atividades de contato com a natureza – Mulheres Selvagens – para realizar trekking, mountain bike, escalada em rocha, montanhismo, canoagem, yoga, meditação, cozinhar, acampar e, claro, conversar muito! Uma sociedade feminina no ambiente selvagem, tradicionalmente masculino, levando suavidade e sutileza à terra dos ogros… E, ao mesmo tempo, o resgate da essência natural feminina, junto à natureza.

Los Glaciales - 145

Confio plenamente na capacidade de liderança da Adriana, muito embora ela não goste da palavra “liderança” e prefira se enxergar apenas como uma “facilitadora” – palavra que eu não gosto porque é mais um jargão puído do mundo corporativo. Mas, que seja, ela quer propor desafios e caminhos, soluções e técnicas, disciplina e ritmo, mecanismos e filosofias que ajudem cada mulher a se libertar de seu medo e abraçar seu lado naturalmente selvagem, feminino selvagem – que é completamente diferente do masculino selvagem.

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Vou ajudar no que estiver ao meu alcance, mas o mapa e a bússola agora estão nas mãos da Adriana.

Grandes aventuras e descobertas maiores ainda a todas vocês!

P.S.: Mais informações sobre o evento inaugural do grupo, no link: MULHERES SELVAGENS / CAMINHO DA LUZ