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BUTCH CASSIDY AND THE SUNDANCE KID – O FILME

Se alguém me perguntar qual é meu filme favorito, acho que diria: Butch Cassidy and the Sundance Kid. Não sou um grande fã de faroestes, ou westerns, como eles são chamados em inglês, mas esse longa-metragem é muito mais do que um simples filme de caubói…

Eu poderia, sem dificuldade, enumerar uma lista de cenas que justificariam minha escolha, a partir do meu gosto por atividades ao ar livre e contato com a natureza, belas paisagens, interpretações primorosas e até minha predileção por bicicletas, que tudo mundo já conhece. Ficaria assim:

Butch Cassidy (interpretado por Paul Newman) desperta o casal Sundance Kid (Robert Redford) e Etta Place (Katherine Ross) pedalando uma bicicleta ancestral, de colete e chapéu coco. Eles estão em uma fazenda e a luz da manhã só valoriza e aumenta a beleza de todos: Newman, Ross, a fazenda e a bike . Os dois sobem na bicicleta e entra em cena a trilha sonora, com a música Rain Drops Keep Falling on my Head, de Hal David e Burt Bacharach. Aliás, a trilha sonora é assinada por Burt Bacharach, o que por si só já é motivo para ver e apreciar o filme. Não consigo imaginar uma pessoa que não desejasse viver um momento daqueles.

A cena que antecede essa, uma sequência de perseguição a cavalo que é quase um curta-metragem dentro do filme, mostra Butch e Sundance fugindo de policiais por cânions, vales, rochas, rios e trilhas, muitas trilhas, numa região que deve ser o Colorado, próximo das Montanhas Rochosas e talvez exatamente onde os dois assaltantes ganharam fama. Não consigo assistir a essa sequência sem me imaginar naqueles lugares com minha mountain bike. Paredões verticais de rochas decoram a paisagem, lembrando Yosemite, e eu me imagino escalando. O clímax da sequência, que não vou contar para não estragar a emoção de quem ainda não viu o filme, envolve muita adrenalina e um rio de águas brancas, ideal para rafting e canoagem. Eu, claro, me imaginei lá também.

Katherine Ross é um capítulo a parte. A cena em que ela tira a roupa, sem ficar nua e sem sequer exibir qualquer parte mais íntima do corpo que o umbigo, é mais sexy e perturbadora que qualquer cena contemporânea de sexo implícito ou explícito do cinema atual. Tudo nela transmite beleza e sensualidade, o que não é difícil, já que ela é linda, mas ela exala também emoções de doçura, força, determinação e alegria de viver. Tudo misturado, que resulta em uma combinação explosiva.

Mas não são as cenas do filme que o fazem tão especial para mim, é o espírito e a mensagem por trás dele.

Por serem assaltantes de trem e bancos no Velho Oeste, Butch e Sundance vivem ao ar livre, em contato com a natureza, apoiados um na amizade do outro. Dormem ao lado de fogueiras sob o céu, cavalgam por trilhas sem fim, tomam banho (às vezes sem nem tirar a roupa) em rios cristalinos, são fisicamente ativos e incansáveis, sabem aproveitar uma cerveja gelada e a companhia de uma mulher quando a chance apare. Eles têm humor.

Enfim, eles simplificam suas vidas valorizando o momento presente e a amizade que os une.

É claro que isso é tudo romantizado no filme, que na vida real a dureza se impunha e que eles eram, antes de tudo, bandidos fora-da-lei e assassinos se a ocasião exigisse. Moralmente, eu não me identifico com eles, embora exista uma corrente de historiadores e estudiosos que garantem que Butch Cassidy era um “bandido sindicalista”, uma espécie de agitador sócio-econômico, um Robin Hood de esporas. Segundo eles pesquisadores, Cassidy promovia o roubo de banco e trens como forma de compensação social ao impacto causado por bancos sobre o pequeno agricultor e criador de gados. Mas, como isso ainda está no campo da especulação, é melhor enxergar a dupla como bandidos e simplesmente.

No filme, o trio foge dos Estados Unidos e viaja para a Bolívia (na vida real eles chegaram até a Patagônia argentina e residiram na cidadezinha de Cholila, perto de El Bolsón) acrescentando mais imagens espetaculares ao longa-metragem. Mais uma vez é fácil viajar com eles na imaginação e viver aventuras, como eles fizeram. E mesmo no pior momento da dupla, quando a casa está prestes a cair, Butch planeja mais uma viagem e mais aventuras, dessa vez para a Austrália. Perfeito! Compromisso com a grande aventura de viver até o fim!

Butch Cassidy and the Sundance Kid é talvez meu filme favorito e um dos poucos que tenho em DVD para assistir de vez em quando, como fiz hoje, enquanto pedalava minha spinning em casa, imaginando que estava nas trilhas do Colorado, e como ainda devo fazer várias vezes no futuro…