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SEVEN PILLARS OF WISDOM / T. E. LAWRENCE

Em um artigo na edição de Maio de 2004 da revista Adventure, publicada pela National Geographic, fiquei encantado por encontrar uma lista dos “100 maiores livros de aventura de todos os tempos” (The 100 Greatest Adventure Books of All Time). Alguns títulos eu já havia lido então, mas a matéria me ajuda até hoje e escolher minhas próximas leituras… Aos interessados, ávidos amantes de literatura como eu, consegui encontrar o link da matéria:
http://www.nationalgeographic.com/adventure/0404/adventure_books_1-19.html

Seven Pillars of Wisdom, de T. E. Lawrence está em 24° lugar.

Em primeiro lugar está The Worst Journey in the World, de Apsley Cherry-Garrard (também genial, prometo escrever uma resenha aqui em breve). Mas a própria introdução da matéria diz que o tema é controverso… Sir Winston Churchill, por exemplo, lendário primeiro ministro da Grã-Bretanha de 1940 a 1945 e depois de 1951 a 1955, declarou que Seven Pillars of Wisdom “esta entre os maiores livros escritos em língua inglesa. Enquanto narrativa de aventura… é insuperável”. Portanto, segundo Churchill pelo menos, o livro deveria estar no topo da lista da National Geographic

Para quem não sabe, T. E. Lawrence é o famoso “Lawrence da Arábia”, que virou filme em 1962 (ano em que nasci), lançando Peter O’Toole ao estrelato e abocanhando na época 7 Oscars. Estou com o DVD em mãos, vou assistir e escrever uma resenha também…

O livro é a auto-biografia de Lawrence de janeiro de 1917 a outubro de 1918, em plena Primeira Guerra Mundial, quando ele trabalhava para o Serviço de Informação da Coroa Inglesa no Cairo, Egito, e foi destacado para a Península Arábica para entender e ajudar no que fosse possível a Revolta Árabe contra o Império Turco Otomano. Os turcos eram, junto com os alemães e os autríacos, os inimigos do resto do mundo nessa guerra.

Lawrence nasceu filho de nobre, formou-se em língua árabe em Oxford, era intelectual e presunçoso, como aliás todo bom nobre inglês deve ser. Do dia para a noite o esnobe britânico, burocrata e sedentário, se vê isolado em um mundo exótico, organizado em tribos, movido a camelos, decidido na ponta de cimitarras, e vivendo no calor escaldante do deserto diurno e no frio congelante do deserto noturno.

Seu vasto conhecimento da língua árabe serviu apenas para abrir algumas portas, mas quando ele se mudou para o deserto e passou a viver em tendas, foi obrigado a aprender uma dúzia de novos dialetos para se comunicar de verdade. Seu mundo ganhou em horizonte e variedade. Sua mente não ficou parada e ganhou espaço também.

Lawrence passou, em pouco tempo, de observador do Exércio Britânico a consultor estratégico-militar da família real de Mecca e, em seguida, virou líder de facto das forças rebeldes árabes. Sua ação armada é uma guerra de guerrilha. Seu inimigo uma potência bélica. Ele pessoalmente explodiu pontes às dezenas, aprendeu a galopar camelos e atirar ao mesmo tempo (com um episódio impagável em que ele atira na nuca de sua própria montaria!), serviu de juiz em crimes de toda espécie, foi preso sem ser identificado por turcos e chicoteado, dormiu entre serpentes, apartou lutas mortais de adagas, atravessou a Península Arábica de Oeste a Leste e de Sul a Norte, de camelo, cavalo, trem, avião, navio e caminhando. Lawrencer vestia-se como um árabe e só andava descalço.

Mas o grande mérito do livro não é apenas a narrativa das aventuras de Lawrence. Ele é um grande escritor. Suas qualidades de literato, psicólogo, antropólogo, sociólogo e curioso profissional, não deixam pedra sobre pedra. Ele tem opinião sobre tudo e é autêntico tanto no modo de pensar quanto de escrever – uma característica raríssima, seja no começo do século XX ou hoje.

Lawrence descreve uma paisagem de forma objetiva e poética ao mesmo tempo e, imediatamente depois, passa a descrever seu estado mental, suas emoções, e filosofa a respeito de suas crenças e visão do mundo. Ele galopa seu camelo com o mesmo vigor tanto no mundo externo quanto interno e nós, leitores, vamos na garupa.

Coincidentemente, eu estive em alguns poucos lugares descritos por ele, como o Cairo, a região de Golfo de Akaba, na Jordânia, e a costa ocidental do Mar Vermelho, na Península do Sinai. Lembro das formas das montanhas, de sua coloração e do calor infernal do deserto. Mas também nem precisava lembrar, porque vivi tudo através do livro.

Seven Pillars of Wisdom não é apenas um sensacional livro de aventura e um clássico, é também um monólogo sincero e profundo, um mergulho na alma de um homem intenso, que viveu plenamente uma época conturbada e vibrante que ajudou a moldar o mundo com o vemos hoje. Isso é literatura de verdade.

Quem quiser ler em português, a Editora Record publicou Sete Pilares da Sabedoria em 782 páginas.

Seven Pillars of Wisdom
T. E. Lawrence
1926
minha edição é:
Vintage Classics
Random House
2008
700 páginas
ISBN 9780099511786
http://www.rbooks.co.uk/