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THE HIGH ROAD TO CHINA / KATE TELTSCHER

Desde 1600, quando a Rainha Elizabeth I nomeou um nobre inglês como “governador” da “Venerável” Companhia das Índias Orientais, o comércio era o motor que impulsionava a expansão do poder inglês na região. Não demorou muito e esse poder de comércio tornou-se poder militar e político e o subcontinente indiano passou de mercado a colônia britânica.

A partir da Índia, exploradores britânicos eram enviados aos quatro cantos do oriente para abrir fronteiras e aumentar o raio de ação comercial da coroa inglesa. Um dos principais e mais difíceis mercados de serem acessados era (e continua sendo) a China. Produtos como o chá e a seda já haviam se transformado em artigos essenciais em toda a Europa. Na Inglaterra o chá já caminhava para tornar-se também um elemento de definição da própria cultura inglesa.

Em 1774, George Bogle, um funcionário burocrático da Companhia sem experiência prévia em exploração, diplomacia ou treinamento militar, foi enviado em uma missão especial ao Tibet – país de acesso vetado a estrangeiros. Bogle foi bem sucedido em sua missão e não só conseguiu ser o primeiro ocidental a visitar Llasa, capital tibetana, como também estreitou laços pessoais com o Panchem Lama – líder espiritual tibetano. A idéia dos ingleses era usara o Tibet como porta de entrada para a China.

Bogle deixou relatos de suas incursões pelo Tibet, narrativas detalhadas, escritas em primeira mão, de rituais e tradições milenares que até hoje causam espanto e fascinação aos ocidentais. As dificuldades físicas do deslocamento, cruzando montanhas altíssimas e nevadas, regiões alagadas, tribos pouco amistosas, avistando animais estranhos, fazem do diário desse explorador de primeira viagem um texto parecido com os melhores de Julio Verne.

A segunda parte do livro conta a saga do próprio Panchem Lama, ao atravessar o Tibet e a China para atender ao chamado do imperador da China, seu monarca mas também seu pupilo espiritual. Por influência de Bogle, o Panchem Lama levava credenciais da Companhia em uma última tentativa de ingressar no país proibido.

The High Road to China (A Rota Alta para a China) é uma alusão direta ao Tibet como rota de entrada para a China. Não é exatamente um livro de aventura, no sentido de narrar uma expedição, está mais para um livro de história recheado de aventura. Muito bem escrito e pesquisado, repleto de referências e com diversas ilustrações, o livro nos leva a lugares exóticos que o tempo ainda não conseguiu mudar muito.

Aos amantes de aventura, o Tibet é um destino de peso e importância, diretamente relacionado com as mais altas montanhas do planeta. Aos amantes de história, poucos lugares no mundo exerceram tanta fascinação e mistério. Eu não recomendo esse livro a pessoas particularmente inquietas, pré-dispostas a abandonar a vida que levam por insatisfações e frustrações acumuladas. Mesmo para mim, que gosto da vida que levo por aqui, foi difícil controlar o desejo de jogar tudo para o alto e embarcar no primeiro avião que me levasse na direção de Llasa.

The High Road to China
Kate Teltscher
Farrar, Straus and Giroux Books
2006
316 páginas
ISBN 9780374217006
http://www.fsgbooks.com/