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MTB BLUMENAU CORPUS CHRISTI 2010

Kalapalo 07/06/2010 2

271 quilômetros em quatro dias, dois pares de pastilhas de freio a disco pulverizadas, quase 5.300 metros acumulados subidos e a mesma quantidade descidos, incontáveis litros de cerveja consumidos e (como eu sempre gosto de dizer) “mais um troféu na estante”… Esse é o resumo rápido do pedal no feriado de Corpus Christi pelas montanhas de Santa Catarina. (Para ver o checklist dessa aventura, leia o post seguinte, abaixo desse).

Viajei a Blumenau a convite de um velho amigo, Hendrik Fendel, mountain biker, trekker, montanhista, fotógrafo e explorador da região. Algumas de suas aventuras podem ser conferidas no link http://picasaweb.google.com.br/hendrik.fendel (inclusive um álbum inteiro dessa aventura, chamado “pedal feriadão”). Nossa pedalada começou na quinta-feira, feriado de Corpus Christi, da cidade de Indaial. Nesse primeiro dia refiz parte do trajeto que mapeei e publiquei como Cicloviagem 7, no Volume 7 da coleção Guia de Trilhas enCICLOpédia, subindo até a fazenda do Zinco. (link para fotos dessa cicloviagem no blog: http://clubedaaventurakalapalo.blogspot.com/2010/05/fotos-cicloviagem-7-vale-europeu-mtb.html).

A novidade dessa vez foi o singletrack de seis quilômetros que sai do Zinco e conecta com uma longa descida deserta em estrada de terra até o município de Ibirama. O tal single era metade em subida e metade em descida, ambas bem empinadas e igualmente enlameadas além da imaginação. Show de patinação! As bikes escorregavam mesmo totalmente freadas e mesmo com o ciclista em pé ao lado delas! Anoiteceu momentos antes de sairmos dessa trilha, o que nos obrigou a despencar os 22 quilômetros de descida ininterrupta até Ibirama (sem exagero!) no escuro de uma noite nublada. Nossas humildes lanternas de testa mal deram conta do recado e dois dos seis ciclistas não tinham luz alguma. Chegamos ao hotel depois das dez da noite, depois de quatorze horas de atividade e 83 quilômetros pedalados, com uma pausa merecida para uma macarronada no Zinco.

O segundo dia amanheceu (e anoiteceu) chovendo sem trégua. A previsão de pedalar mais 90 quilômetros foi sabiamente encurtada para 45 (saber arregar é uma arte em aventura). Logo nos primeiros quilômetros as bikes não tinham freio, não trocavam marchas, mal giravam as rodas (com um pouco de exagero, claro). Era como pedalar por uma gigantesca poça de lama. Chegamos na cidadezinha de Dona Emma no meio da tarde e passamos uma hora lavando as bikes em um lava-rápido e depois mais de duas horas em uma padaria comendo e esquentando os esqueletos. Dormimos (feito múmias) em uma pousada vazia instalada em uma linda casa antiga de tábuas de madeira e jardins irretocáveis.

O terceiro dia trouxe sol e mais 81 quilômetros de pedal, num sobe e desce constante e desgastante, até a cidade de Presidente Getúlio. Novamente terminamos a pedalada à noite em mais um downhil kamikaze mal iluminado, onde me esparramei sobre um colchão de lama. Fez bastante frio e as ameaças de chuva não chegaram a se concretizar.

No quarto e último dia chegamos de volta a Indaial depois de “míseros” 62 quilômetros de pedal por estradas de terra empoeiradas (incrível como o solo seca rápido por ali!).

Meus companheiros de feriado e aventura foram Hendrik (meu anfitrião), Alan, Marcos, Fernando, Moka e (apenas no primeiro dia) Edson. As idades variavam entre 28 e 50 anos. O clima foi instável, mas o ambiente sempre acolhedor. Todos os aventureiros mantiveram o bom humor e o alto astral durante todo o trajeto (mesmo com as inevitáveis reclamações e hilárias ameaças de morte ao guia). As decisões eram sempre democráticas e o companheirismo constante. As exigências do pedal – física e técnica – foram bastante altas e o grupo conseguiu se manter sempre unido e coeso, mesmo com as diferenças individuais de cada um.

O que me leva a concluir que acima da beleza natural (óbvia na região), das conquistas individuais por limites ultrapassados, da capacidade de cada um em administrar cansaço, equipamento, medo, desconforto e eventual desânimo, o que mais me surpreendeu nessa aventura foi a simples existência de um grupo como esse. Os mountain bikers da região de Blumenau são assim: raçudos! Gente que pedala debaixo de sol e chuva descomunais, encaram pedaladas centenárias (cem quilômetros ou mais) sem piscar, despencam montanhas à noite sem farol, atravessam rios gelados em pleno inverno e SEMPRE TERMINAM O PEDAL COM MUITA CERVEJA! Acho que eles nunca ouviram falar de Gatorade! Cada pedal é uma Oktoberfest sobre rodas! E é exatamente isso o que faz a diferença…

Mesmo não sendo um grande bebedor de cerveja, em Blumenau e com meus amigos de lá, facilmente entro no clima. Afinal, mountain bike também pode ser uma grande festa!

  1. Alan 08/06/2010 at 12:55 - Responder

    Comentário: Guilherme, foi um prazer conhece-lo e pedalar com você! Que bom que gostou da nossa turma, e espero que venha mais vezes para cá, viajar com a ROUBADAS-TUR hehehe.
    Grande abraço.
    Alan.

  2. Fernando 09/06/2010 at 16:00 - Responder

    Comentário: Bela aventura, quem sabe na proxima vou tambem!!