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TRANSPATAGÔNIA (PREPARATIVOS 2) SISTEMAS DE DORMIR

Kalapalo 09/07/2012 0

Na EXPEDIÇÃO TRANSPATAGÔNIA (link para a apresentação), que começa em 1° de novembro próximo… Com previsão de seis meses de duração, 7.000 km de mountain bike por toda a Patagônia e a Terra do Fogo (Argentina e Chile), mais 500 km de trekking e 14 passagens (pasos, em espanhol) pela Cordilheira dos Andes… Pretendo dormir quase todo o tempo em barraca, em acampamentos selvagens.

Todo meu equipamento será transportado em um bike trailer (assunto para outra postagem) com capacidade máxima de 100 litros e 35 quilos, que obviamente não quero encher até o talo – quanto mais leve ele pesar, melhor para mim. Estou estudando e trabalhando para que seu peso máximo, incluindo os 6,1 kg do próprio trailer, não ultrapasse 30 quilos. Para isso estou aplicando os conceitos mais avançados de Ultralight Trekking, Trekking Lightweight, Cicloturismo Lightweight e Cicloexpedição, técnicas inclusive que ensino nos CURSODE MOUNTAIN BIKE E CICLOTURISMO e CURSODE TREKKING (links para os descritivos dos cursos no blog).

Defini meu sistema de proteção para dormir da seguinte forma… Durante os deslocamentos em bicicleta, que irão compor dois terços das 180 noites previstas para a expedição, vou usar uma barraca ultraleve (ver postagem PREPATATIVOS 1 aqui no blog), mas não vou usar um saco de dormir convencional ou um isolante térmico comum.

Escolhi por “saco de dormir” um QUILT de PLUMA DE GANSO 850+com ZONA DE CONFORTO em torno de -7°C… Que traduzo aqui…

QUILT é edredom em inglês, ou seja, um saco de dormir sem zíper ou capuz, com uma bolsa para os pés e uma abertura mais ou menos dos joelhos para cima fechada por duas fitas de tecido com presilhas. Ele chega a ser 30% mais leve que um saco de dormir convencional de mesmo material e tamanho, além de menos propenso a rasgos por “mordidas de zíper”, muito comuns em sacos de dormir de tecidos delicados e superleves. Um QUILT também é mais versátil que um saco de dormir convencional porque permite maior circulação de ar se a temperatura estiver alta demais, além de isolar tanto quanto um saco de dormir convencional se usado corretamente junto com um bom isolante térmico.

PLUMA DE GANSO é o melhor isolante térmico que existe para roupas técnicas. Sua altíssima capacidade de reter minúsculas “bolsas de ar” aquecidas por nosso corpo em sua estrutura física, associada à leveza e capacidade de contração quando comprido e expansão quando descomprimido, tornam o produto imbatível. Nada é mais térmico, leve, durável e agradável ao toque. Inclusive, essa maciez é o principal responsável para o excelente isolamento térmico. PLUMA DE GANSO é qualificada por essa “maciez” em categorias numéricas que vão de 175 cm³/a 900 cm³/g, sendo 850+o melhor produto disponível no mercado.

ZONA DE CONFORTO é uma faixa entre temperaturas, máxima e mínima, em que um saco de dormir, ou QUILT, consegue manter uma pessoa aquecida durante toda a noite, sem que o usuário acorde por desconforto de frio ou calor. A ZONA DE CONFORTO de um QUILT, por não possuir zíper e capuz, é muito maior do que um saco de dormir convencional, se usado corretamente – abrange uma faixa de temperatura máxima e mínima bem mais larga.

Minha primeira opção é o Nunatak Arc Alpinist Quilt 800Down Medium Size 20F/-7C, que é produzido sob medida e encomenda. Essa é a Ferrari dos QUILTS, usados por astros do Extreme Trekking como Andrew Skurka e Ryan Jordan. Pesa 0,567 kg e é certificado para zona de conforto de -7°C. Custa bem caro.

Minha segunda opção é o Go Lite UltraLite 800 Fil 3-Season Quilt(Regular), que é um produto de pronta entrega com excelente custo-benefício. Pesa 0,660 kg e também é certificado para zona de conforto de -7°C. Essa zona de conforto eu considero ideal para Patagônia entre outubro e abril.

Minha terceira opção é Western Mountaineering Alpinlite SleepingBag 20° Down, que pesa 0,737 kg e também é certificado para zona de conforto de -7°C, ou 20°F.

Para isolamento térmico escolhi o Thermarest Z-Lite Sol Rpara as noites dormidas em barraca. Esse isolante térmico é de células fechadas, ou seja, não é inflável. É muito leve (0,410 kg) e confortável, embora volumoso quando dobrado. Sua superfície lembra uma “caixa e ovos”, com bastante reentrâncias que mantém o ar aquecido próximo ao corpo do usuário.

Para as noites de trekking vou levar o Thermarest NeoAir Xlite SleepingPad S, que é um isolante térmico de células abertas, ou seja, inflável. Ele pesa apenas incríveis 0,227 kg na versão “S”, que é Small, de apenas 1,19 m de altura. Esse tipo de isolante térmico é chamado de ¾ de corpo ou meio-corpo, porque uma pessoa de 1,81 m de altura como eu, deitado sobre ele, vai ficar com as pernas dos joelhos para baixo para fora do isolante. Perfeito! Basta eu usar a pequena mochila de trekking de apenas 42 litros que vou usar nessa expedição (assunto para outra postagem) debaixo das minhas pernas para me manter confortável e aquecido toda a noite, mesmo com temperaturas abaixo de zero.

Nas 42 noites de trekking previstas, vou dormir em um saco de bivaque. Nada de barraca. Escolhi o Black Diamond Spotlight Bivy Bag, de 0,510 kg. Não é, de longe, o saco de bivaque mais leve, mas tem um sistema de “cabaninha” no rosto que garante mais conforto (nada do tecido caído em cima da cara da gente enquanto dormimos). Um saco de bivaque é uma espécie de saco de dormir impermeável, corta-vento, respirável, que é usado como um “sobreteto” de saco de dormir, eliminando o uso de barracas com grande economia de volume e peso.

Quem tiver interesse em conhecer mais conceitos, técnicas e equipamento de uso em acampamentos selvagens e trekking, sugiro ler meu livro MANUAL DE TREKKING & AVENTURA (link para resenha aqui no blog), adotado pelo MEC (Ministério da Educação) como literatura didática obrigatória em cursos superiores de Educação Física e Turismo em todo o Brasil.