
SHIT TUBE… UM ASSUNTO DE BOSTA
Texto e fotos: Guilherme Cavallari
Quem faz trekking no Brasil com certeza já viveu a desagradável experiência de encontrar fezes humanas expostas no caminho. Cocô em áreas de acampamento, caca no meio da trilha, merda até ao lado de fontes d’água e outras barbaridades! Pra piorar, quase sempre as fezes vêm acompanhadas do correspondente papel higiênico carimbado, provando que a obra não foi acidental, foi programada!
Uma bosta! Literalmente.
Por conta disso, a questão de como lidar com fezes humanas em áreas naturais remotas, como trilhas e parques, tem ganhado cada vez mais importância entre os praticantes de esportes de contato com a natureza. Infelizmente, o inegável aumento de visitantes nas trilhas, ocorrido nas últimas décadas, não trouxe o aumento proporcional na educação e na consciência ambiental. Nenhuma surpresa, já que não foram realizadas grandes campanhas nesse sentido, pouquíssimas pessoas ou entidades deram um passo a frente e assumiram responsabilidade sobre o tema. Não dá pra reclamar, né? Como esperar mudanças se seguimos fazendo tudo igual?
Indivíduos e grupos de aventureiros mais comprometidos adotaram, como medida particular de ação, o uso de shit tubes — canos de PVC com tampas, usados para coletar e transportar as próprias fezes, e similares. Daí o nome que, em tradução literal seria “tubo de bosta”. Em inglês parece chique. O objetivo é coletar os desejos orgânicos sólidos e trazê-los de volta ao ambiente urbano, sem deixar uma partícula fecal no meio natural. Até rimou.
Isso é eficiente? É recomendável? Soluciona o problema do impacto ambiental causado pelas fezes humanas na natureza? Deveria fazer parte da ética aventureira? As respostas poderiam ser todas resumidas numa única palavra: depende.
Nos Estados Unidos e na Europa, onde a cultura de aventura é muito maior e mais antiga do que no Brasil, essa questão vem sendo estudada e debatida amplamente. O parque nacional mais visitado dos EUA — o Great Smoky Mountain National Park — recebe mais de 12 milhões de pessoas por ano. O Parque Nacional do Itatiaia, o mais antigo do Brasil e tradicional destino de trekking, recebeu, em 2018, o recorde de mais de 17.800 visitantes. Nos EUA, alguns parques nacionais entregam atualmente aos visitantes, grátis, um saco plástico com vedação para uso como banheiro nas necessidades sólidas, para o “número 2”. Dentro do saco tem ainda um pó mágico, desenvolvido pela NASA, que acelera a decomposição das fezes, eliminando inclusive o odor. Uma medida que não era necessária até o passado recente, quando o número de pessoas nos parques era bem menor, mas ainda na casa dos vários milhões. Esses dados comparativos servem para ilustrar que a questão das fezes humanas em áreas de proteção ambiental está diretamente relacionada à quantidade de visitantes, não à questão das fezes em si. Ou seja, fezes humanas não são material radioativo que deve ser evitado a todo e qualquer custo. Assim, falando reto, a necessidade de uso de shit tube e correlatos depende do tamanho da cagada coletiva e não simplesmente a realidade da cagada.
Nos EUA, de clima temperado, o solo congela em boa parte do país nos meses de inverno, resultando em que fezes enterradas demorem cerca de 12 meses para biodegradar. No Brasil, de clima tropical ou subtropical, esse tempo pode ser diminuído em apenas 3 meses em algumas regiões, ou muito menos. Ainda nos EUA, as montanhas são mais altas, a latitude é maior, criando zonas alpinas onde altitude, latitude e clima impedem o crescimento de qualquer vegetação. Com muito menos biodiversidade, inclusive bacteriana, capaz de dissolver as fezes, todo o processo fica bem mais lento. No Brasil, onde todos nossos picos mais altos estão abaixo de 3 mil metros de altitude e possuem algum tipo de vegetação, mesmo que rasteira, qualquer aporte de matéria orgânica no solo é bem-vindo por se transformar em adubo. Resumindo: a necessidade de uso do shit tube também está relacionada ao clima, relevo, fauna e flora. Aqui no Brasil tudo isso está a nosso favor.
No famoso parque nacional Torres del Paine, na Patagônia argentina, destino visitado por aventureiros de mundo todo, existem banheiros (latrinas secas) em todas as áreas de acampamento. Acampar fora dessas áreas é expressamente proibido. Essa restrição do impacto ambiental e sua concentração é bastante eficiente e muito econômica. Em parques na Nova Zelândia, por exemplo, a mesma medida é adotada com a mudança regular do local dessas latrinas para não acumular muito impacto ambiental. Tanto Torres del Paine quando a maior dos parques neozelandeses estão em áreas de bosques, onde a vegetação e a fauna invertebrada dá conta de fazer as fezes humanas desaparecerem sem prejuízos às áreas naturais. Não faltam exemplos de sucesso nesse sentido em diversos países do mundo.
A defesa do uso geral e irrestrito do shit tube como medida universal obrigatória passa muitas vezes por uma visão equivocada do perigo das fezes humanas. Existem muitas doenças transmissíveis pelos excrementos, sem dúvida, algumas letais inclusive, mas isso só acontece se esses excrementos estiverem contaminados, se as pessoas estiverem doentes. Para tratar a questão de forma científica e não alarmista, devemos nos perguntar: Qual o percentual de seres humanos com doenças transmissíveis via fezes? Como acontece essa transmissão? Qual o percentual estatístico de transmissão numa área de camping ou numa trilha? Quanto tempo os vetores dessas patologias resistem no ambiente natural? Depende. Tudo depende. Esses fatores variam muito em função, por exemplo, do saneamento básico disponível à população. Áreas melhor munidas de sistema de tratamento de água e esgoto, como as regiões Sul e Sudeste do Brasil, têm índices muito menores de doenças típicas de falta de saneamento mais comuns, por exemplo, nas regiões Norte e Nordeste do país. Os praticantes de esporte de aventura no Brasil, aqueles que frequentam trilhas e acampamento, são quase todos da classe média urbana, que dispõe de boas condições sanitárias em comparação com habitantes das zonas rurais e de menor renda. Como sabemos, saneamento básico no Brasil é mais um item, como tantos, de desigualdade social. Já a transmissão de doenças através de fezes em aventura se dá normalmente pelo consumo de água disponível no meio natural. As regras, no entanto, são claras: 1) Não se deve defecar próximo a fontes ou corpos d’água. 2) Toda água deve ser tratada antes de ser consumida na natureza. Ou seja, basta ferver, filtrar ou tratar quimicamente a água antes do consumo e os riscos de contaminação em campo praticamente desaparecem. Basta enterrar as fezes de forma apropriada longe de corpos d’água e esses riscos desaparecem.
Na tentativa de impor o uso do shit tube não faltam argumentos conspiratórios, sem embasamento científico, que vão desde o risco da contaminação de bacias hidrográficas e lençóis freáticos até o risco de fezes serem desenterradas pela fauna local. Cenários dignos de filme-tragédia. Situações de excessão. As fezes enterradas ou mesmo deixadas a céu aberto sofrem ação do tempo, do clima e dos agentes decompositores. Elas não duram muito tempo. Imediatamente começam a secar, serem absorvidas e desintegradas. Para haver contaminação de corpos d’água o volume de fezes deve ser proporcional ao volume do corpo d’água, ou seja, pra contaminar um riacho de água corrente é preciso muita matéria orgânica.
Pensem no exemplo prático do coador de café. São necessárias três colheres de sopa de pó de café num coador de pano pra fazer um litro de café forte. Imaginem que meio quilo de fezes humanas são capazes de contaminar, com a quantidade mínima de coliformes fecais, bactérias e vírus (havendo vírus no sistema de quem fez a cagada, obviamente), um corpo d’água muito pequeno por quatro a oito semanas. Ou seja, defecando diretamente na água. Fazendo a mesma quantidade de cocô a um metro de distância do mesmo corpo d’água, a contaminação perde, digamos, 20% de sua potência. Se aumentarmos a distância, a diluição do material fecal diminuirá até chegar a zero. O conteúdo orgânico será disperso, diluído, desintegrado antes de chegar ao corpo d’água. Seria como adicionar coadores de café à mesma quantidade de pó. O café vai ficar cada vez mais fraco até não ser mais passível de mudar cor e sabor da água. Simples assim.
Pra usar um exemplo de trilha, a crista da Serra Fina não consegue contaminar as bacias hidrográficas nas bases da montanha com o volume de fezes das centenas de pessoas que acampam em sua crista num feriado prolongado. Impossível. A área da crista até a bacia hidrográfica é grande demais. Ainda estou esperando encontrar um estudo científico que defina a proporção de fezes humanas necessária pra contaminar um determinado corpo d’água. O bom senso me diz que respeitar a regra de defecar e enterrar as fezes a pelo menos 70 metros (200 pés) da água basta. Esse espaço e mais que suficiente para decompor tudo.
Pensando então nesses conjuntos de argumentos comparativos, faz sentido afirmar que, no Brasil, é melhor enterrar as fezes do que transportá-las de volta pra casa. Obviamente, desde que respeitados os devidos protocolos funerários da caca. A opção de trazer as fezes na mochila é mais complicada, implica em riscos de acidentes (imagine se o shit tube abrir e lambuzar a mochila), riscos de autocontaminação (pelo manuseio da bosta em locais muitas vezes com escassez de água pra higiene), além do trabalho pouco discutido de despejar tudo depois e limpar o tubo. Some à lista o custo (embora mínimo) do próprio shit tube ou correlato.
Em áreas naturais extremamente preservadas ou intocadas (cada vez mais raras e praticamente inexistentes em algumas regiões do Brasil), o protocolo de mínimo impacto ambiental determina que tudo o que não for endêmico à região visitada deve ser trazido de volta. Tudo, inclusive as fezes. A urina pode ser deixada pra trás, desde que respeitados alguns cuidados (como não urinar em plantas, em especial as raras, não urinar em corpos d’água de pequeno volume, dar preferência por urinar em superfícies que facilitem a absorção ou a evaporação, etc). Nessas situações (não é o caso das trilhas clássicas brasileiras), o shit tube não é apenas recomendado, mas obrigatório.
Mas outras questões em relação ao uso indiscriminado do shit tube me incomodam até mais que a falta de lógica ambiental ou estatística. Como visto, no Brasil, enterrar as próprias fezes na natureza, desde que de forma correta, é sem dúvida mais eficiente do ponto de vista biológico na imensa maioria dos casos. Enterrar o próprio cocô na natureza diminui inclusive o impacto desses dejetos nos centros urbanos, nem sempre eficientes no seu tratamento (quase metade das residências brasileiras, mais de 48%, não possuíam esgoto tratado em 2018). Fico incomodado ao saber que a maioria dos usuários de shit tube faz cocô num jornal com um pouco de cal, embrulha o presente orgânico, envolve o pacote num saco plástico e deposita no tubo. Dependendo do tamanho do invólucro, dá pra fazer três ou quatro cagadas. Essas bombas biológicas, no entanto, são depois jogadas no lixo comum, numa atitude completamente anti-ecológica! Os pacotinhos vão parar em aterros sanitários e vão demorar séculos para desaparecer, podendo contaminar o aterro sanitário, os trabalhadores do lugar, o equipamento, o solo, lençóis freáticos e afins. Enterrar, além de muito mais natural, nesse caso é também inegavelmente menos impactante contra o meio ambiente. No final, só existe um planeta e apenas um meio ambiente.
Quem, no entanto, escolheu o shit tube como método pessoal de minimizar seu impacto ambiental e se sente confortável com isso, não tem porque descontinuar o processo, basta fazer tudo certo até o fim. Considero o gesto e o compromisso louváveis. Acho fantástico. Uma atitude quase monástica e sem dúvida muito altruísta. Um ato revolucionário. Dou o maior apoio! Mas, do ponto de vista da mensagem política enquanto campanha coletiva, penso que se queremos difundir as atividades de aventura, popularizar os esportes de contato com a natureza, disseminar a cultura outdoor, o discurso da obrigatoriedade de uso do shit tube não ajuda. Como fica, por exemplo, o processo de introdução de novos aventureiros diante da opção entre enterrar as próprias fezes ou usar shit tube? O que é mais acolhedor, mais barato, mais simples e mais fácil? O que é mais eficiente como programa de inclusão de pessoas urbanas ao meio natural?
E aqui vale o parênteses: quanto mais gente empolgada em apreciar a natureza de forma ativa, mais engajamento haverá na luta pela preservação ambiental e, também, maior será o impacto e maiores os problemas. Nunca existe almoço grátis.
Nossa realidade nacional, de imensa desigualdade social, exige soluções mais inclusivas. Não é difícil explicar a um novato na aventura que fezes expostas na trilha causam, no mínimo, má impressão. Tampouco é difícil ensinar alguém a cavar um buraco para o número 2. Nem precisa de pazinha, qualquer graveto faz o trabalho (só precisa enterrar o graveto junto com a bosta depois). Tentar explicar as vantagens por trás do conceito de carregar as próprias fezes de volta pra casa é bem mais delicado, pra não dizer mais difícil. É, inclusive, controverso. Usar corretamente e transportar com segurança um shit tube merece filminho didático no Youtube, cavar buraco não. Acho fácil imaginar um novato de trilha desistindo da atividade ao pensar em todo o malabarismo escatológico envolvido para apenas cagar no mato. Isso adicionado aos problemas que todo iniciante enfrenta pra carregar a mochila, montar barraca e fazer o rango no acampamento. Nesse cenário, considero a proposta de introduzir o uso do shit tube como medida geral e irrestrita um tanto irreal, além de um pouco elitista. Típico do cenário nacional. Algo como discutir a necessidade de gasolina especial pra carros de luxo, ou argumentar pela liberação do limite de velocidade em algumas rodovias, quando o país anda de busão.
Daí vem a pergunta capciosa: sou contra o uso de shit tube? Depende.
Por necessidade, em ambientes como cavernas, praias, geleiras, escaladas em rocha de mais de um dia de duração (chamadas de Big Wall), biomas desprovidos de vegetação ou intocados pela mão do homem, sou 100% a favor do shit tube ou semelhantes. É nossa obrigação. Isso já faz parte da ética na aventura. Como política pública geral em parques brasileiros? Se fizer sentido, como explicado, do ponto de vista biológico, preservacionista e social, se houver embasamento científico alicerçado por pesquisas, sou a favor. Caso contrário, se for apenas a cópia superficial de uma medida adotada no estrangeiro e mal interpretada no Brasil, sem a devida adaptação à realidade nacional, sou contra. Considero a medida exagerada e improdutiva.
Quando comecei na aventura, quase cinco décadas atrás, eu nem sempre fazia um buraco para ir ao banheiro. O volume de pessoas nas trilhas era tão pequeno que até alguém passar no local novamente o tempo e as moscas já teriam sumido com tudo. Afinal, não é assim que os bichos fazem? Agora é diferente. Muito mais gente, muito mais impacto. O Brasil, felizmente, também evoluiu em sua consciência ambiental. Atualmente os incêndios na Amazônia ferem também nosso sendo de ética planetária, além da óbvia agressão ao meio ambiente. O mesmo vale para a caça como hobby, que pra mim é simples assassinato. Hoje não saio pra aventura sem levar uma pazinha (tenho uma coleção, algumas ultra high-tech inclusive). Mas, sinceramente, ainda não vejo a necessidade de usar um shit tube. Consigo, por exemplo, esperar pra fazer cocô longe do acampamento, consigo me afastar da trilha e de corpos d’água pra defecar, consigo até não ir ao banheiro até sair da trilha se for preciso. No final, tudo se resume a atitude pessoal responsável e não necessariamente a imposições sociais.



Perfeito Guilherme! O texto é EXTREMAMENTE educativo e esclarecedor porque a muito tempo essas dúvidas me ocorriam
O uso depende do ambiente mesmo, estamos vivendo um momento que só podemos ir para a natureza, sem shoppings, sem shows, vejo algumas pessoas que trabalham como guias e estão em Campanha de varias coisas , o que pode o que não pode na natureza, acho um pouco de exagero.
Que texto!!! Parabéns! Penso exatamente como vc.
Se com uma taxa de visitação infinitamente maior, os EUA conseguem conviver com a natureza, sem o uso do shit tube, cagar no mato aqui não deveria ser um assunto tão polêmico.
Diante dos dados técnicos apresentados, fica claro que o que falta ao brasileiro é cultura e orientação.
Fiz Marins x Itaguaré neste feriado. O cocô na trilha é acompanhado de outros desrespeitos como caixas de som “gritando” as 4 hs da manhã, gritos, bebidas alcoólicas e uso de drogas. Vi muitas pessoas na montanha, mas pouquíssimos montanhistas. Falta essência e sobra modelos de Instagram.
Concordo total com o que você escreveu. A bosta que se carrega no compartimento vai parar, no final, em algum lugar desse planeta, não vai pro espaço, então se ela pode se decompor no ambiente onde a pessoa está, um tanto melhor Se o ambiente é de altitude, ou por por outro fator, não há decomposição, é educado trazer de volta. O tubo de bosta, prefiro o nome em português, ainda traz outro problema – Duvido que seja usado em mais de uma viagem e aí se tem algo que realmente demooooora a se decompor: um PVC sujo de m..
Muito bom Guilherme, concordo com você!!!! Adorei o texto muito educativo, importante outras pessoas entenderem o pq de enterrar as fezes e com isso o meio ambiente agradece!!! SENSACIONAL!!!
Depois da postagem feita no Instagram onde comentei puxando a brasa para o uso do shit tube, agora, depois de ler seu blogpost Guilherme, tenho que concordar com você no aspecto, é relativo o uso do tubo. Realmente é complicado o uso sem se tornar um estorvo. Usar cal e jornal pode não dar certo, principalmente se estiver ventando ou se o chão estiver molhado, e jogar a merda diretamente no tubo com o uso de uma pá, vai transformar o tubo em algo realmente nada agradável. O que também não é nada agradável, é encontrar a bosta no caminho ou lugares piores, como perto da água. E se bater aquela vontade de cagar e a pá não der conta de abrir um buraco descente no solo todo enraizado ou pedregoso? Aí a merda tá feita! Já caguei à 6000 m de altitude no acampamento Cólera do Aconcágua, em expedição independente, e a preocupação maior era, além de cagar, evitar que as extremidades congelassem. E ninguém do Parque Provincial Aconcágua recomendou o uso de tubos de merda. Então seu uso é relativo e sim, depende de vários fatores pra cagada não dar merda! Parabéns pela postagem Guilherme!
Enterrar número 2 com graveto? O que seria uma trilha clássica brasileira? Decompondo ou não, as doenças ficam no local, agentes causadores podem cair em corpos d’água e animais podem desenterrar as fezes (e desenterram). São pontos a considerar… não vou discutir sobre o tubo. Acho importante, apesar de não gostar de carregar o peso de volta. Um pote desses de creatina ou suplemento alimentar funcionam bem para um dia, até dois… na real até agiliza o processo, porque dispensa enterrar. Basta empacotar bem, jornal e saco plástico. Resolvido… Sem dramas. Precaução e chá de hortelã não fazem mal pra ninguém… taí a pandemia de Covid para mostrar, importa não dar chances ao azar, seja para nós, humanos, ou para os animais silvestres. Boas cagadas silvestres a tod@s !
RESPOSTA DO AUTOR: Existem protocolos internacionais, como o LEAVE NO TRACE, adotados no mundo todo, inclusive no Brasil. Nesses protocolos enterrar as fezes é a regra, carregar as fezes é a exceção, usada em casos específicos e raros. Pouquíssimos seres humanos têm doenças graves transmissíveis por fezes, o normal é seres humanos saudáveis, em especial na Região Sul e Sudeste do Brasil e perto das trilhas clássicas (pessoas inclusive de classe média e média-alta, com ótimas condições sanitárias). Não há contaminação de solo em volumes pequenos de fezes humanas, é preciso muitos quilos de matéria orgânica num mesmo ponto para que isso aconteça. Locais como, por exemplo, a Serra da Mantiqueira, onde vivo e onde estão a maioria das trilhas clássicas (trilhas muito antigas e consagradas, visitadas regularmente por muitas pessoas), não têm fauna carente de alimentos em quantidade suficiente para que desenterrar fezes seja uma ação recorrente e um problema. Essa é uma preocupação hipotética, sem fundamentos de pesquisas. Carregar as fezes de volta e jogá-las no lixo comum é pior para o meio ambiente do que deixá-las enterradas na natureza, onde elas serão decompostas muito rápido. O vírus do covid não é transmissível via fezes enterradas longe de corpos d’água, como mandam os protocolos.
Olá Guilherme. Meus esclarecimentos e/ou comentários estão assinalados com ***.
Pouquíssimos seres humanos têm doenças graves transmissíveis por fezes, o normal é seres humanos saudáveis, em especial na Região Sul e Sudeste do Brasil e perto das trilhas clássicas (pessoas inclusive de classe média e média-alta, com ótimas condições sanitárias).
*** As recomendação Leave No Trace, em face da pandemia de Covid 19, sim, orientam para trazer as fezes de volta. Apenas em caso de não ser possível trazer de volta, as fezes devem ser enterradas. Veja LNT-HumanWastePoster7-1: https://lnt.org/research-resources/covid-19-and-leave-no-trace/
*** A começar pelo Covid-19, que sim, transmite-se pelas fezes, (segundo orientações do pessoal da Fiocruz, que trabalha com a interação ‘humanos e animais silvestres’) outras doenças, algumas gravíssimas, como a cisticercose cerebral, são transmitidas a partir das fezes. Em alguns casos esta teníase vai para o cérebro, e por ser grave descobre-se a doença. Em outros casos, o verme (cisticerco) não atinge o cérebro e as pessoas podem nem saber, que estão contaminadas e espalhando a doença pelas fezes. No caso de viroses (ou arboviroses) há uma diversidade incrível de virus, muitos dos quais nem são conhecidos pela ciência. Doenças passando de humanos para animais domésticos em condições ferais e/ou animais silvestres, e vice versa são bastante frequentes e todo o cuidado é pouco. Pessoas de elevado padrão aquisitivo e comportamento negacionista ao Covid são muitíssimo frequentes no Brasil. Até terraplanistas há, como se sabe, dentre os níveis mais endinheirados.
Não há contaminação de solo em volumes pequenos de fezes humanas, é preciso muitos quilos de matéria orgânica num mesmo ponto para que isso aconteça.
*** Um pequeno bolo fecal pode conter uma quantidade incrível de contaminantes, incluindo vírus e outros micro-organismos. Evitar que exista risco de contaminações a partir das fezes em humanos ou animais silvestres é fundamental, por isso, trazer fezes de volta é importante. Claro que quanto maior a quantidade de fezes, pessoas e animais, maiores os riscos. Mas sim um único bolo fecal ou alguns – ou um morcego comido ou alguns – podem ser bem problemáticos.
Locais como, por exemplo, a Serra da Mantiqueira, onde vivo e onde estão a maioria das trilhas clássicas (trilhas muito antigas e consagradas, visitadas regularmente por muitas pessoas), não têm fauna carente de alimentos em quantidade suficiente para que desenterrar fezes seja uma ação recorrente e um problema. Essa é uma preocupação hipotética, sem fundamentos de pesquisas.
*** A fauna silvestre em geral é sempre carente em alimentos, ainda mais nas condições de fragmentação e simplificação ambiental em que se encontram no sul, sudeste e nordeste do Brasil. Populações estão desaparecendo vertiginosamente, o que indica que os animais parcamente sobrevivem. Alimento é recurso limitante e escasso, via de regra. Canídeos, por exemplo, têm capacidade olfativa de sobra para detectar moléculas orgânicas enterradas, incluindo ossos e fezes humanas. O hábito dos Canídeos desenterrarem e comerem fezes humanas têm sido estudado, não é hipotético, tampouco faltam evidências científicas (https://www.mdpi.com/2076-2615/8/5/67/htm), (https://www.scielo.br/j/bjb/a/3nNwm9ykHrD8KKrkfzxRCRJ/?lang=en). Note que o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é um dos mamíferos silvestres mais comuns, além de tatus, e dos porcos (javaporco, cateto, queixada), que têm faro muito apurado para desenterrar alimento. Se fezes forem enterradas ‘com um graveto’, como diz o artigo, nem é necessário haver grande faro e capacidade de escavação, para um mamífero de porte médio ou pequeno atacar tal bolo fecal. O Leave No Trace tem orientações bem claras, para que fezes sejam bem enterradas, a pelo menos 20 cm de profundidade (não com um graveto). (Veja LNT-HumanWastePoster7-1: https://lnt.org/research-resources/covid-19-and-leave-no-trace/).
Carregar as fezes de volta e jogá-las no lixo comum é pior para o meio ambiente do que deixá-las enterradas na natureza, onde elas serão decompostas muito rápido. O vírus do covid não é transmissível via fezes enterradas longe de corpos d’água, como mandam os protocolos.
*** Sobre ‘carregar as fezes de volta e jogá-las no lixo comum ser pior para o meio ambiente do que deixá-las enterradas na natureza, onde elas seriam decompostas muito rápido’ é um argumento hipotético, sem fundamentos de pesquisa, que não parece ter sentido nenhum, visto que lixões e aterros sanitários são locais de sacrifício (sensu Leave No Trace) que concentram contaminações dos mais diversos tipos no Brasil, desde lixo hospitalar até sanitário, logo, obviamente estes locais já estão contaminados, provavelmente ao contrário da maioria das áreas silvestres bem conservadas. Com sorte, há chances do material fecal ser devidamente incinerado em um aterro sanitário decente, ao contrário daquele, deixado na trilha.
O vírus do covid não é transmissível via fezes enterradas longe de corpos d’água, como mandam os protocolos.
*** Poderia citar uma fonte para esta suposição, por favor ?
RESPOSTAS DO AUTOR:
1) Pesquisei o site do LEAVE NO TRACE e não encontrei menção ou recomendação alguma de trazer de volta toda e qualquer fezes humanas durante a pandemia de covid-19. Deixo aqui inclusive o link para o ótimo pôster deles para impressão (https://lnt.org/wp-content/uploads/2020/05/LNT-HumanWastePoster7-1.pdf). Assim, a recomendação da LEAVE NO TRACE durante a pandemia de covid-19 continua sendo usar o bom-senso, se preparar antecipadamente, respeitar regras locais, usar estruturas sanitárias disponíveis e enterrar as próprias fezes. Em casos específicos, que a LNT nem menciona de forma maciça, trazer de volta.
2) Você não entendeu ou não quis entender o que está escrito no meu texto e na minha resposta ao seu comentário, vou repetir e explicar aqui: não existe contaminação de covid em fezes enterradas longe de corpos de água. Ou seja, se enterradas corretamente, conforme o protocolo LNT, a 70 metros de fontes de água, as fezes não contaminarão essa fonte. Acho que agora ficou claro, né? É fisicamente impossível a vírus ou bactérias “caminharem” sozinhas usando hospedeiros essa distância, segundo a ciência. Pessoas que dispõe de boas condições sanitárias no Brasil (52% da população) têm melhor saúde do que pessoas que não dispõe de saneamento básico. Você discorda? Será o único.
3) Você acha então que jogar as fezes num bolinho de jornal e plástico num aterro sanitário é bom para o meio ambiente? Melhor do que enterrar o material orgânico na natureza? Acho difícil começar a tentar responder a isso, desculpe.
4) Gostaria que você citasse fonte científica que diz que a fauna silvestre da região sul/sudeste está SEMPRE carente de alimento, como você escreveu. Não precisa pesquisar, essa fonte não existe, é sua opinião.
Caro Alexandre, acho que você está numa cruzada dogmática, extremista, intransigente e um pouco agressiva para tentar impor na marra sua humilde opinião. Você inclusive fez uso distorcido de fonte (no caso do Leave no Trace), inventando que eles haviam recomendado a coleta das próprias fezes durante a pandemia de covid. Isso é fake news. Você também distorceu em seu comentário o que eu escrevi, fazendo parecer que eu havia escrito que o covid não é transmissível via fezes, quando o que eu escrevi (basta reler) não foi isso. Isso não é ético. Se você apresentar argumentos verdadeiros e sólidos eu mudo de opinião na hora. Pena que você não pensa da mesma forma e faz de tudo para impor sua opinião. Mistificar com uma lista de possíveis e hipotéticas doenças as fezes humanas (você se esqueceu de citar a historicamente mais letal de todas: a cólera) não trará benefícios à conservação ambiental e ao esforço de popularização dos esportes de aventura. Se você vier com mais conteúdo fraudulento e virótico, na tentativa de tumultuar, criar polêmica e distorcer a realidade, seu comentário não será publicado aqui. Meu email é [email protected] se você quiser tratar esse assunto como algo pessoal. Obrigado.
Bom dia.
1) *** Sim, se você pesquisou, então encontrou (https://lnt.org/wp-content/uploads/2020/05/LNT-HumanWastePoster7-1.pdf: ‘If you can’t pack it out, bury human waste 6 to 8″ deep, 200 feet from water, campsites and trails’. Ou seja, a recomendação LNT é: Se você NÃO pode empacotar dejetos humanos, enterre-os….
RESPOSTA DO AUTOR: Então enterrar está tudo bem! Obrigado. Quem puder empacotar, empacote! É isso o que meu artigo diz. Sem controvérsias.
2) Sobre: ‘não existe contaminação de covid em fezes enterradas longe de corpos de água. Ou seja, se enterradas corretamente, conforme o protocolo LNT, a 70 metros de fontes de água, as fezes não contaminarão essa fonte. Acho que agora ficou claro, né? É fisicamente impossível a vírus ou bactérias “caminharem” sozinhas usando hospedeiros essa distância, segundo a ciência’.
*** Animais desenterram, removem e consomem fezes, que podem estar contaminadas, assim podem ficar doentes e espalhar doenças. Pelo que me lembro, da disciplina de Parasitologia e das orientações da Dra. Márcia Chame, da Fiocruz. A literatura científica e o protocolo profilático ao Covid do ICMBio corroboram esta afirmação.
(https://www.mdpi.com/2076-2615/8/5/67/htm), (https://www.scielo.br/j/bjb/a/3nNwm9ykHrD8KKrkfzxRCRJ/?lang=en).
RESPOSTA DO AUTOR: Não existe estudo científico explicando qual o percentual de fezes humanas enterradas em trilhas são desenterradas por animais silvestres aqui no Brasil. Minha experiência pessoal é de que isso é muito, muito, muito raro. Medidas sanitárias e educativas devem ser aplicadas em cima da regra e não das exceções.
Sobre: ‘Pessoas que dispõe de boas condições sanitárias no Brasil (52% da população) têm melhor saúde do que pessoas que não dispõe de saneamento básico. Você discorda? Será o único’.
*** Não tenho formação em área médica, tampouco social, para analisar a fundo as possíveis correlações entre saneamento básico e doenças transmissíveis por dejetos. Porém, apenas olhando para o número de casos de Covid (que é transmitido por fezes), é fácil constatar que no sudeste há maior número de casos (https://covid.saude.gov.br/), apesar das condições sanitárias que você citou. Certamente o negacionismo ao Covid aumenta a transmissão desta doença, a exemplo de outras.
RESPOSTA DO AUTOR: Pesquise no site da OMS e da ONU, está lotado de dados a respeito da correlação entre saneamento básico, saúde e expectativa de vida. Isso inclusive faz parte do IDH. Algo MUITO básico.
3) Sobre ‘Você acha então que jogar as fezes num bolinho de jornal e plástico num aterro sanitário é bom para o meio ambiente? Melhor do que enterrar o material orgânico na natureza? Acho difícil começar a tentar responder a isso, desculpe.’
*** Bom para o meio ambiente talvez fosse nossa espécie não existir. Em se tratando de incineração de fezes possivelmente contaminadas por doenças em um aterro sanitário, sim é o procedimento mais correto, do que enterrar na trilha, ainda mais enterrar com um graveto, como você escreveu no seu artigo.
RESPOSTA DO AUTOR: Para o meio ambiente NÃO é o mais correto jogar fezes humanas em aterros sanitários, nem remédios descartados, nem produtos hospitalares, nem produtos radioativos. Nada que possa contaminar os trabalhadores desses aterros ou comprometer as estruturas. Pura LÓGICA.
4) Sobre ‘ Gostaria que você citasse fonte científica que diz que a fauna silvestre da região sul/sudeste está SEMPRE carente de alimento, como você escreveu. Não precisa pesquisar, essa fonte não existe, é sua opinião’.
*** Os livros texto básicos sobre ecologia animal, ecologia de comunidades e populações utilizados nos cursos de Biologia e Ecologia ensinam que sim, alimento é recurso limitante na natureza, escasso de forma geral, exceções temporais e localizadas são raras. Fauna silvestre não faz supermercado. Pior ainda com a destruição ímpar das paisagens naturais do sudeste, sul e nordeste. Aprende-se na escola.RESPOSTA DO AUTOR: Faltou uma resposta inteligente sobre esse tópico.
5) Sobre ‘ cruzada dogmática, extremista, intransigente e um pouco agressiva para tentar impor na marra sua humilde opinião. Você inclusive fez uso distorcido de fonte (no caso do Leave no Trace), inventando que eles haviam recomendado a coleta das próprias fezes durante a pandemia de covid. Isso é fake news. Você também distorceu em seu comentário o que eu escrevi, fazendo parecer que eu havia escrito que o covid não é transmissível via fezes, quando o que eu escrevi (basta reler) não foi isso. Isso não é ético. Se você apresentar argumentos verdadeiros e sólidos eu mudo de opinião na hora. Pena que você não pensa da mesma forma e faz de tudo para impor sua opinião. Mistificar com uma lista de possíveis e hipotéticas doenças as fezes humanas (você se esqueceu de citar a historicamente mais letal de todas: a cólera) não trará benefícios à conservação ambiental e ao esforço de popularização dos esportes de aventura. Se você vier com mais conteúdo fraudulento e virótico, na tentativa de tumultuar, criar polêmica e distorcer a realidade, seu comentário não será publicado aqui.’Não estou em cruzada dogmática, nem extremista, nem intransigente, muito menos agressivamente tentando impor nada para ninguém. Esta é a sua humilde opinião, que posso dizer, está equivocada.Não fiz uso distorcido de nenhuma informação LNT, o link foi explicito por mim, quem quiser que consulte.
(https://lnt.org/wp-content/uploads/2020/05/LNT-HumanWastePoster7-1.pdf: ‘If you can’t pack it out, bury human waste 6 to 8″ deep, 200 feet from water, campsites and trails’. Ou seja, a recomendação LNT é: Se você NÃO pode empacotar dejetos humanos, enterre-os…. Parece que quem está tentando distorcer orientações LNT de forma agressiva e apelativa, não sou eu.Sobre’ fazendo parecer que eu havia escrito que o covid não é transmissível via fezes, quando o que eu escrevi (basta reler) não foi isso. Isso não é ético’.
*** Fazer parecer não é do meu interesse, meu interesse é deixar claro que sim, há orientações técnicas para evitar transmissão de Covid e outras doenças a partir de fezes. Você acha que seu texto é claro e que explica bem isso ? Parabéns.Sobre ‘ Se você apresentar argumentos verdadeiros e sólidos eu mudo de opinião na hora. Pena que você não pensa da mesma forma e faz de tudo para impor sua opinião. Mistificar com uma lista de possíveis e hipotéticas doenças as fezes humanas (você se esqueceu de citar a historicamente mais letal de todas: a cólera) não trará benefícios à conservação ambiental e ao esforço de popularização dos esportes de aventura. Se você vier com mais conteúdo fraudulento e virótico, na tentativa de tumultuar, criar polêmica e distorcer a realidade, seu comentário não será publicado aqui.*** Argumentos técnicos foram apresentado, bem como fontes foram indicadas. Não quero mudar a opinião de ninguém, não sei de onde você tirou esta dedução. Não mistifico nada. Sugiro procurar o significado de mistificar no dicionário. Há centenas de doenças que podem ser citadas, sem contar as que ainda não foram descritas pela literatura científica, com destaque para viroses como arbovirus. Se você acha que o link do Leave No Trace que apresento é fraude, reclame com a própria Leave No Trace, pois o conteúdo está no respectivo website. Aliás, não ofendi ninguém, é crime de injúria, tampouco distorci algo ou fui antiético. Solicito ética e respeito. Não tenho nada pessoal, contra ou a favor de você, nem quero ter.
RESPOSTA DO AUTOR: Sua argumentação é falha e comprometida, baseada em opinião pessoal, distorções da realidade e desinformação. Meu artigo é objetivo, esclarecedor e básico: o uso do shit tube DEPENDE de circunstâncias. NADA do que você apresentou muda essa realidade, muito pelo contrário, apenas CONFIRMA.
*** Meu caro. Percebo que seus argumentos técnicos se esgotaram, nada novo foi acrescentado na sua última resposta.
Apresentei argumentos técnicos, fundamentados por conhecimento científico da minha área (ecologia aplicada e conservação), e inclui links de acesso aos artigos. Diferente do seu texto, desde o artigo original.
RESPOSTA DO AUTOR: Todos meus argumentos estão no artigo, nada a acrescentar. Seus argumentos são generalistas, hipotéticos e ilógicos do ponto de vista do artigo, que foi escrito por um aventureiro para a realidade de aventureiros. Você ignorar ou desconhecer a influência do saneamento básico sobre a saúde e a longevidade humana mostra seu parco conhecimento sobre a área que você estuda, pra dizer o mínimo. Os artigos que você inclui são genéricos e primários, não dizem respeito à aplicação prática do meu artigo.
*** Solicito encarecidamente que, limite-se a uma discussão técnica, ao invés de especular sobre minha pessoa, acerca de ‘dogmas, intransigência, extremismo, agressividade, emoções e desinformação’, o que você faz de forma preconceituosa, sem evidência nenhuma. Não lhe dou esta liberdade. Aliás, fazendo isso, quem revela questões emocionais não sou eu. Realmente, você sabe tudo sobre o tema, cujo título foi escolhido de forma bastante apropriada. Perdoe minha pouca inteligência para as respostas. Siga seu caminho com sua louvável tarefa educadora, para o bem da Conservação. Parabéns.
RESPOSTA DO AUTOR: Agradeço seu interesse pelo meu trabalho.
Bom dia, Guilherme. Tenho livros seus, acompanhamos seu trabalho e as lives, inclusive. Por isso o comentário aqui, em seguida.
Baseado nesta úlltima discussão, principalmente nas respostas do autor, frente uma discussão técnica, com alguém que apresenta questionamentos embasados e tecnicos sobre os assuntos, com muita agressividade e boas camadas de intransigência e ataques pessoais, a sensação é de enorme decepção. Afinal, saber tudo não é esperado de ninguém, mas a maneira como abordamos frente ao contraditório é reveladora, e expõe muito mais do que a abordagem que geralmente temos falando de nós mesmos.
Sei que toda decepção é culpa de quem criou expectativa, mas ainda assim é a sensação que sucitou em mim. Afinal, decepcionar é um sinal de que havia esperança. Li os artigos enviados (inclusive da leave no trace) e não vi nada que justifique chamá-los de “genéricos e primários”. De fato, uma discussão que poderia enriquecer a questão tornou-se – não entendi nem como ou porque motivo – disputa, onde o importante deveria ser a nayureza e não o ego. A natureza não agradece.
Ps. Eu li o que vc escreveu e depois apagou e fiquei estarrecido com o conteúdo. Sei que o blog é particular, contudo a pratica jornalistica etica prevê transparencia. Apagar e editar comentários a priori ou a posteriori é uma pratica questionável.
Sinto muito ter lido tudo que li.
RESPOSTA DO AUTOR: Caro Rodrigo, ninguém é perfeito. Posso não ter respondido da melhor forma possível aos comentários do outro leitor, insistentes, repetitivos, distorcendo o que eu escrevi e, sim, com argumentos primários, na minha opinião. Nada grave, faz parte da comunicação. Não sou responsável por suas expectativas em relação a mim e essa sua observação, de cunho pessoal e sentimental, é inapropriada. O fato de você ter lido meus livros não te dá direitos especiais sobre mim. Quem compra um livro não compra o autor. Começar um argumento ou crítica com “tenho seus livros, assisto suas lives” é bem estranho, parece que você se sente credor e eu estou seu devedor. Esquisito e infantil. Posso corrigir, incluir, apagar e manusear todo e qualquer texto produzido por mim em qualquer veículo e isso não incorre em falta de ética jornalística, é apenas revisão, especialmente quando não ocorre mudança de sentido, como foi o caso. O artigo que escrevi é argumentativo e sempre que eu encontrar mais argumentos sensatos e alinhados com meu raciocínio, eles serão incluídos no artigo. Não preciso pedir permissão de ninguém pra isso. Digo isso como jornalista experiente. Não alterei e não alteraria uma vírgula do que o leitor anterior ou você escreveu aqui (nem para corrigir erros de português ou de digitação), porque isso, sim, seria falta de ética. Entende a diferença? Espero que sim. É um ponto importante pra quem, aparentemente, trabalha com comunicação. Não tenho muita paciência com argumentos emocionais, pessoais ou rasos. Falha minha. Problema meu. Os comentários no meu site só podem ser publicados por mim, não entram automaticamente no site, precisam da minha aprovação prévia. Se minha intenção fosse dissimular, enganar ou sei lá o que, como você insinuou, não seria muito mais fácil eu simplesmente não autorizar comentários críticos? Controversos? Desconfortáveis? Medite sobre isso antes de sair escrevendo o que o fígado manda, sem a censura do cérebro. Essa é um dica que vale ouro.
oi Guilherme. Excelente texto. Tirando a parte do enterrar com graveto 😉, concordo com tudo o que vc escreveu. Acho que seria muito mais eficiente educar os trilheiros a carregar uma pá e enterrar as fezes. Caminhei 2000 km em trilhas na California e não vi sequer um único papel higiênico jogado na trilha. Não vi absolutamente nenhum excremento humano. E vi muita pá pendurada na mochila e NENHUM shit tube. Nas áreas naturais que passei nos EUA, também não vi nenhuma orientação sobre shit tube. A orientação era enterrar as fezes. Nada contra o Shit Tube, mas porque a opção de enterrar não é debatida com o mesmo entusiasmo no Brasil? Talvez as trilhas seriam mais limpas se o opção da pá fosse incluída na campanha brasileira do Shit Tube.
Olá, Guilherme. Gosto das suas opiniões, que às vezes são amargas, mas bem embasadas. Penso parecido com relação ao “tubo de bosta”, e ainda assim tenho um. Tenho pazinha também e confesso que prefiro a segunda opção. Aos mais críticos e fanáticos caberia ainda acrescentar que para o tubo funcionar são empregados: papel, plástico, cal, todos eles elementos que aumentam mais o dano ambiental. O plástico ou jornal leva muito mais tempo que a merda para se decompor, ou será que inventaram um papel que some com a bosta.
No fim, essa discussão se resume a trilheiros de um dia, que preferem postar um vídeo de alguém fazendo algo errado, quando poderiam ensinar as pessoas. Ademais, parabéns pelo trabalho, e continue independente, ainda que faça raiva às vezes. kkkkkk, quando doí é porque alguma coisa se aprendeu.
Seu artigo foi bastante esclarecedor e apresenta dados objetivos. É importante q este debate seja feito no BR, ainda q não tenhamos uma cultura massiva de práticas outdoor por aqui. Obrigada por compartilhar suas experiências e reflexões.
Só pra descontrair, eu uso isso pra guardar minhas brocas de furadeira, foi um amigão meu encanador que me ensinou a fazer. Vc fez alguma vedação com borracha pelo visto neh? Na foto parece q tem um anel de vedação. Porque a primeira coisa q pensei foi como evitar vazamentos, principalmente pq eu tenho o intestino meio solto, se é que me entende… kkkkk. Brincadeiras e seriedades escalogicas à parte. Um grande abraço e altas aventuras amigo!
Agradeço a abordagem do tema e o debate acalorado, esse tipo de discussão se faz muito necessária.
Sou trilheiro de longa data retornando de quase 15 anos sem pisar em uma trilha de verdade e claro me ocorreu essa questão dos dejetos humanos, fico surpreso como o mundo mudou, como a conscientização não é mais uma questão de escolha. Sobre o assunto entendo que o shit-tube é essencial para condições de exceção, e em conjunto com a pazinha é um sistema praticamente infalível em qualquer hora e lugar. Por exemplo, se a sua barraca tiver um avancê, é possível fazer cocô no meio da madrugada com o shit-tube, e vocês sabem que nem sempre dá pra controlar a vontade do intestino. Claro que na maioria das situações onde você tem tempo de procurar um local adequado, de dia, longe da trilha, longe da água, longe de pedra, etc, nada melhor do que usar a pazinha para enterrar os dejetos e usar o mesmo shit-tube para trazer o papel higiênico de volta. O bom é poder levar um E outro, sem exclusão.
Também gostaria de saber em relação ao banho, qual seria a maneira mais sustentável de se manter limpo em uma travessia por ex? Lencinho umedecido? Sabonete na cachoeira pode?
Obrigado pelo blog, vou ler mais.