“Vamos puxar pneu?”. Manter a forma física é também um exercício de motivação e criatividade. Treinar todo dia, ou quase todo dia, sem diversão e sem novidades exige um tipo de foco e determinação que poucas pessoas têm. Por isso é preciso inventar moda…
Depois que voltei da EXPEDIÇÃO TRANSPATAGÔNIA, quando passei seis meses sozinho, pedalando e acampando por toda a Patagônia e a Terra do Fogo, decidi com minha esposa, Adriana Braga, não viver mais em São Paulo e nos mudamos para uma fazenda em Gonçalves, na Serra da Mantiqueira. Fiquei longe da possibilidade de frequentar academias.
Sou mountain biker e aqui na roça posso pedalar qualquer dia e qualquer hora, mas mesmo o esporte que eu mais gosto pode se tornar repetitivo e desmotivante depois de um tempo. Essa é a hora de criar e inovar.
Inspirado nos relatos das expedições da “Era Heroica da Exploração Polar” – o começo do Século XX –, quando personagens como Scott, Amundsen e Shackleton ganharam fama, decidi “puxar trenó”, como eles fizeram, para fortalecer a musculatura e fazer um trabalho cardiovascular de média intensidade. Mas não tem neve e gelo no Brasil, então…
Lembrei imediatamente do meu velho amigo Julio Fiadi – o primeiro brasileiro a chegar caminhando o último grau de latitude os dois polos do planeta –, que treinava para suas expedições polares puxando pneus no bairro de Higienópolis e Pacaembu, em São Paulo. Cacei uns pneus velhos aqui na região, amarrei tudo a uma cadeirinha aposentada de escalada e pronto! Meu trenó improvisado estava na mão!
Já fiz três treinos de 90 minutos cada, puxando dois pneus de pouco mais de sete quilos cada, caminhando com ajuda de bastões de trekking por cerca de 7 km. Minhas impressões são: 1) Além do óbvio trabalho muscular das coxas e glúteos, que é intenso, também sinto que trabalho o abdome e a musculatura em torno do quadril. 2) A frequência cardíaca durante o treino não é muito elevada, o que para mim é ótimo, pois possibilita um a espécie de “repouso ativo” para intercalar com os treinos de mountain bike – que aqui na Mantiqueira, por conta do tanto de montanha que existe, é sempre muito intenso e extenuante. 3) Por usar bastões de trekking consigo trabalhar também os membros superiores, tornando o exercício bastante completo. 4) É preciso ignorar o pessoal que passa de carro e grita: “borracheeeiro!”
Então fica aqui minha dica de treino: “Vamos puxar pneu!”
E para quem, como eu, gosta de livros históricos de aventura, sugiro alguns títulos já resenhados por mim na sessão BIBLIOTECA AVENTURA aqui no site, que podem servir de inspiração, motivação e contextualização da brincadeira…
TOM CREAN, AN ILLUSTRATED LIFE, de Michael Smith
SHACKLETON’S FORGOTTEN MEN, de Lennard Bickel
TRANSANTÁRTIDA, de Jean-Louis Étienne
RUMO AOS PÓLOS, de Julio Fiadi
A ÚLTIMA EXPEDIÇÃO, de Robert Falcon Scott
RUMO AO PÓLO SUL, de Diana Preston
A PIOR VIAGEM DO MUNDO, de Apsley Cherry-Garrard



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