RETA FINAL… CAPE WRATH TRAIL

7 de novembro de 2015

DSC05335

Reta final

Kinlochbervie é a última vila no caminho ao Cabo Wrath, ou Cape Wrath, meu destino final nessa longa travessia em trekking. Hoje completei 20 dias e 390 quilômetros caminhados… E acho que posso dizer que conheço um pouco as Highlands escocesas.

Sentado numa mesa de esquina no único hotel da vila, tenho uma janela voltada para o mar aberto, o Mar do Norte, à minha direita, olhando para o oeste, e outra janela na minha frente, de frente para a baía onde atracam os barcos pesqueiros e mostrando o mundo ao sul de onde estou. Sol a oeste e tempo nublado ao sul.

Desde meu último post muita coisa aconteceu, como deveria ser…

DSC05333

Ullapool

O dia de descanso na charmosa Ullapool (www.ullapool.co.uk) foi essencial. Depois dele fiz dois dias de altas quilometragens, até Oykel Bridge e depois Inchnadamph. Foram 34 e 33 km respectivamente.

Todo dia fico mais e mais impressionado com a falta de gente na região. Às vezes as únicas casas que vejo são os bothies, as cabanas de montanha onde durmo.

Também não existe grande variedade de flora e fauna. Grande parte do terreno é inundado, encharcado, o terror de todo caminhante, o que impede o crescimento de vegetação de grande porte. A superpopulação de veados também impacta a vegetação, que não chega a crescer sem ser antes comida.

Os rios, em contrapartida, são cheios de peixes – truta e salmão – que saltam pra lá e pra cá.

DSC05244

Falta de gente

Mas se eu fosse apontar um defeito até agora na trilha, que também pode ser considerado uma qualidade, é a absoluta falta de gente. Em 20 dias não caminhei ou vi ninguém na trilha! A solidão tem efeitos positivos, de introspecção, meditação e aprofundamento de questões, mas também restringe mais a experiência. Estou sentido um pouco a falta de personagens.

Em Cape Wrath espero conhecer John Ure, o dono do Ozone Café, que vive no cabo o ano todo sozinho com a mulher. Certa vez, dias antes do Natal, a esposa do John saiu caminhando de Cape Wrath para comprar a ceia, ficou presa por uma nevasca na cidade e só voltou para o Ano Novo…

DSC05295

Um dia chanceler, um dia sem comer

A vida na trilha lembra muito essa frase do Rock do Segurança, do Gilberto Gil… “Um dia rico, um dia pobre, um dia no poder. Um dia chanceler, um dia sem comer. Coincidiu de hoje ser meu dia de mendigo. Meu amigo, se eu quisesse, eu entraria sem você me ver”.

Slide3

Nessa aventura, Guilherme Cavallari usou equipamento SPOT.

Ontem não dormi mais de que duas horas das nove horas que passei deitado dentro da barraca. Acampei ao lado de um rio, no pé de uma ponte, num dia de mendigo. Como já estava escuro, não pude escolher lugar melhor e com a noite, veio o vento. Um vento danado de forte que fez minha casa de nylon gemer rosnar, estalar, pular, chacoalhar e eu só esperando ela rasgar no meio.

Hoje vou dormir num quarto de casal, com lareira, tapete de carneirinho, escrivaninha e vista para o jardim.

DSC05319

E amanhã… Bem amanhã ninguém sabe, ainda bem.

Pretendo dormir em um bothy perto de Sandwood Bay e, de lá, fazer a perna final até o extremo noroeste da Escócia, na ponta das Highlands atirada para dentro do Mar do Norte.

Aguardem notícias e sigam meus passos no link: http://share.findmespot.com/shared/faces/viewspots.jsp?glId=0mqt1ppkt2pSmaqejVncIr3aNHfz5dGC4

solo_logo

Guilherme Cavallari usa roupas SOLO nessa expedição.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


MARCAS QUE APÓIAM NOSSOS PROJETOS: