QUE BARRACA COMPRAR?

5 de agosto de 2010

Recebo muitas perguntas de leitores dos meus livros. Algumas perguntas são frequentes (FAQ – frequently asked questions), então decidi colecionar minhas respostas aqui no blog…

Pergunta: Vou fazer meu primeiro trekking, que barraca você recomenda?

Eu respondo: Carcaca! Não tem uma perguntinha mais fácil não? Tipo… Como ganhar um milhão de reais em uma semana? Mas a pergunta é importante e a dúvida faz sentido…

Quando comprei minha primeira barraca, nos idos de 1976 (véio é seu pai!), infelizmente não tive essa dúvida. Só tinha um tipo de barraca disponível, na Mesbla ou na Casa ao Gaúcho (ainda existe: http://www.aogaucho.com.br/)… Uma bangalô de varetas de ferro e tecido mais ou menos impermeável. Pesava 18 quilos. Era isso ou dormir com as formigas…

Mas a resposta a essa pergunta é uma séria de outras perguntas: Onde você vai acampar? Sozinho? Em que época do ano? Qual seu peso, altura e condição física? Que tipo de transporte você utilizará, vai carregar a barraca na mochila, na bike, no carro? E assim por diante…

Mas isso não quer dizer que a gente precisa de uma barraca para cada situação, tipo… “barraca para fazer Torres del Paine com a esposa”, “barraca para fazer a Serra Fina com um brother”, “barraca para passar duas semanas surfando em uma praia deserta com a galera”, “barraca para mandar a esposa, a galera e o brother para o mato”, etc.

Eu tenho várias barracas, confesso, mas conseguiria viver muito bem com uma só, que seria… Semigeodésica, autosustentável, para duas pessoas, com duas paredes, três estações, de no máximo 2 quilos, com varetas de alumínio, duas portas e duas varandas, de nylon ripstop e com um contrapiso extra.

Não se asuste, eu explico em detalhes…

Semigeodésica, porque é um desenho no qual as varetas se cruzam formando triângulos. Isso dá mais resistência contra o vento patagônico ou mantiqueirense.

Autosustentável, porque barracas que ficam em pé sozinhas, sem a necessidade de linhas de estabilização ou estacas, podem ser erguidas em terrenos rochosos ou mesmo sobre rochas sem problemas.

Para duas pessoas, porque sou casado e minha mulher é minha companheira de trekking. Mas mesmo se fosse solteiro, seria o mesmo. Gosto do espaço extra. Mas a principal razão é que as barracas de uma pessoa, também chamadas de single ou solo, pesam cerca de 20% menos e custam 10% menos que barracas para duas pessoas, com a metade do espaço, conforto e versatilidade. Numa barraca para duas pessoas eu coloco minha mochila dentro, protegida e acessível em dias de chuva e noites de frio. Minha opinião é que barracas single não compensam.

Duas paredes, porque existem barracas de uma parede só, chamdas single wall. Elas são construídas em tecido respirável e impermeável, como o Gore Tex. O problema é que essas barracas condensam vapor d’água (nosso suor) igual a uma sauna úmida! Especialmente no clima brasileiro. Duas paredes funcionam muito bem para manter a barraca seca por dentro. No Brasil, no nosso clima, esse papo de single wall não rola!

Três estações, que é um sistema internacional de medida da capacidade de isolamento térmico da barraca. As três estações em questão são primavera, verão e outono… No hemisfério norte! Lá o inverno exige equipamento de aventura especial e as barracas invernais deles são à prova de bala! Três estações resolvem qualquer situação climática aqui no Brasil e mesmo na Patagônia ou Terra do Fogo no verão e em boa parte da primavera e outono. Se ficar mais frio, invista em um saco de dormir mais quentinho, de pluma de ganso 800 (assunto para outra postagem)!

No máximo 2 quilos, porque é um peso legal. Leve, mas não anoréxica. Existem barracas nessas características que defini com 1,5 quilos por exemplo, ou até menos… Mas são chiques, caras e mais frágeis. Hoje em dia existe um material chamado Nylon Ultra Sil, superleve e resistente, que vai revolucionar a construção de barracas… Aguardem!

Varetas de alumínio, porque se for vareta de fibra de vidro, esquece! Fibra de vidro quebra fácil e os estilhaços podem furar a barraca e ferir alguém… Eu já vi isso acontecer! Existem até varetas de fibra de carbono, mas eu não confio, são caras e sensíveis demais a impactos laterais. Alumínio tá bom demais! Existe um alumínio chamado Featherlight (peso pluma) que é campeão! Parece cartolina de tão leve! Duro igual titânio!

Duas portas e duas varandas, porque ninguém merece ser pisoteado quando a patroa quer fazer xixi no meio da noite. E ninguém merece cheirar o chulé do brother quando vai calçar as próprias botas! Cada um do seu lado da casa e cada um com sua porta!

De nylon ripstop, ou nylon de pára-quedas, porque é superleve e se furar o rasgo não vai correr… Por isso chama ripstop (procura em um dicionário inglês-português, mané!).

Contrapiso extra, também chamado de footprint, é um pedaço de nylon mais resistente, igual ao usado no piso da barraca, que a gente estica no chão antes de erguer a barraca sobre ele. Isso protege a barraca de abrasões, perfurações e ajuda no isolamento térmico. As boas marcas já oferecem esse acessório, que considero importante. Existe materiais novos no mercado, tipos de papéis ultraresistentes, impermeáveis, que não rasgam (marcas e nomes como o poderoso Tyvek da poderosa DuPontRevlar, PowerPaper, PlasticPaper, PETpaper, etc.). É impressionante, eu já usei, é papel mas é indestrutível!

MANUAL_MÉDIAQuer saber mais? Quer ler mais dicas, conhecer melhor os diferentes tipos de equipamento, técnicas e conceitos na prática de trekking e aventura em geral? Eu escrevi, produzi, publiquei e distribuo um livro campeão de vendas na Kalapalo Editora, o MANUAL DE TREKKING & AVENTURA (clique no título para ler a resenha, aqui no blog). Esse livro foi inclusive adotado pelo MEC (Ministério da Educação) como literatura obrigatória em cursos superiores de Educação Física e Turismo com especialização em Aventura e Ecoturismo. São 136 páginas com fotos coloridas, tabelas, ilustrações e milhares de dicas importantes.

Para pesquisar roteiros clássicos de trekking no Brasil, na Patagônia e na Terra do Fogo, sugiro a coleção Guia de Trilhas Trekking…. Clique nos títulos para as resenhas:

Guia de Trilhas Trekking (Vol. 1) Trilhas mapeadas: Pedra das Flores (SP/MG), Pedra da Mina (SP/MG), Serra dos Órgãos Travessia Petrópolis-Teresópolis (RJ), Sera do Cipó Travessia Lapinha-Tabuleiro(MG), Ponta da Juatinga (RJ), Serra Fina (SP/MG/RJ) e Torres del Paine (Patagônia, Chile).

Guia de Trilhas Trekking (Vol. 2) Trilhas mapeadas: Travessia Marins-Itaguaré (SP/MG), Pico Paraná (PR), Complexo Marumbi (PR), Ilhabela Sul (SP), El Chaltém Parque los Glaciales (Patagônia, Argentina) e Dentes de Navarino (Terra do Fogo, Chile).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


MARCAS QUE APÓIAM NOSSOS PROJETOS: