MAPEAMENTO CARRETERA AUSTRAL 13

20 de dezembro de 2009

Coyhaique, Chile

19 de dezembro de 2009 / 21° dia de viagem / 6.587 km rodados

Mudança de planos. A trilha que havíamos programado fazer no Reserva Nacional Río Simpson não está em boas condições. A vegetação engoliu boa parte do caminho e os rios levaram as pontes em suas cheias.

Confesso que quando o guarda-parque me deu essas informações, enquanto espantava os dois cachorros que faziam algazarra à nossa volta latindo como loucos, fiquei com comichões… Estou sentindo falta de um pouco mais de aventura, de exploração, de incerteza. Mas a Adri me lembrou que não estamos aqui para explorar e recuperar roteiros, viemos para produzir um livro de aventura com trilhas que os leitores possam fazer. É verdade. Meia volta vou ver!

Confesso que ainda sinto um pouco de dificuldade de entender meu público, ou meu público potencial, mesmo depois de nove anos produzindo guias de trilhas. Às vezes tenho a impressão que nesse período o número total de adeptos de esportes não motorizados de trilha aumentou, mas tornou-se menos técnico e um pouco mais “preguiçoso”. Trilhas muito difíceis parecem não atrair muitos interessados. Diferente do fim dos anos 90, em especial 98 e 99, quando começou a corrida de aventura no Brasil. Naquela época o lema “quanto pior, melhor!” era lei. Saudades…

Decidimos então fazer um dia longo de trekking na bela Reserva Nacional Coyhaique, bem em frente à cidade. Trata-se de um enorme morro arredondado que se eleva quase 1.000 metros da planície dos rios Simpson e Coyhaique, com uma estranha formação rochosa no topo. Rocha podre, esfarelenta, manchada de tons pastéis.

A trilha começa do estacionamento da entrada da Reserva e é toda trabalhada em madeira reaproveitada com corrimão, sarjeta, escadas e eventuais torres de observação. Um charme! Mas muito “urbanizada”, eu achei… Mas estamos na Patagônia, não se esqueça disso! Passados quatro quilômetros entramos na trilha menos utilizada, que subia ao topo da montanha… Tudo mudou.

O frio se fez quase insuportável com o desaparecimento do sol e a chegada de um vento polar fortíssimo, com lufadas na casa dos 60 km/h (segundo minha experiência Patagônica). Ficamos cerca de uma hora expostos a esse vento e em 10 minutos minhas mãos ficaram vermelhas como pimentões e doíam como se estivessem em contato com gelo. Eu mal conseguia fazer anotações no caderno de mapeamento, abrir a fivela da pochete, apertar os botões da máquina fotográfica. Mais tarde, já no carro, quando li as anotações tive que dar risada… Parecia letra de bêbado ou criança de quatro anos.

Se tivesse chovido (e não faltavam nuvens) estaríamos em uma mega-roubada com grandes chances de hipotermia.

Essa é a Patagônia que vim buscar.

Agora vamos para o Parque Nacional Cerro Castillo fazer um trekking de 4 a 5 dias de duração. A região é repleta de rios caudalosos e grande acúmulo de gele e neve. A temporada começa e janeiro e como estamos um pouco adiantadas (fazemos todos os roteiros de trekking sozinhos nas áreas de preservação), é possível que tenhamos que usar crampões e atravessar rios com água pela cintura… E estaremos incomunicáveis pelos próximos cinco dias pelo menos.

Uma resposta para “MAPEAMENTO CARRETERA AUSTRAL 13”

  1. Anonymous disse:

    ola guilherme,
    Ja estou no ainda o terceiro dia de sua viagem…rsrsr..Como comentado ja anteriormente sobre a minha viagem solo a carretera em março/2010, se voce puder me ajudar em dicas dos camping, hostel, cabanas…as boas e aquelas que eu passe longe…Minha viagem está passeanda em ficar o máximo de barraca dormindo em postos de gasolina, posto de policia, nas fronteiras, sem stress! Ja fui assim para Ushuaia e foi super divertido. Obrigado.

    cesar
    [email protected]

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