10 de dezembro de 2009 / 12° dia de viagem / 5.279 km rodados
Seguimos viagem ainda sem farol no carro. No dia seguinte ao conserto feito em Temuco, a pane elétrica mostrou-se persistente (há que admirá-la por isso) e a viatura segue adiante apenas com as lanternas… Não viajamos à noite. Nada muito complicado com a luz do sol até às 21:30.
Muita coisa aconteceu desde o último post, com certeza. Está cada vez mais difícil conseguir sinal de internet e ainda mais complicado arranjar tempo para parar e blogar. Acordamos às 6:15 todos os dias e vamos dormir às 23:00 sem parar um minuto. Hoje, pela primeira vez desde Mendoza, teremos a tarde livre.
Em retrospecto… Saímos de Cochamó, um dos picos de escalada em rocha mais falados na América do Sul no momento. Fizemos um trekking de 20 km, ida e volta, da cidade até o Refúgio Chochamó (http://www.cochamo.com/) do casal Daniel e Silvana (norte-americano e argentina). A trilha de cavalo segue paralela ao Rio Cochamó, que se não é o rio mais bonito que já vi na vida está empatado com ganhador. O lugar é chamado de “Yosemite chileno” e é fácil entender porque.
Geleiras glaciais esculpiram o granito do vale em paredões de até 1.000 metros de face, deixando aos escaladores modernos infinitas possibilidades. A primeira vez que ouvi falar sobre o lugar, se bem me lembro, foi em janeiro desse ano quando estava em El Calafate, Argentina. Comprei um exemplar de uma bela revista de escalada argentina e nela, para minha surpresa, havia um artigo do Chiquinho, escalador de Curitiba, falando de Chochamó. Nove meses depois eu aterrisei no lugar.
Antes de Cochamó estivemos em Puerto Varas e Puerto Montt. A primeira, uma cidade impecável, charmosa, encantadora e muito turística. A segunda, um porto de desova de salmão que enriqueceu muito rápido e não soube melhorar com o dinheiro. Puerto Montt é o marco zero da Carretera Austral e, portanto, parada obrigatória nesse projeto, mas não oferece muito mais ao visitante que o número da quilometragem inicial da carretera.
Em Puerto Montt fizemos também um trekking de três dias no Parque Nacional Alerce Andino. A idéia inicial era caminhar dois dias apenas, mas começamos tarde e estendemos a permanência entre as milenares árvores em extinção. Existem alerces de 4.000 anos de idade, crescendo a um ritmo de 1 mm por ano e amplamento explorados por sua madeira quase indestrutível. Para se ter uma idéia, os lenhadores do passado (não muito antigo) ateavam fogo a imensos bosques matando tudo, inclusive os alerces, mas quando derrubavam as gigantescas árvores, algumas com 70 metros de altura, e arrancavam as cascas, a madeira estava intacta.
Pode soar como viadagem minha, mas a proximidade com essas criaturas monumentais faz alguma coisa estalar no meu peito. Não é apenas a sensação de insignificância e miniatura, é uma saudade de uma comunicação que se perdeu. É como se eu me lembrasse de um passado no qual essas árvores e eu conseguíamos nos entender e eu pudesse aprender um pouco com elas. Como disse a Adriana quando estávamos em torno do maior alerce que vimos no trekking: “imagina quanta história essa árvore não tem para contar?”
Como tínhamos tempo de sobra no parque, aproveitamos o sol e nadamos no gelado Rio Sargazo.

Gui e Dri, estou seguindo passo a passo…. algum tempo sem notícia, como foi agora, faz a maior falta e uma curiosidade imensa de saber por onde vcs andam…. esta aventura de acompanhá-los tem sido, então, uma viagem!! Grande beijo,
Ana (Patitucci)