Durante a CAPE WRATH TRAIL, a Trilha Cape Wrath, considerada “a travessia mais difícil da Grã-Bretanha” – um roteiro de trekking de 450 km de extensão que realizei solo, cruzando de sul a norte as Highlands da Escócia (fotos: https://www.kalapalo.com.br/index.php/fotosf/fotos-cape-wrath-trail-highlands-escocia/) (vídeo no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=1wH5ta_Jlko)–, tive a oportunidade de testar uma mochila cargueira da marca norte-americana Osprey.
Fundada em 1974, na Califórnia, a marca logo se estabeleceu no mercado como referência em qualidade e inovação. Em 2001, uma mochila Osprey, modelo Atmos, apareceu na capa da consagrada revista TIME, nas costas de Erik Weihenmayer, o primeiro cego a chegar ao cume do Monte Everest. Na CAPE WRATH TRAIL usei, coincidentemente, uma Osprey Atmos AG 65 (https://www.osprey.com/us/en/product/atmos-ag-65-ATMOS65.html).
Minha primeira impressão da mochila, quando a peguei nas mãos pela primeira vez ainda no Brasil, foi de desconfiança. “Um equipamento tão leve não pode ser confiável”, foi o que pensei. Mas muito antes do fim da longa travessia escocesa, minha opinião era outra e eu questionava: “Por que as outras marcas de mochila que eu já usei eram tão pesadas?”.
Pesando apenas 2 kg vazia, tudo nessa mochila lembra minimalismo. As fivelas, por exemplo, são diminutas se comparadas com as robustas fivelas mais convencionais. E isso é uma verdadeira ruptura de paradigma, porque fivelas menores são efetivamente mais resistentes e não o contrário. O mesmo vale para as fitas e zíperes que não precisam suportar tanta pressão.
Uma questão que invariavelmente preocupa quem faz trekking ou montanhismo é o conforto. Carregar peso nas costas pressupõe que a mochila tenha que ser superacolchoada, não é mesmo? Pois aqui a Osprey novamente rompe paradigmas e se alinha com o que há de mais moderno em trekking: o conceito de “trekking ultraleve”… Quanto mais leve caminhamos, mais tempo conseguimos permanecer na trilha, mais longe mais rápido vamos.
Nas costas, a Osprey Atmos AG 65 se mostrou confortável e estável. Como o material do corpo da mochila é também leve, sem comprometer resistência, a compressão fica mais fácil e a mochila adere melhor ao corpo do caminhante. Minha Osprey se mostrou muito estável no terreno irregular, pedregoso, encharcado e difícil das Highlands da Escócia.

Reservatório de 3 litros, com um inteligente e prático suporte e pegador para facilitar o manuseio na hora de encher e guardar na mochila.
Se eu fosse fazer uma única crítica construtiva, seria em relação ao sistema de ajuste da fita da barriga, o engenhoso e simples sistema Anti-Gravity Fit-On-The-Fly. Trata-se de velcros que seguram a barrigueira da mochila no lugar e permitem que o usuário aperte ou afrouxe essa fita que segura a mochila no quadril do caminhante. Como eu carregava cerca de 25 kg nessa travessia – comida para uma semana de caminhada, equipamento de filmagem e todo o resto da tralha de acampamento -, era importante que a barrigueira ficasse extremamente apertada para evitar instabilidade no terreno difícil e diversas vezes quando tentei esse ajuste o velcro perdia aderência e deixava a barrigueira frouxa. Um problema facilmente resolvido com algum tipo de trava.
A Osprey vai continuar comigo no PROJETO HIGHLANDS e outro modelo da mesma marca vai me acompanhar na travessia de leste a oeste das Highlands da Escócia, dessa vez numa mountain bike dupla, uma tandem, em abril/maio próximos.
NOTA: Essa viagem, esse trekking semi-selvagem de longa distância, está descrito sob forma de literatura de viagem, com mapas e fotos coloridas, no livro HIGHLANDS, POR BAIXO DO SAIOTE ESCOCÊS, de Guilherme Cavallari, disponível no site da Kalapalo Editora: https://www.kalapalo.com.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=139.





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