BIKEPACKING: KIT DE MECÂNICA DE EMERGÊNCIA

4 de agosto de 2016

BIKEPACKING: KIT DE MECÂNICA DE EMERGÊNCIA

texto e fotos: Guilherme Cavallari

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Sugestão de Kit de Mecânica de Emergência para bikepacking de Guilherme Cavallari. Segurança para pedaladas curtas e expedições épicas.

Por definição, o conceito de bikepacking (texto de apresentação: bikepacking – introdução e conceitos) exige o máximo de “autossuficiência” do ciclista, inclusive quando tudo parece dar errado. Ou melhor, especialmente quando tudo dá errado, porque é justamente na capacidade de resolver problemas que grande parte da tal “autossuficiência” se resume. E muita coisa pode dar errado numa viagem de mountain bike! Leia também o texto sobre tipos e estilos de bikepacking.

A regra de ouro em esportes de aventura é “estar preparado” e esse artigo foi pensado para ajudar nessa preparação. Não importa se o roteiro proposto é uma pedalada de algumas poucas horas ou uma travessia de vários meses de duração, é preciso estar pronto para solucionar problemas mecânicos na bicicleta! Para isso é preciso um Kit de Mecânica de Emergência (KiME) eficiente e confiável. Mas como o tema principal aqui é bikepacking, nosso KiME também será leve, compacto e multifuncional.

Obviamente, de nada vale carregar ferramentas se não sabemos usa-las! Alguém com bons conhecimentos de mecânica de bicicleta consegue consertar uma bike com fio dental e chiclete. Alguém sem noção alguma não remenda um pneu mesmo se tiver uma oficina completa nas mãos. Assim, invista no equipamento e, na mesma proporção, invista em conhecimento! Faça um curso de mecânica básica no seu bike shop favorito, peça aulas a amigos mais experientes, assista a vídeos na internet, esteja preparado!

Dito isso, vamos ao nosso KiMe de bikepacking, dividido aqui em cinco partes para facilitar o entendimento…

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Sugestão de Kit de Remendo, por Guilherme Cavallari, para bikepacking…

1) KIT REMENDO. Aqui vale uma ressalva: pneus sem câmaras de ar (tubeless) serão tratados separadamente em outro artigo, pois necessitam de um kit específico e técnicas especiais de reparo. Mas mesmo quem usa pneus sem câmara de ar precisa levar câmaras em seu KiME e precisa remendar essas câmaras se necessário, então esse item serve para todos os ciclistas.

O kit remendo é composto de: remendos de diversos tamanhos, cola, lixa, espátulas, câmaras de ar reserva e bomba de ar.

DICAS: Particularmente, não gosto de remendos adesivos, prefiro o tubo de cola separado por achar mais confiável. A bomba de ar pode ser de dupla função, para Alta Pressão (High Pressure) e Alto Volume (High Volume), ou seja, útil para pneus e suspensões com regulagem de ar, assim evita-se levar duas bombas na pedalada. Prefiro levar tudo protegido dentro de algum recipiente de transporte (mochila, bolsa de selim, etc.) em vez de levar preso na bike. Já vi muita gente perder ou inutilizar a bomba de ar presa ao quadro da bicicleta, então levo meu KiME completo todo junto e devidamente protegido, inclusive da chuva e do barro.

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Kit de Ferramentas para bikepacking, sugestão de Guilherme Cavallari

 

2) KIT DE FERRAMENTAS. Diferentes marcas ou modelos de bicicletas, com diferentes peças, podem exigir diferentes ferramentas de reparo e manutenção. Basicamente, toda bike tem três tipos de parafusos: fenda, Phillips e Allen. Alguns modelos de bike têm ainda um quarto tipo: estrela. Assim, um kit compacto de ferramentas, como por exemplo o Allien III da Topeak, pode solucionar boa parte da equação por possuir todas as chaves num único jogo, além de diversos outros itens.

Considero um kit de ferramentas completo se ele tiver: chave de fenda, chave Phillips, jogo de chaves Allen, extrator de corrente, chave de raio adequado à roda, alicate e lâmina.

DICAS: Prefiro alicates dobráveis por serem mais leves e compactos. O modelo Skeletool CX, da Leatherman, é dos mais leves e compacto que conheço, tem uma excelente lâmina de 6 cm e nunca me deixou na mão. O canivete multiferramentas Allien III da Topeak tem alguns itens importantes que fazem a diferença, como: um pequeno arame de gancho duplo perfeito para segurar a corrente da bike na hora do trabalho e um espaço para guardar pinos de corrente (que não vem com o alicate, precisam ser comprados separadamente). Assegure-se que você tem a chave correta para os raios das suas rodas! Existem diversos tipos diferentes de nipples (porcas de raios) e às vezes é preciso adquirir a ferramenta apropriada à parte.

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Kit de Lubrificação para bikepacking, sugestão de Guilherme Cavallari.

3) KIT DE LUBRIFICAÇÃO. Simplesmente: um trapo velho ou semelhante, óleo lubrificante da sua escolha em quantidade apropriada (nunca em demasia) e uma escova de dentes velha ou semelhante.

DICAS: Carregue seu kit de lubrificação protegido em um pequeno saco plástico resistente e escolhido só para esse fim. Depois de algum uso, trapo e escova de dentes ficam impregnados de óleo velho e com certeza irão sujar tudo o que tiver contato com eles! O óleo deve ser transportado em vasilhame apropriado, com tampa de boa vedação!

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Kit Multiuso para bikepacking, sugestão de Guilherme Cavallari.

4) KIT MULTIUSO. É assim que chamo um grupo de itens que podem servir tanto para resolver problemas mecânicos na bicicleta, consertar uma barraca de acampamento ou inventar um filtro d’água. Qualquer coisa.

Cada ciclista desenvolve seu próprio kit multiuso e só a experiência pode servir de guia, mas para começar vale levar: pedaços de diversos tamanhos de tiras de borracha cortadas de câmaras de ar velhas, fitas zip-tie de diversos tamanhos e grossuras, dois metros de algum tipo de fio resistente, duas fitas com presilhas de metal do tipo usado antigamente em firma-pés, Silvertape e dois mosquetões de escalada.

DICAS: As fitas zip-tie podem ser transportadas dentro do canote de selim. Alguns metros de Silvertape pode ser enrolados, por exemplo, no cabo da escova de dentes do kit de lubrificação ou até no próprio quadro da bike, fios de kevlar são extremamente resistentes e úteis, mosquetões de alumínio são muito mais leves que mosquetões de ferro e os extensores de fitas de tecido com fechos de plástico resistente ou metal, da marca Sea to Summit, são fáceis de encontrar e são multiuso. Eles também podem ser usados na fixação de bagagem na bicicleta, como será ilustrado num próximo artigo.

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Kit de Peças Sobressalentes para bikepacking, sugestão de Guilherme Cavallari.

5) Kit de peças sobressalentes. A cada 1.500 km percorridos é aconselhável trocar a corrente da bicicleta por outra nova. Pastilhas de freio a disco podem ser completamente consumidas num único dia de chuva. O câmbio traseiro fica preso a uma pequena língua de metal flexível fixa no quadro da bike chamada de “gancheira”, uma peça feita para quebrar. Basta que um raio da roda quebre para toda a roda empenar. Um cabo de câmbio partido pode inviabilizar uma viagem…

Apesar das inúmeras possibilidades de pane mecânica, não é necessário carregar um monte de peças sobressalentes numa cicloviagem. As peças sobressalente kit de peças sobressalentes básico é composto de três itens indispensáveis: corrente reserva para cada 1.500 km programados, alguns pares de pastilhas de freio e uma ou duas gancheiras extras.

DICAS: Comece a cicloviagem ou ciclo-expedição com todas as peças e partes da bicicleta novas e a bike revisada! Essa é a melhor política para evitar problemas mecânicos e não precisar de peças sobressalentes. Leve mais pastilhas de freio reserva, em abundância, se o destino escolhido for especialmente úmido. A relação da bike, composta pela corrente e todas as marchas, não dura infinitamente e depois de três correntes novas é aconselhável trocar toda a relação. Programe-se para isso! Bikes com peças especiais, como uma tandem (bike dupla), que tem um cabo de câmbio traseiro extralongo, exigem cuidados especiais. Leve sempre essas peças especiais em seu kit de peças sobressalentes.

SUGESTÕES DE LITERATURA COMPLEMENTAR:

MANUAL DE MOUNTAIN BIKE & CICLOTURISMO, de Guilherme Cavallari, livro referência no mercado brasileiro sobre técnicas, conceitos e equipamento. TRANSPATAGÔNIA, PUMAS NÃO COMEM CICLISTAS, de Guilherme Cavallari, narrativa de uma expedição solo, autossuficiente, autônoma e independente de mountain bike de seis meses de duração e 6.000 km de extensão por toda a Patagônia e Terra do Fogo.

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Guilherme Cavallari durante a Expedição Transpatagônia, de seis meses de duração e 6.000 km de extensão.

SOBRE O AUTOR:

Guilherme Cavallari fundou dirige a KALAPALO EDITORA desde 2001, empresa pioneira e líder de mercado em publicações impressas no segmento aventura brasileiro. Autor e editor de 17 livros com técnicas, conceitos, equipamento e mais de 16.000 km de roteiros para mountain bike e trekking minuciosamente mapeados e fotografados. Coautor do premiado filme-documentário TRANSPATAGÔNIA, disponível no NetFlix, Canal Brasil, Google Play e I-Tunes. Vive em Gonçalves (MG), na Serra da Mantiqueira, onde mantém o REFÚGIO KALAPALO, uma escola de aventura e abrigo de montanha a 1.585 m de altitude entre bosques de araucárias e aos pés de uma das mais altas montanhas do Brasil, o Pico da Pedra Bonita (2.070 m). Nas horas vagas explora em mountain bike e trekking e, se sobra tempo, trabalha de vez em quando.

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