CHECKLIST: EQUIPAMENTO PARA CICLOVIAGEM LONGA

12 de julho de 2009

Muita gente me pergunta que equipo eu uso quando passo dias e dias pedalando sozinho por aí, mapeando trilhas para os livros…

Na foto está todo o equipamento que utilizei de 4 a 8 de julho, para mapear a segunda etapa do Guia de Trilhas cicloMANTIQUEIRA, próximo livro da Kalapalo Editora (lançamento previsto para setembro/outubro).

Foram cinco dias de pedal percorrendo (e procurando) as estradinhas de terra mais tranquilas, bonitas e interessantes interligando toda a Serra da Mantiqueira. Dessa vez pedalei: Itajubá – Delfim Moreira – Marmelópolis – Passa Quatro – Itamonte – Itanhandu – Virgínia – Maria da Fé – Itajubá. Total de 216 quilômetros.

A primeira etapa já havia sido mapeada no começo de junho, interligando Extrema – Joanópolis – Monte Verde – Gonçalves – São Bento do Sapucaí – Brazópolis – Itajubá – Campos do Jordão – Sapucaí Mirim – São Francisco Xavier – Joanópolis – Extrema. Um total de 410 quilômetros pedalados em nove dias e com exatamente o mesmo equipo.

As próximas etapas farão a conexão a partir de Itamonte e percorrendo as regiões de Visconde de Mauá, Ibitipoca e Aiuruoca. O livro será lançado em setembro/outubro. Aguardem!

Todas as quatro etapas juntas formarão o maior roteiro de mountain bike do Brasil e um dos maiores do mundo, previsto para ter 33 dias de pedal e mais de 1.000 quilômetros de extensão. O cicloviajante poderá percorrer apenas um dia (que corresponde a um capítulo do livro) seguindo de uma cidade a outra, ou pedalar dois ou mais trechos em um final de semana ou feriado, ou fazer um dos quatro elos previstos para o percurso separadamente (o desenho da cicloMANTIQUEIRA será uma corrente de quatro elos) ou ainda pedalar o percurso inteiro de uma só vez… Coisa de biker com B maiúscula!

Existem várias formas de percorrer grandes distâncias de mountain bike. Resumidamente, elas se dividem assim..

1) 100% autosuficiente, carregando barraca, saco de dormir, toda a comida e equipo. Para isso é preciso usar alforjes ou um bike trailer. A cicloMANTIQUEIRA pode ser feita assim, mas não é preciso porque cada dia de pedal, cada capítulo do livro, conectará uma cidade a outra. Todas com estrutura de hospedagem e alimentação.

2) 100% dependente, com carro de apoio. Implica em gastos elevados tanto de combustível quanto de logística, já que alguém terá que dirigir o carro durante o trajeto. Mas nesse estilo o cicloviajante vai bem leve, apenas com o mínimo necessário para o dia de pedal, como água, lanche, ferramentas básicas e capa de chuva.

3) Meio-autosuficiente ou “cicloturismo esportivo”, como faço a maior parte do tempo e publico em meus livros. Durmo e me alimento nas cidades, em pousadas e restaurantes, sem carro de apoio e muitas vezes sem acompanhantes ciclistas, infelizmente. Levo o mínimo possível e, na minha preferência, tudo em uma mochila confortável e eficiente nas costas. Não uso alforjes porque acho que eles interferem no tipo de pedal que gosto – mais atlético e esportivo, sem paradas para descanso porque já paro muito para mapear e fotografar. Prefiro economizar no volume e quantidade de roupa e equipamento, ser minimalista, assim consigo subir as serras mais rápido e aproveitar melhor as descidas depois. Dor nas costas? Resolvo isso com treinos regulares – na bike, na academia e fazendo yoga. O resultado é que viajando com pouquíssima bagagem eu pedalo mais leve, mais rápido, mais forte e por menos horas a cada dia… Sobra mais tempo para aproveitar cada cidadezinha visitada.

Para vocês terem uma idéia, minha mochila pesava 6,6 kg (sem água) no primeiro dia de viagem. Quer detalhes? Veja meu checklist abaixo. Qualquer dúvida, comente ao final do texto e eu responderei assim que possível, ou escreva diretamente para mim: [email protected]

CHECKLIST

  • Bike completa (limpa e revisada, com relação e pastilhas de freio novas) com  ciclocomputador aferido (levo dois para garantir)
  • Mala-bike (recomendo da marca CURTLO, para ficar na cidade onde o roteiro começa e termina – recomendável apenas para roteiros circulares!)
  • Capacete de ciclismo em perfeito estado
  • Óculos de sol esportivo  com proteção UV (caixa protetora rígida recomendada)
  • Luvas de ciclismo (dedos inteiros ou meio-dedo, tanto faz)
  • Faixa antisuor (eu uso e recomendo)
  • Sapatilhas de ciclismo (eu uso e recomendo muito, ao invés de pedais plataforma e calçados normais)
  • Mochila de aproximadamente 30 litros com capa de chuva e sistema de hidratação (recomendo a DEUTER TRANSALPINE 30, leia análise do produto aqui no BLOG)
  • 02 bretelles (bermudas de ciclismo com “suspensórios”, mais confortáveis que bermudas simples)
  • 02 camisetas de ciclismo de manga comprida (melhor que mangas curtas por protegerem mais a pele)
  • 02 pares de meias de ciclismo
  • Uma cueca (não uso cuecas para pedalar)
  • Bloqueador solar e protetor solar labial (mínimo FPS 30 para os dois)
  • Kit mecânica de emergência (2 câmaras novas, remendos, cola, lixa, 3 espátulas, bomba de ar para pneus, bomba de ar para suspensão se for preciso, óleo lubrificante especial para bicicletas, chave de raios, alicate dobrável,  chave de corrente, jogo de chaves Allen, 12 zipties, um rolo de Silvertape, um trapo velho e limpo, pastilhas ou sapatas de freio reserva e vários pedaços de câmeras velhas e inúteis de bicicleta cortados em tiras de diversos tamanhos)
  • Bolsa de selim (para transporte de todo o kit de mecânica de emergência (melhor do que levar esse peso nas costas, dentro da mochila)
  • Jaqueta corta-vento ultraleve (recomendo a KAILASH SKIN)
  • Jaqueta impermeável e respirável
  • Legging de lycra ou qualquer outra calça ultraleve, compacta, de tecido sintético para usar fora da bike
  • Blusa de Fleece (para o inverno somente)
  • Meias para uso fora da bike
  • Sandálias ou outro calçado ultraleve, compacto, para uso fora da bike (recomendo as CROCS tradicionais, mais leves que Havaianas)
  • Kit higiene pessoal (escova e pasta de dentes, fio dental, sabonete, cortador de unhas, desodorante e meio rolo de papel higiênico em saco plástico)
  • OPCIONAL: Kit primeiros socorros simples em bolsa estanque ou saco plástico (material e medicamentos básicos de uso pessoal como: anti-histamínico, analgésico e antitérmico, gaze, Band-Aids, esparadrapo, vaselina, termômetro, purificaror de água à base de cloro, colírio, etc.)
  • Celular com carregador (equipamento de segurança)
  • OPCIONAL: GPS (recomendo o GARMIN 62 S)
  • Pilhas e baterias extras
  • Máquina digital (recomendo que seja à prova d’água e choque)
  • Lanterna de cabeça
  • Farol para a bike e pisca-pisca traseiro
  • Caderneta de anotações com canetas e lápis reserva
  • Relógio de pulso (recomendo o SUUNTO VECTOR que tem bússola digital, altímetro, barômetro, termômetro, alarmes, cronômetro, etc.)
  • Sacos estanques de 1 e 2 litros para compactar, organizar e proteger todo o equipamento e roupas dentro da mochila (recomendo o SEA TO SUMMIT ULTRASIL que são mais leves)
  • Carteira (documentos, cheques, cartões de crédito, cartão telefônico, dinheiro trocado, cartão do seguro saúde, etc.)
  • OPCIONAL: Cópias P/B das cartas topográficas da região
  • Saco plástico de 10 litros resistente para roupa suja e afins

Todos os dias eu pedalo com o mesmo conjunto de roupa de ciclismo (meu recorde é nove dias consecutivos), o segredo é caprichar no desodorante. O jogo extra de roupas de bike fica protegido em um saco estanque para uma eventual necessidade (sujeira extrema, acidentes, chuva torrencial, etc). O conjunto de roupa para uso fora da bike (sintética, térmica, de secagem rápida, superleve e confortável) eu uso à noite nas cidades, junto com as sandálias CROCS. No verão esse conjunto é substituído por um calção, uma camiseta e um par de sandálias HAVAIANAS (mais arejadas que as CROCS). A jaqueta de Gore Tex eu só uso se cair uma tempestade. Nunca pedalo de calças compridas impermeáveis porque elas atrapalham o movimento das pernas na bike. Para me proteger do frio o corta-vento da KAILASH resolve (ultraleve) e se o frio apertar, basta pedalar mais forte… Na pochete eu carrego a máquina fotográfica digital e o material de mapeamento, mas a pochete é opcional. O GPS vai preso na alça da mochila a altura do peito ou no guidão da bike, sempre à mão. As ferramentas vão todas na bolsa de selim. O resto vai tudo na mochila, organizado e protegido em sacos estanques.

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