Sair de São Paulo para viver em uma fazenda na Serra da Mantiqueira, sem telefone, sinal de celular ou internet, não é apenas uma mudança de CEP… É uma mudança de estilo de vida. Com esse estilo vem uma filosofia, caso contrário seria simplesmente modismo, superficialidade…
Nossa filosofia de vida – minha e da Adriana, minha companheira de vida e projetos – inclui princípios aprendidos, testados e aprovados também em expedições exploratórias de trekking pela Patagônia. Já fizemos várias. Conceitos como autossuficiência, independência, criatividade, reciclagem e simplicidade são alicerces na construção dessa nova vida…
Nossa casa hoje é um refúgio de montanha e um campo escola de aventura aberto a todos. Decorar esse espaço é também manifestar nossos ideais e filosofia de vida… Assim, que as fotos abaixo ajudem nossos futuros visitantes a conhecer melhor nosso espaço externo (nossa casinha na montanha) e nosso espaço interno (nossos valores e ideais)…
Bem-vindos, podem entrar… A casa é sua!

Essa é visão ao entrar em casa… Os sofás de metal foram construídos pelo irmão da Adriana, meu cunhado e amigo Rodrigo Braga… O tapete em frente deles é de sisal e feito por artesão de Minas Gerais, a mesinha entre elas é na verdade uma caixa de madeira que encontrei em uma caçamba de entulho…

O tapete de couro de vaca vem de Gramado (RS) e antes que alguém grite, é ecológico já que grande parte do couro de vacas abatidas para bife vira lixo depois… A bancada eu fiz recentemente de vigas de peroba de demolição, retiradas do telhado velho da minha casa em São Paulo. O pé é uma mesa de serra horizontal encontrada na fazenda onde moro agora, abandonada e pronta para virar lenha… A hélice é presente de um amigo aviador, Bill Presada, feita no IPT na USP provavelmente na década de 70…

Ao lado da bancada, uma serra aposentada da serraria e, controlando tudo, a carranca que eu trouxe de Juazeiro (BA), numa viagem que fiz no fim da década de 80, de carona em caminhões de São Paulo a Belém (PA) ida e volta. Os caminhoneiros brincavam comigo e diziam: “ou eu levo você ou a carranca”…

Desse outro ângulo, além dos sofás de metal, lareira e carranca, dá também para ver a cristaleira estilo “farmácia antiga”, que a Adriana herdou da avó dela, uma velhinha mateira e serelepe que tive o imenso prazer de conhecer e conviver por alguns anos. Aos 80 anos, ela subia no telhado para arrumar as telhas, hehehe…

A sala de estar tem um sofá também feito por meu cunhado, Rodrigo Braga, com almofadas artesanais de MG, e outro sofá, comprado já bem usado de outro grande amigo, Fernando Olinto… O tapete é de sisal e chenile, feito artesanalmente em teares manuais na cidade de Campanha (MG)… As mesinhas laterais são carretéis de cabo elétrico que peguei em caçambas de construções de São Paulo, apenas lixei, envernizei e instalei rodízios nas bases…

Sobre uma das mesinhas laterais… Um abajur feito pelo pai da Adriana a partir de um conta-giros industrial fabricado na Alemanha, por encomenda de uma indústria de Manchester, na Inglaterra, há muito tempo atrás… O barquinho de casca de lenga veio conosco da Terra do Fogo, é uma réplica exata das canoas dos índios Yamanas, feito pela filha da última índia 100% Yamana que viveu…

Sobre a outra mesinha lateral de carretel de cabo elétrico o destaque é uma ossada de baleia, provavelmente jubarte, encontrada por mim e Adriana na Baia Windhond em janeiro de 2013, no extremo sul da Ilha Navarino, na Terra do Fogo, Chile, em frente ao Cabo Horn…

Em frente aos sofás fica a TV, um resquício dos nossos tempos urbanos, que nem funciona ainda porque não temos parabólica, mas que serve para assistir a algum DVD sábado á noite… A pá de remo foi garimpada em um antiquário especializado em artigos náuticos (Ponto Náutico, no Itaim, em São Paulo), totalmente de madeira, provavelmente da década de 50 ou anterior… A estante de CD comprova que somos velhos, hehehe, hoje em dia caberia tudo em um único pendrive…

Abaixo da TV estão esses dois copinhos de pinga, com microesculturas feitas pelo meu amigo e guia em Passa Quatro, um dos maiores especialistas em Serra Fina, Guto, que também é um grande artista…

Sobre a estante de CD está um buda de madeira da tradição Theravada, provavelmente trazido da Tailândia e presente de casamento para mim e para a Adriana… E uma belíssima árvore feita de fios de arame, feita por uma artesão de Santiago do Chile, exemplificando uma árvore deformada pelo vento patagônico…

Nossa sala de jantar tem por base a mesa de mármore que pertenceu ao meu avô, adquirida por ele da família Matarazzo. Desde que me entendo por gente essa mesa tem me alimentado e lembro da minha avó fazendo massa de capeletti nela…

Esse lustre eu fiz a partir de um escorredor de macarrão grande, que encontrei empoeirado em uma loja do Brás. Nem preço tinha porque parecia inútil. O acabamento para o fio, no teto, eu fiz a partir do fundo de uma latinha de cerveja, que eu tomava enquanto fixava o lustre…

Esses dois sifões, tradicionais garrafas com água gaseificada presente em toda boa mesa argentina do passado (eu sei bem disso porque meu avô era argentino), foram garimpados e duramente barganhados na Argentina…

Entre os livros da Biblioteca Aventura, um maçarico de carbureto, sueco, provavelmente do começo do século XX. Atrás dele, o único disco em vinil que não consegui me desfazer, o sensacional “Nó Caipira” do Egberto Gismonti, nunca lançado (até onde eu sei) em CD…

Mais livros e um casal de índios Mapuche, dos pampas argentinos, entalhados em madeira e adquiridos em Puerto Montt, no Chile, numa ótima feirinha de artesanato. As duas rochas, grandes e pesadas, eu arrastei no fundo da mochila, uma do acampamento D’Agostini, aos pés do Cerro Torre, em El Chaltén, e a outra do Valle del Silencio, lugar restrito de Torres del Paine…

Toda a lateral da sala de estar e da sala de jantar é contornada pela minha Biblioteca Aventura. São centenas de livros em vários idiomas, a maioria já lida por mim e muitos resenhados no meu site…

Quem já esteve na Patagônia sabe bem o que é isso. Um fungo que nasce nas árvores e que dá um fruto comestível chamado localmente de “Pan de Indio”, base de carboidrato dos índios da Patagônia e da Terra do Fogo…

Nossa pequena lareira de pedra só queimou minhas agendas velhas até agora. O cesto de lenha foi encontrado em um galpão no centro de Gonçalves, era usado para catar pinhão…

Nossos dois quartos de hóspedes têm beliches construídos por mim (madeira) e pelo meu cunhado Rodrigo Braga (ferro), sólidos e pesados. Os colchões são obra minha e da Adriana, compramos as espumas, que eu cortei, e ela mandou fazer as capas. Os lustres são de fibra de bananeira, produto artesanal tradicional de São Bento do Sapucaí. A serra pendurada na parede foi encontrada na serraria abandonada da fazenda onde vivemos, eu envernizei e agora elas só decoram paredes, não cortam mais árvore alguma…

A cozinha é reduto intocável da Adriana, que cozinha como a Tia Anastásia (embora quem levava a fama era a Dona Benta). Nesse espaço eu dou sempre a última palavra, que é invariavelmente “sim, meu amor”…

Os lustres no teto da cozinha eu fiz a partir de pequenos escorredores de macarrão, comprados no Brás, em São Paulo…
Para saber mais detalhes sobre o REFÚGIO KALAPALO, acesse o link: https://www.kalapalo.com.br/index.php/clube/conheca-o-refugio-kalapalo/



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