HIGHLANDS DE TANDEM… HISTÓRIA, PRÉ-HISTÓRIA E UM POUCO DE MARESIA

18 de maio de 2016
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Por do sol no “bothy” The Lookout, onde passamos uma noite protegidos do frio e do vento do Atlântico Norte.

Chegamos a Stornoway, capital da grande Ilha de Lewis, e completamos 708 km pedalados em 18 dias ininterruptos de viagem. Daqui zarpa a moderna balsa para veículos e passageiros que nos levará a Ullapool, de volta ao corpo principal da Escócia e o trecho final de nossa cicloviagem. Comecei a escrever dentro da embarcação, um grande navio de 117,9 metros de cumprimento, que atravessa o agitado pedaço de mar conhecido como The Minch.

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Lukenstyre, uma praia de areias brancas e mar turquesa, fica nas Highlands da Escócia e os banhistas, como nós, vestem gorros e cachocóis, hehehe

Comecei a escrever e tive logo que parar porque meu estômago resolveu falar mais alto que meus pensamentos… Ou eu parava de escrever no mar ou logo cobriria o teclado do notebook de restos mal digeridos de um quiche de queijo, cebola e bacon. O texto foi terminado em terra firme, em Ullapool, onde estive em novembro enquanto fazia a Cape Wrath Trail.

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The Blackhouse Village, a vila de pescadores fundada no começo do Século XIX, onde nos hospedamos por uma noite na Ilha de Lewis, nas Highlands da Escócia.

Segundo nossa programação original, Stornoway seria o fim da nossa jornada de bike, mas como decidimos estender o pedal até Inverness, teremos ainda mais 100 km partindo de Ullapool. E a previsão do tempo diz que teremos muita chuva no caminho…

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Adriana dormindo no “bothy” The Lookout, ao norte de Uig, na Ilha de Skye, nas Highlands da Escócia… Esse beliche era todo o espaço disponível para dormir no pequeno barracão.

Desde o último post no blog, sete dias atrás, fizemos muita coisa… Terminamos de cruzar a Ilha de Skye, visitamos a Ilha de Harris e cruzamos quase toda a extensão da Ilha de Lewis de sul para norte e toda sua extensão de oeste para leste. O arquipélago onde essas ilhas todas estão localizados é conhecido como as Ilhas Hébridas (The Hebrides Islands, em inglês) e soma mais de 100 ilhas localizadas a oeste e noroeste do corpo central da Escócia. Essa região foi dominada pelos celtas, pelos vikings e finalmente pelos ingleses. E todos deixaram suas marcas.

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Num longo dia de mais de 50 km de vento contra, frio e ameaça de chuva, paramos para comer nosso lanche nesse ponto de ônibus e nos proteger do clima por 15 minutos…

Na Ilha de Harris visitamos praias de areias brancas e águas de cor turquesa que pareciam tropicais, até a gente colocar o pé n’água… Na Ilha de Lewis fomos conhecer Callanish, um círculo de monólitos, de pedras colocadas em pé há 5.000 anos, por uma civilização extinta e que não deixou muitos outros vestígios… Na mesma e não muito distante do círculo de pedras, conhecemos um Broch, uma complexa construção vertical da Idade do Ferro (entre 1.200 AC e 1.000 DC), feita de pedras sobrepostas sem nenhum tipo de cimento que alcançava até 15 m de altura. Dentro, esses “edifícios” primordiais continham plataformas de madeira formando andares com corredores circulares no interior de sua estrutura interna de paredes duplas… E ainda na mesma região, na costa oeste da ilha, ficamos hospedados numa antiga vila de Blackhouses (“Casas pretas”, em português) onde pescadores viveram do começo do Século XIX até a década de 1970. O lugar foi restaurado para se transformar numa pousada com chalés e um albergue.

Enquanto os egípcios construíam as pirâmides de Giza, um povo extinto erguia círculos de pedras onde hoje é estão as Highlands da Escócia… Caillanish é um dos mais importantes monumentos pré-históricos desse canto do mundo.

O clima foi gentil conosco até agora. Passada a onda de calor e céu aberto, voltamos a conviver com céu nublado e ameaça de chuva. A temperatura está sempre bem perto de 10˚ C, que é ótimo para pedalar se não houver muito vento e se não chover. A bike continua firme e forte, apresentando os mesmos probleminhas mecânicos de pedivela disco dianteiro de freio soltos, que eu aperto de tempos em tempos. O pneu traseiro já perdeu mais da metade da vida, em apenas 700 km, enquanto o dianteiro ainda apresenta os “pelinhos” de quando era zero quilômetro.

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Ruínas de um “Broch” próximo a Caillanish, na Ilha de Lewis, nas Highlands da Escócia. Um excelente exemplo de uma construção importante da Idade do Ferro.

Adriana e eu estamos saudáveis (ouso dizer “cada dia mais saudáveis”, se isso é possível) e felizes um com o outro. Em viagens anteriores juntos já ficamos mais estressados e nos desentendemos mais. Acho que o cansaço físico ao fim de cada dia e o trabalho em equipe que a tandem exige de nós acalma os ânimos e promove a compaixão. Eu sei a dor que ela sente na bunda porque minha bunda também dói. Ela sabe que a musculatura que dói nela também dói em mim. Enfim, agora não só o amor, mas também dor nos une.

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Difícil acreditar que uma praia de aparência tão tropical seja tão fria e esteja nas Highlands da Escócia… Lukenstyre fica na Ilha de Harris e já foi confundida com a Tailândia.

Nossa cicloviagem juntos está chegando ao fim. Aos poucos imagens e sensações mais marcantes vão ocupando lugares de destaque na minha memória, flashes de cenários e cenas vão sendo emoldurados e pendurados na galeria da minha mente, mas uma cena rápida vive se repetindo no meu pensamento…

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Vista das falésias próximas ao The Lookout, o “bothy” onde dormimos ao norte de Uig, na Ilha de Skye, nas Highlands da Escócia…

Estávamos na cidade portuária de Tarbet, na Ilha de Harris, no último dia de sol escancarado no céu que tivemos. Havíamos chegado à vila já fazia algumas horas, já tínhamos tomado banho, vestido roupas mais limpas e saímos do albergue onde estávamos hospedados para comprar comida para nosso jantar. Adriana iria cozinhar algo especial e delicioso, como sempre, e já havíamos decidido que tomaríamos uma garrafa de vinho tinto. Na porta do albergue, caminhando pela calçada, nos demos as mãos. O vento soprava gelado do sul e o sol baixo no horizonte aquecia nossas costas. Um senhor, cabelos brancos desgrenhados pelo vento, nos olhou atento e disse: Love is a great thing.

E não temos como negar, “O amor é uma coisa grandiosa”.

Para acompanhar passo a passo a Expedição Highlands Kalapalo Tandem, visite o site: http://share.findmespot.com/shared/faces/viewspots.jsp?glId=0mqt1ppkt2pSmaqejVncIr3aNHfz5dGC4. Guilherme Cavallari e Adriana Braga estão usando o dispositivo de rastreamento e comunicação de emergência via Satélite GEN-3 da SPOT.

A expedição tem o apoio das seguintes marcas:

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Tecnologia de comunicação via satélite que pode salvar sua vida.

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Roupas técnicas feitas no Brasil e tão boas quanto qualquer marca gringa.

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