03 de dezembro de 2009 / 6° dia de viagem / 2.510 km rodados
Quem está acompanhando a viagem pelo BLOG e já leu o roteiro deve estar se perguntando… “O que esses caras estão fazendo nessa cidade, nesse dia?”
Pois é, coisas de viagem. Mudança de planos. No cronograma não havíamos computado a lentidão da subida e descida dos Andes no trecho Mendoza – Santiago. Nem o descanso em Mendoza. Muito menos o probleminha que tivemos hoje…
O dia começou cedo, como sempre. Lá pelas 6:30 já estávamos de pé tomando café da manhã no camping Pilmayken (www.complejopilmayken.com.ar/) dentro do Parque San Martin, onde o leão urra antes do galo. Essa manhã ele não falhou. Comemos meia dúzia de ovos mexidos. Não podíamos levar alimentos de origem animal ou vegetal frescos para o Chile, então “eliminamos” os ovos.
Antes de pegar a estrada fiz uma parada rápida, pero no mucho, em uma loja de artigos plásticos para indústria e agricultura que descobri no dia anterior, mas que já estava fechada. Duas das caixas de plástico transparente que utilizamos para transporte de equipamento e alimento sofreram avalias irreparáveis depois de uma lombada mal sinalizada… Em outras palavras, levantamos voo com o carro ao passar por uma lombada e as caixas se espatifaram. Comprei dois barris ultraresistentes de boca larga. Genial! Estava procurando isso há anos!
Na estrada o calor estava especialmente incômodo. Mas conforme ganhamos altitude, lentamente subindo os Andes, a temperatura ficou amena e agradável. Puente del Inca, próximo da divisa entre Argentina e Chile, e entrada para o Aconcágua, está a 2.700 metros de altitude. A divisa está ainda mais alta. Não fazia frio, mas ventava. A aduana nos tomou perto de uma hora. Uma burocracia multiplicada por dois, guichês argentinos e chilenos.
A vistoria sanitária foi minciosa. Os três fiscais abriram TODAS nossas quatro caixas, quatro barris (tantos os novos quanto os velhos) e as duas caixas térmicas de alimento. Só não abriram as duas malas de roupas e as duas bolsas gigantes de apetrochos de cama (sacos de dormir, isolantes térmicos, travesseiros, lençóis e afins). Descobriram dois sacos de uvas passa e confiscaram tudo. Perigo de contaminação por bactérias alienígenas, eles alegaram. Mas deixaram os 12 pacotes de banana passa… Vai entender. Talvez praga de banana não pega no Chile.
Assim que atravessamos a fronteir mudou a flora. Quer dizer, do lado Argentino não havia flora, só pedras em um imenso deserto. Do lado chileno, mais úmido pela proximidade do Oceano Pacífico, havia árvores, arbustos, gramíneas e tudo mais. Um colírio para olhos brasileiros, tão acostumados à vegetação. É realmente um contraste gigante nossa profusão vegetal e isso fica patente viajando pelos nossos vizinhos Argentina e Chile.
Mas, voltando ao assunto da razão de estarmos em Rancagua, a 80 km ao sul de Santiago, quando deveríamos estar Puerto Montt… O carro quebrou! As luzes não acendem e no Chile é obrigatório o uso de farol baixo dia e noite nas rodovias. Acho que é a chave liga/desliga, que já queimou uma outra vez comigo. Um probleminha recorrente do Land Rover. Amanhã vou levar o bicho em um auto-elétrico para ver o que pode ser feito. Hoje durmo com os dedos cruzados…
Enquanto isso, estamos bem acomodados em uma pousada familiar (dirigida por uma família) perto do centro da cidade. Um quarto com dois beliches, TV e guarda-roupas. A internet fica por conta de uma rede que o computador descobriu e conectou automaticamente. Nem vou perguntar se pertence à pousada para não quebrar a “magia”… Ainda fico maravilhado com essa tecnologia invisível.

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