MAPEAMENTO CARRETERA AUSTRAL 6

11 de dezembro de 2009

Hornopirén, Chile

Ainda 10 de dezembro de 2009 / 12° dia de viagem / 5.298 km rodados

Os últimos quase trinta quilômetros foram aqui dentro de Hornopirén, procurando um lugar para dormir. Queríamos acampar e cozinhar, para economizar e manter o nível de aventura da viagem. Mas só conseguimos cozinhar. Alugamos um chalezinho com lareira (acesa), banho quente e vista para a baía com por-do-sol, às 22:10. A Dri fez um Miojo com molho de carne de soja, cebolas e pimenta calabreza (muita!). Matamos uma garrafa de Carmenére importado do Chile. Chocolate chileno de sobremesa…

Eu sempre acreditei que existe um mundo paralelo de viajantes. Uma outra dimensão. Os anos que passei vivendo e trabalhando nos EUA, Inglaterra, Israel, Itália e Alemanha, mais as temporadas de mochila pelo Egito, Turquia, Grécia e praticamente toda a Europa, me ensinaram algumas coisas… Existem correntezas, fluxos, que carregam pessoas, vontades, desejos, frustrações e, por que não, livros de lá para cá…

Quando eu estava em Curitiba mês passado, mapeando as trilhas de trekking Marumbi e Pico Paraná para o Guia de Trilhas TREKKING 2 (que lancei faz menos de duas semanas) encontrei em um sebo um guia Lonely Planet da Argentina em português. Comprei, claro. Foi como um presságio de que essa viagem seria tranquila e bem sucedida. Em Mendoza nós esquecemos esse livro em um café no calçadão. Claro que alguém levou. Senti como outro presságio. Acho inclusive que já comentei isso em um post anterior…

Hoje, minutos antes de sair de Cochamó, na pousada Hospedaje Maura (outro pressário, porque esse é o nome da minha irmã caçula), já com o carro arrumado e pronto para partir, olhei com mais atenção a estante de livros do nosso anfitrião – o simpático Don Gastón. Vi um exemplar em ótimo estado e de uma edição mais nova que aquela que havíamos perdido do mesmo Lonely Planet Argentina.

Perguntei, na primeira oportunidade, se Don Gastón não me venderia o exemplar. Ele fuçou dentro das páginas, retirou alguns papéis que estavam soltos, leu a capa e quarta-capa como se visse o volume pelam primeira vez na vida… Pensei que ele procurava o valor para me cobrar.

“Puedes lleválo no más!” disse ele casualmente.

Com o livro nas mãos e agradecendo emocionado a gentileza, percebi que era uma versão em italiano. Don Gastón perguntou se me serviria do mesmo jeito. Imediatamente lembrei que estava procurando algum livro em italiano para ler recentemente, para desenferrujar o idioma na minha cabeça…

A correnteza da estrada, o universo paralelo dos viajantes, sorte ou boa ventura. Seja lá o que for, houve uma conspiração a nosso favor. Bom presságio.

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