Caderno Turismo
Vou de bike – Esqueça a preguiça e pedale por trilhas e ruas históricas em cidades nos arredores de SP
Camila Anauate
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Enquanto a incerteza rondar os aeroportos do país, o turista pode mudar o rumo da viagem. A começar pelo meio de transporte, que pode ser trocado por um muito mais econômico e, digamos, saudável: a bicicleta. Se você nem lembra que tem uma encostada na garagem, aproveite o momento para pedalar. Com uma boa dose de autonomia – e um guia em mãos -, é fácil descobrir trilhas bem perto de São Paulo, para ciclistas de todos os níveis.
E se quiser ecomizar ainda mais, lembre-se que nos fins de semana você pode carregar a magrela nos metrôs e trens da Companhia Paulista de Trens Metopolitanos (CPTM) para chegar a Paranapiacaba, Jundiaí, Mogi das Cruzes… Separe o dinheiro do bilhete (R$ 2,30 o unitário) e escolha em qual estação descer (veja no quadro abaixo). Os sites www.metro.sp.gov.br e www.cptm.sp.gov.br têm mapas completos das lihas.
Segundo a CPTM, desde que o projeto Ciclista Cidadão foi criado, em fevereiro, cerca de 7.500 pessoas passearam com suas bikes nos trens, como o assistente técnico Hamilton Trindade, 30 anos. “Aqui ao lado há cidades ótimas. É pedalar e renovar o espírito.”
Foi o espírito aventureiro que levou o ciclista Guilherme Cavallari, de 44 anos, a escrever uma coleção de guias para ajudar o cicloturista. “Queria andar de bicicleta perto de São Paulo, mas não havia informações sobre trilhas”, lembra. O Guia de Trilhas enCICLOpédia (Editora Via Natura, R$ 21) tem quatro volumes e dicas de roteiros, mapas e fotos. “Há percursos para fazer em um dia ou até uma semana”, diz Cavallari.
Em cada Fascículo, o autor fala sobre segurança, escolha da bike, mecânica de emergência e técnicas de pilotagem. O volume 4 da coleção será lançado dia 22. Confira dicas de passeios para sair pedalando direto das estações de trem.
Casarões antigos, uma centenária malha ferroviária e a natureza da Mata Atlântica fazem o cenário da vila inglesa do século 19. HOje, o local é pólo de ecoturismo em Santo André. A dica é passar o dia lá, pedalar pelas ruas históricas, conhecer o Museu Funicular (onde está parte do maquinário trazido da Inglaterra para as estradas de ferro) e parar para o chá das 17 horas. Um passeio mais longo leva à Vila Taquaruçu – são cinco quilômetros pela Estrada Taquaruçu.
Para chegar a Paranapiacaba, desembarque na estação Rio Grande da Serra (Linha D) e pedale dez quilômetros asfaltados até a vila. Informações: (0–11) 4439-0237.
Jundiaí
Ao descer da estação Jundiaí (Linha A), a primeira parada deve ser o Museu Ferroviário da Cia. Paulista (0–11-4522-4727), que está instalado em um prédio em estilo inglês de 1892 e guarda 15 mil peças entre brasões, relógios, mobiliários e fotos. É grátis. Restaurantes e bares estão na Av. 9 de Julho. A cidade também é ponto de partida para o Circuito das Frutas (0–11-4527-2000) – reserve um tempinho para visitar fazendas, adegas ou alambiques. Para uma aventura mais radical, a Serra do Japi, em meio a Mata Atlântica, é ideal. Informações turísticas: (0-11) 4521-9644.
Sabaúna
Para um passeio de bike à margem da Estrada de Ferro Central do Brasil, desembarque na estação Estudantes (Linha E). De lá, siga pelo asfalto até a Avenida Francisco Rodrigues Filho (Estrada Mogi-Guararema) e pedale mais seis quilômetros pela estrada de terra que começa na antiga estação César de Souza. Você está no distrito de Sabaúna, em Mogi das Cruzes, boa pedida para amantes da natureza – o visual inclui cachoeiras, trilhas e montanhas que dividem as serras do Mar e da Mantiqueira. Aproveite para visitar a estação, construída no século 19, e conferir as feiras de artesanato. Site: www.pmmc.com.br.
Jaraguá
É preciso ter (fortes) pernas para encarar um roteiro de bicicleta no Parque do Jaraguá. Vizinho da estação Jaraguá (Linha A), tem o pico maia alto de São Paulo, com 1.135 metros e uma vista invejável da cidade. Uma pista asfaltada leva ao topo, onde há lanchonetes. Uma feira de aretesanatos dos índios Jaraguá Ytu ocorre nos fins de semana. Site: www.iflorestal.sp.gov.br.
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VOU DE BIKE > Escolher a companheira certa é fator decisivo para o sucesso da viagem
DICAS PARA NÃO FICAR NA ESTRADA
Não ter pernas para completar a trilha ou precisar empurrar a bike por causa de um pneu furado transformam qualquer passeio em pesadelo. Além de estar com bom preparo físico, os cicloturistas devem seguir normas de segurança e levar os equipamentos certos para que a aventura seja inesquecível.
A primeira preocupação deve ser com a escolha da “companheira” de viagem. Segundo o ciclista e autor do Guia de Trilhas, Guilherme Cavallari, sem uma mountain bike não dá para encarar a jornada. “Uma bicicleta de 27 marchas é ideal. E a suspensão na frente ajuda a vencer os obstáculos.” Para não errar, procure lojas especializadas. “Leve em conta, também, o seu peso em relação ao da bicicleta. E aprenda a usar o kit de segurança.”
O mandamento principal de segurança: capacete, luvas e óculos são obrigatórios. O kit de ferramentas também pode salvar o ciclista de pequenos apuros, como um pneu furado ou corrente quebrada. “É preciso ter equipamentos especiais para remendar um pneu ou desentortar uma roda”, explica. Para quem já tem a bike, uma revisão antes da aventura é fundamental.
A fundadora do Clube de Cicloturismo, Eliana Garcia, que pedala religiosamente todas as férias, fala sobre o que não pode falta na mochila. “Sempre tenha água e isotônico para hidratar”, indica. “Frutas secas e barras de cereais também são indispensáveis.”
Para vestir, bermuda com acolchoado garante o conforto. “Roupas justas evitam assadura. E coloridas ajudam o ciclista a ficar mais visível em estradas.” Veja outras dicas em www.clubedecicloturismo.com.br.
Paranapiacaba
DUAS RODAS E NADA DE ATRASO
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