Boa parte do meu trabalho acontece em campo, pesquisando, descobrindo e mapeando roteiros para serem publicados nos livros da coleção Guia de Trilhas. Além disso, treino regularmente em trilhas. Meu hobby é fazer trilha, seja de mountain bike ou em trekking. Ou seja, estou constantemente em atividade de contato com a natureza, sempre com equipamento apropriado.
Muita gente me pergunta que equipo eu uso. Curiosidade natural. Em atividades de aventura bom equipamento é sinônimo de segurança, conforto e qualidade de vida. Mostro aqui itens que usei, testei, aprovei e recomendo em campo…
Categoria: Mochila para trekking leve
Marca: Deuter
Modelo: ACT Lite 35+10 SL (feminina) e ACT Lite 50+10 (masculina)
Tamanho: 35+10 litros (feminina) e 50+10 litros (masculina)
Peso: 1,560 kg (feminina) e 1,800 kg (masculina)
Dimensões: 64 x 37 x 25 cm (feminina) 74 x 42 x 28 cm (masculina)

Definições: Em primeiro lugar, vamos tentar definir o que é um “trekking leve”… Trata-se daquele roteiro de trekking mais curto, menos exigente física e tecnicamente, mas também pode ser um trekking longo em que a gente não precisa levar barraca e/ou comida, porque vamos ficar em uma pousada (como, por exemplo, Santiago de Compostela). Uma mochila para trekking leve pode também ser usada para trekking em “estilo ultraleve”, quando não levamos barraca por opção e dormimos em “bivaque” (ao relento, só com saco de dormir, ou em uma rede de dormir, etc.), comemos comida fria ou complementamos nossaa alimentação com aquilo que encontrarmos no caminho (frutas, raízes, caça e pesca), enfim, quando fazemos tudo o que for possível para economizar peso na mochila e, com isso caminhar mais rápido e mais longe.
Se você quiser saber mais a respeito dos estilos de trekking, as técnicas envolvidas neles e o equipamento apropriado, tem muita informação importante no Manual de Trekking & Aventura. Link para a resenha no blog: http://clubedaaventurakalapalo.blogspot.com/2010/04/resenha-livro-manual-de-trekking.html
Nos livros da coleção Guia de Trilhas Trekking há diversos exemplos de trekking leve, como: Ponta da Juatinga, Serra do Cipó, Ilhabela, Pico Paraná, Marumbi e Pedra das Flores. O que nos leva a concluir que não basta ter apenas uma boa mochila cargueira, se quisermos aproveitar ao máximo a disponibilidade de equipamento e tecnologia existentes. O ideal, para mim, é ter quatro mochilas diferentes:
1) uma mochila de hidratação (para trilhas de mountain bike, por exemplo),
2) uma mochila de ataque (para atividades de um dia de duração ou viagens de bike de qualquer duração, sem acampamentos, como a cicloMANTIQUEIRA). Link para teste de mochila de ataque/bike no blog: http://clubedaaventurakalapalo.blogspot.com/2010/04/teste-equipamento-mochila.html,
3) uma mochila para trekking leve,
4) uma super-mega-hiper mochila cargueira (para grandes roteiros de trekking de muitos dias, como Torres del Paine, Dentes de Navarino, El Chaltén, Serra Fina, etc.)
Histórico: A mochila ACT Lite da Deuter foi utilizada por mim e/ou pela Adriana na Ponta da Juatinga, Serra do Cipó e Ilhabela. Eu usei essa mochila no Marumbi e no Pico Paraná. Todos esses roteiros estão publicados na coleção Guia de Trilhas Trekking. Faz toda a diferença do mundo ter uma mochila leve e compacta nas costas. Ganhamos agilidade, velocidade, poupamos energia e, por isso, vamos mais longe e mais rápido.
Obviamente dá para fazer trekking leve com uma mochila cargueira meio cheia, improvisada, bem apertada pelas fitas de compressão. Mas minha experiência diz que quando isso acontece, acabamos levando mais do que precisamos, porque “tem espaço” na mochila… Mas o volume e peso excedentes da mochila cargueira vão cobrar um preço em desgaste físico desnecessário.
Principais pontos positivos: A relação peso (da mochila vazia) versus o volume de carga nessa mochila é excepcional! Fiquei tentado diversas vezes em levá-la para roteiros de trekking mais longos e exigentes, como Marins-Itaguaré, Serra dos Órgãos e Serra Fina, no lugar de uma mochila cargueira. O problema era espaço. Comida, cozinha de montanha, barraca, saco de dormir e isolante térmico somam um volume tremendo! Penso sempre em bivacar, dormir ao relento, mas o comodismo acaba falando mais alto e a barraca entra na mochila quase sozinha…“ACT” nesse modelo significa “Air Contact Trekking”, ou seja, essa mochila é da mesma família da venerável Air Contact Pro (testada aqui no blog: http://clubedaaventurakalapalo.blogspot.com/2010/04/teste-equipamento-mochila-cargueira.html), com sistema de acolchoamento super leve, extremamente confortável, com baixíssima (ou nenhuma) retenção de umidade, mas muito mais leve que o modelo da cargueira. A diferença de peso entre os dois modelos, se compararmos mochilas com volume de carga semelhantes, é de quase um quilo e meio! Esse modelo é também mais simples, com menos bolsos externos, o que no final também é uma vantagem… Bolsos externos aumentam muito o tamanho lateral da mochila, que fica mais propensa a enroscar em galhos, cipós e afins.

Principais pontos negativos: Na verdade isso não é um “ponto negativo”, mas uma característica do modelo e de toda mochila para trekking leve… A capacidade de volume e carga de peso diminuem bastante. Isso é importante frisar. Não dá para carregar o mesmo peso em uma mochila para trekking leve que levamos em uma mochila cargueira, pelo menos não com o mesmo conforto, estabilidade e segurança. A economia de peso é proporcional à economia de material utilizado na fabricação da mochila. Isso quer dizer menos acolchoamento, fitas mais finas, fivelas menores, menos tecido e tecidos mais leves… Em outras palavras, mochilas para trekking leve são um excelente exercício de minimalismo na trilha.
Dica: Vejo regularmente nas trilhas gente que usa capa de chuva na mochila para “proteger” a mochila de acidentes, como enroscar na vegetação, raspar em rochas, etc. É muito comum trilheiros vestirem a capa na mochila quando o céu está nublado, por “precaução”. O resultado é óbvio: a capa de chuva rasga e quando a chuva cai de verdade, a mochila acaba molhada. Ou, na melhor das hipóteses, a mochila dura vinte anos e o sujeito destrói vinte capas de chuva, uma por ano… As dicas são: primeiro, a mochila aguenta um pouco de chuvisco e garoa sem capa de chuva. Nylon é minimamente impermeável e está em quase toda mochila. Segundo, capa de chuva é equipamento de segurança contra chuva, para proteger de galhos e rochas é preciso uma armadura de Kevlar, no mínimo. Vista a capa de chuva na sua mochila quando a chuva for eminente ou já estiver caindo. Em roteiros de trekking exepcionalmente úmidos, como por exemplo Dentes de Navarino (Guia de Trilhas Trekking Vol. 2), onde chove 300 dias por ano, vale a pena deixar a mochila sempre “encapada”, caso contrário, preserve seu equipamento.
Link para importador: http://www.deuter.com.br/
Estou tão insegura quanto à mochila que devo comprar… Não sei se compro uma cargueira com bolso destacável (tipo mochila de ataque acoplada à cargueira, mas procurei e não encontrei), se compro uma de 40 litros, ou de 30… gente, como é difícil comprar a primeira mochila! Abs, Juliana