UMA SURRA DA MONTANHA!

15 de julho de 2009
FOTO: Subida do Pico dos Marins

Depois de pedalar 216 quilômetros de mountain bike em cinco dias, mapeando a segunda etapa do Guia de Trilhas cicloMANTIQUEIRA (veja post anterior), emendei o mapeamento da travessia em trekking Marins-Itaguaré, para o Volume 2 do Guia de Trilhas TREKKING (lançamento previsto para setembro/outubro pela Kalapalo Editora). Três dias previstos de caminhada, com dois acampamentos selvagens.

Adriana, minha mulher, e mais três amigos (Milene, Fernando e Renato) saíram de São Paulo na quinta-feira (feriado de 9 de julho) às 5 da manhã. Marcamos de nos encontrar na Base Marins, um posto avançado na montanha de onde começa o trekking. A Base Marins é dirigida por um velho amigo, Milton Gouvêa, mountain biker convicto como eu, ex-organizador de provas de downhill e agora montanhista exilado… Ele vive precariamente na Base há dois anos – mais um irmão batalhador, vivendo a aventura de viver da aventura.
Começamos a caminhada lá pelas 10:30 da manhã, todo mundo carregado como bestas de carga… Quatro litros de água por cabeça nas mochilas, mais barracas, sacos de dormir, isolantes térmicos, comida, fogareiro, combustível, etc. Nossos guias eram os irmãos Tiago e Fernando, da Brazil for All, de Cruzeiro. Quando estou mapeando roteiros de trekking tento sempre arrumar companhia de guias locais porque não posso me dar ao luxo de errar o caminho com o GPS ligado… Não tem como apagar depois o trecho registrado errado e o arquivo fica defeituoso. Sou obrigado a começar tudo de novo.
A subida até o ponto de água antes da subida final ao pico dos Marins foi tranquila. O tempo instável ameaçava chuva a qualquer instante, mas o céu estava aberto e ensolarado nos vales ao nosso redor – sinal que havia apenas uma nuvem estacionada no topo da montanha. Um grupo que ia à nossa frente desistiu da subida com medo de tempestades de raios. Achei a decisão meio precipitada, mas fiquei quieto. Cada um sabe onde dói o calo, já dizia minha vó. Decidimos continuar subindo, baseado na esperança do tempo abrir.
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E o tempo abriu! Tivemos uma vista sensacional desde o cume do Marins em todas as direções e a expectativa de um belo dia de caminha no dia seguinte… Ilusão passageira! À noite o tempo virou e a temida frente fria prevista pelos institutos meteorológicos chegou sem piedade. Ventou tanto que a única barraca com varetas de fibra de vidro da turma arrebentou toda! Virou um amontoado de Nylon! As demais, com varetas de alumínio resistiram sem arranhões.
Acordei às 5:30 porque a previsão era de começarmos a caminhada até a base do Itaguaré às 7:00 em ponto. Ainda estava escuro. Fazia muito frio e uma névoa baixa, densa e úmida cobria tudo. Quando o dia nasceu, a visibilidade não chegava a 20 metros. O grupo que havia fugido da montanha precocemente no dia anterior havia subido novamente, depois que o tempo melhorou e, agora, com o tempo horrível, decidiram enfrentar a travessia assim mesmo… Vai entender!
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Esperamos no mal tempo contando mentiras em um círculo. Todo mundo dentro da nuvem. Quando bateu 10:30 sem sinal algum de melhora decidimos abortar a travessia e descer a montanha por onde havíamos subido. Já não daria mais tempo de chegar à base do Itaguaré naquele dia. Um a zero para montanha. Agora é só agendar a revanche… Boa desculpa para se aventurar novamente.
Já em São Paulo, na segunda-feira 13 de julho, recebi um e-mail dos guias da Brazil For All contando que o grupo que havia decidido pela travessia, apesar da pouca visibilidade, depois de haver arremetido quando o tempo prometia, havia desistido também… Foram obrigados a descer a montanha a partir do Marinzinho, por uma via secundária bem mais arriscada. Os caras erraram em todas as decisões que tomaram, mas não existe aprendizado melhor.
Lições aprendidas? Talvez…
1) Não se apavore com pouco, isso leva a conclusões precipitadas;
2) Não hesite em retroceder, se essa for a decisão mais sensata;
3) Evite barracas com varetas de fibra de vidro para montanhismo.
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FOTO: Descida do Pico dos Marins

2 respostas para “UMA SURRA DA MONTANHA!”

  1. Anonymous disse:

    Boa Guilherme,

    apesar de tudo foi muito legal estar dentro daquela nuvem da “família Adams”, pois em volta o tempo estava aberto. Nestas horas, testamos nossos equipos e nosso comportamento.
    Me chame p/ a revanche.
    Valeu, obrigado

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    Renato

  2. Tom Bombadil disse:

    Fala Guilherme, tudo bem?
    Eu sou o Gabriel, que foi aí na editora hoje (29/07/09).

    Muito legal o blog! Grande abraço!

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